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 <DataGeracaoArquivo>Ter, 3 Out 2006 19:20:48 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Colidindo com a morte a 37 mil pés, e sobrevivendo]]></Titulo>
 <PalavrasChave><![CDATA[]]></PalavrasChave>
 <CodigoCanal>65</CodigoCanal>
 <NomeCanal>NYT - Brasil</NomeCanal>
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 <NomeCredito>Joe Sharkey</NomeCredito>
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 <NomeFonte><![CDATA[The New York Times]]></NomeFonte>
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 <DescricaoFonte><![CDATA[]]></DescricaoFonte>

 <Olho><![CDATA[SÃO JOSÉ DOS CAMPOS – Havia sido uma tranqüila e confortável noite. Eu estava relaxando, sentado em minha poltrona de couro, a bordo de um jato comercial de US$ 25 milhões que voava a 37 mil pés sobre a vasta floresta amazônica. Estávamos em sete e aproveitávamos a viagem silenciosamente. ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Sem aviso, eu senti uma grande pancada e escutei um som alto de batida, seguido por um terrível silêncio, deixando apenas o murmúrio dos motores.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Então, um dos passageiros que estava próximo à cabine de controle do jato Embraer Legacy 600, Henry Yandle, disse as três palavras que eu nunca esquecerei: “Nós fomos atingidos”.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“Atingidos? Pelo o quê?”, me perguntei. Olhei pela janela. O céu estava aberto; o sol já caía no horizonte. A floresta gigantesca se estendia pela linha do horizonte, mas na asa, mais especificamente na ponta dela, um denteado anormal, algo em torno de <?xml:namespace prefix = st1 ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" /><st1:metricconverter ProductID="30 cent&#65517;metros" w:st="on">30 centímetros</st1:metricconverter>, estava no lugar do winglet - apêndice aerodinâmico, que reduz o arrasto criado pela asa.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Com isso começaram os 30 minutos mais angustiantes da minha vida, durante os dias que se seguiram me falaram diversas vezes que ninguém sobrevive a uma colisão em pleno ar. Eu tinha sorte de estar vivo – e somente depois eu descobriria que um Boeing 737, com 155 pessoas abordo, durante um vôo comercial parecia ter sido a causa de nosso susto. Ele não teve tanta sorte.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os investigadores do caso ainda estão tentando descobrir o que aconteceu, e como nosso pequeno jato conseguiu continuar o vôo, enquanto um 737, que é mais longo, mais largo e três vezes mais pesado, caiu.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas às 16h da sexta-feira passada, tudo o que eu conseguia ver, tudo o que eu sabia, era que uma parte da asa havia sido arrancada. E estava claro que a nossa situação estava piorando rapidamente. Os arrebites da asa estavam sendo arrancados.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Incrivelmente, ninguém entrou <st1:PersonName ProductID="em p&#65506;nico. Os" w:st="on">em pânico. Os</st1:PersonName> pilotos começaram a averiguar os seus controles e mapas, atrás de um aeroporto para pousar.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas enquanto os minutos passavam, o avião continuava perdendo velocidade, na mesma hora entendemos o quanto isso era ruim. Eu ficava imaginando o quanto iria doer uma queda – um termo otimista para “se estraçalhar contra o chão”.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eu pensei em minha família. Não havia sinal no meu celular para tentar uma ligação e nossas esperanças sumiam junto com o sol, alguns começaram a escrever bilhetes para suas esposas e familiares, colocando-os dentro de nossas malas, esperando que as notas fossem encontradas depois.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eu estava pensando em um diferente tipo de notas quando o vôo começou. Eu contribuí para a coluna “On the Road”, do <B style="mso-bidi-font-weight: normal">New York Times</B>, uma seção semanal de negócios e viagens que é publicada há sete anos. Mas eu estava no Embraer 600 para um trabalho freelance para a revista Business Jet Traveler, voltada para compradores e usuários de jatos comerciais.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Até o momento da colisão, tinha sido um bom vôo. Minutos antes, eu havia ido até o cockpit para conversar com os pilotos, que disseram que o avião estava voando magnificamente. Eu vi o altímetro: 37 mil pés.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Voltei à minha poltrona. Minutos após a batida veio (que também danificou a cauda do avião, mais tarde nos contaram). Logo depois da colisão não houve muita conversa.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O vice-presidente da empresa Excel Aire, que havia comprado o novo avião, é David Rimmer, um homem grande que encurvado sobre mim, olhando pela janela para a asa agora danificada.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“Quão ruim é isso?”, perguntei. Ele olhou em meus olhos e disse, “eu não faço idéia”.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eu fiquei vendo os dois pilotos gesticulando. Eles pareciam soldados trabalhando juntos em uma situação difícil, assim como eles tinham sido treinados para fazer.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Durante os próximos 25 minutos, os pilotos, Joe Lepore e Jan Paladino, ficaram averiguando seus instrumentos, procurando um aeroporto. Nada aparecia.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eles enviaram um sinal de socorro, que foi recebido por um avião de carga em algum lugar da região Não havia nenhum outro contato com aviões.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Então, Lepore viu luzes entre a mata. “Achei um aeroporto”, disse da cabine.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eles tentaram contatar a torre de controle que depois descobrimos ser uma base militar escondida no meio da Amazônia. Fizeram uma grande curva com o jato para evitar colocar muita tensão na asa danificada.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Enquanto nos aproximávamos da pista de pouso, os pilotos tiveram o primeiro contato com o controle de tráfego aéreo. “Nós não sabíamos o tamanho da pista”, Paladino diria mais tarde na base colocada em meio à floresta de Cachimbo.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nós pousamos duramente e rápido. Eu vi os pilotos lutando com o avião, pois uma grande parte dos controles automáticos havia sido destruída. Paramos no meio da pista e saímos assustados pela porta do jato.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“Bom vôo”, disse aos pilotos enquanto passava por eles. Na realidade, eu disse uma palavra entre “bom” e “vôo” que não poderei colocar aqui.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“Sempre que quiser”, disse Paladino, com um sorriso ansioso.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mais tarde naquela noite nos deram cerveja gelada e comida na base militar. Nós ficamos especulando o que poderia ter nos atingido. Um balão meteorológico? Um piloto militar que gostava de tirar “rachas”? Um avião perto de nós que explodiu no ar, jogando estilhaços sobre o nosso jato?</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Não importa o que havia causado aquilo, estava claro que nós havíamos sido envolvidos em uma colisão aérea, a qual, teoricamente, nenhum de nós deveria ter sobrevivido.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Em um momento de humor-negro nos alojamentos, eu disse, “talvez nós estejamos realmente mortos, e esse é o inferno – sempre revivendo as brincadeiras do colegial com uma lata de cerveja para a eternidade”.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Lá pelas 7h30 um executivo da Embraer e o único entre nós que falava português, Dan Bachmann, veio até a nossa mesa e nos trouxe notícias do escritório do comandante. Um Boeing 737, com 155 pessoas abordo foi declarado desaparecido, sua última posição registrada ficava no ponto onde havíamos sido atingidos.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Antes daquele momento, todos nós estávamos brincando sobre a nossa quase “batida de botas”. Nós éramos os Sete da Amazônia, vivendo agora um tempo que não pertencia mais a nós e sim que havíamos adquirido de alguma forma. Nós teríamos uma reunião todo ano para mostrar como estávamos usando esse tempo.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ao invés das brincadeiras nós curvamos as nossas cabeças em um longo momento de silêncio, apenas o som de lágrimas abafadas enchia o ambiente.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os dois pilotos, com vasta experiência em vôos comerciais, ficaram abalados com os ocorridos. “Se alguém deveria cair, deveríamos ter sido nós”, ficava repetindo Lepore, 42 anos, da cidade de Bay Shore, Nova York.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Paladino, 34 anos, de Westhampton, Nova York, quase não conseguia falar. “Eu só estou tentando me acostumar com a idéia de todas aquelas pessoas mortas. Está começando a me machucar de verdade”, disse.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Yandle disse a eles: “Vocês são heróis. Vocês salvaram as nossas vidas”. Eles sorriram palidamente. Ficou claro que o peso de toda essa tragédia ficará com eles para sempre.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No dia seguinte, a base estava efervescendo de autoridades brasileiras investigando o acidente e direcionando as operações do 737 caído, que um oficial me disse que estava em uma área a menos de <st1:metricconverter ProductID="160 quil?metros" w:st="on">160 quilômetros</st1:metricconverter><SPAN style="mso-spacerun: yes">&nbsp; </SPAN>da nossa posição, mas só conseguiriam chegar lá atravessando a floresta a pé.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Nós também tivemos acesso ao nosso avião, que havia sido isolado para investigações. O vice-presidente da manutenção da Excel Aire, Ralph Michielli, e um outro passageiro do Legacy me levaram até uma escada para mostrar o dano feito na asa de nosso jato.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Uma placa de metal que compunha a asa havia sido arrancada. Marcas negras perto da fusilagem mostravam que algum combustível havia vazado. Partes do estabilizador horizontal na cauda do avião também foram destruídas.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Um inspetor militar brasileiro que estava por perto me surpreendeu por sua vontade de falar sobre o ocorrido, entretanto a conversa foi limitada por seu fraco inglês e meu português inexistente.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ele especulou sobre o que poderia ter acontecido: os dois aviões, inexplicavelmente, na mesma altitude e no mesmo espaço aéreo. O 737, que ia para o sudeste viu o nosso Legacy 600, que estava voando para Manaus, ao noroeste, e fez uma rápida manobra evasiva. A asa do 737, passando pela nossa asa e a cauda, bateu em nós duas vezes, então a maior aeronave entrou em um parafuso fatal.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Soava como uma situação impossível, o inspetor concordou. “Mas eu acredito que foi isso o que aconteceu”, disse. Apesar de ninguém conseguir dizer com certeza o que aconteceu, três outras autoridades brasileiras me disseram que eles haviam sido informados que ambas aeronaves estavam na mesma altitude.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Então, por que, eu – o passageiro mais próximo do impacto – não escutei um ruído sequer do gigantesco 737?</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Eu perguntei a um piloto de testes da Embraer, Jeirgem Prust. Isso foi no dia seguinte, quando nós fomos transferidos da base em um avião militar para uma delegacia de polícia <st1:PersonName ProductID="em Cuiab&#65505;. Foi" w:st="on">em Cuiabá. Foi</st1:PersonName> lá onde os pilotos e os passageiros do Legacy, incluindo eu mesmo, foram questionados até a tarde por um enérgico comandante da polícia e seus tradutores.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Prust pegou uma calculadora e começou a digitar, descobrindo o tempo que seria possível para escutar o barulho das turbinas de jato indo de encontro a outro, cada um voando a mais de <st1:metricconverter ProductID="800 quil?metros" w:st="on">800 quilômetros</st1:metricconverter> por hora, em direções opostas. Ele me mostrou os números. “É muito menos do que a metade de um segundo”, disse. Olhamos para os pilotos que tinham se jogado nos sofás da sala.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“Esses caras e o avião nos salvaram”, eu disse.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“Pelos meus cálculos”, ele concordou.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Depois eu pensei que o piloto do avião brasileiro também salvou as nossas vidas devido aos seus reflexos rápidos. Se pelo menos os seus passageiros também pudessem falar isso. </FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Na delegacia de polícia, pediram que escrevêssemos em um pedaço de papel nossos nomes, endereços, datas de nascimento, empregos e níveis de educação, além dos nomes de nossos pais. Também nos pediram para nos deixarmos sermos examinados por um médico. Precisamos ficar sem camisas e tirar fotos de frente e de costas.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isso, explicou o médico, que eu não lembro o nome, mas se descreveu como um “médico forense” era para provar que não havíamos sido torturados “de qualquer forma”.</FONT></P>
<P><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E, de novo, galões de humor-negro fluíram, mesmo tentando desencorajar as piadas. “Esse aí é quem investiga mortes”, Yandle explicou mais tarde, e depois adicionou, “eu acho que não existe prova maior de que nós morremos de verdade”.</FONT></P>
<P></FONT><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas as risadas, como elas eram antes, se foram e agora ficamos pensando e repensando nos corpos que ainda estão na mata, e como as vidas deles e as nossas cruzaram, literalmente e metaforicamente falando, por um horrível meio-segundo.</FONT></P>]]></Texto>

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