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 <DataGeracaoArquivo>Seg, 21 Ago 2006 20:21:59 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Imigrantes estão orgulhosos do novo museu de Paris]]></Titulo>
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 <NomeFonte><![CDATA[The New York Times]]></NomeFonte>
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 <Olho><![CDATA[PARIS – Quando Patrícia Mavoungou, uma funcionária pública municipal dos subúrbios de Paris, levou seu filho ao Musee du Quai Branly, o mais novo museu francês de arte ocidental, a primeira coisa que eles fizeram foi procurar obras de arte do Congo, país em que ela nasceu. E eles encontram: duas belas máscaras punu. ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“Isso me fez pensar no meu filho, que não sabe sobre essas coisas, e sobre as crianças nascidas na França que nunca foram ao Congo”, afirmou Mavoungou, 35 anos, durante uma visita recente ao museu. “Isso irá ajudá-los a saberem de onde eles são”.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /><o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mavoungou não é a única. Mesmo enquanto o debate sobre a arquitetura e o modo de exibição continua, a notícia se espalha em comunidades de imigrantes em toda a França de que o espaço celebra o patrimônio de suas culturas enquanto arte. E até o momento, as pessoas que tipicamente sequer pisariam em um museu estão surgindo e números completamente inesperados.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Stephane Martin, presidente do Quai Branly, fala diariamente com os visitantes. Ele afirmou estar convencido que sua instituição está atraindo um novo público.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“Tudo o que você tem de fazer é andar pelo museu” para ver que tudo é verdade, segundo Martin. “Também h´muitos jovens casais que não vieram com um clube ou com uma instituição ou uma associação, mas por iniciativa própria e é muito legal ver suas reações quanto ao nosso acervo”.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">A diversidade dos visitantes também chamou a atenção de Emmanuelle Messika, uma funcionária do museu descendente de tunisianos, franceses e poloneses. “Tenho a impressão de que há mais pessoas de outros ambientes do que no Louvre ou no Pompidou Center”, afirmou ela. “Você praticamente pode dizer que algo está começando a mudar na França”.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Para muitos, o museu é uma revelação e uma viagem emocional a locais deixados para trás. Passear por seus corredores, segundo eles, mexe com um orgulho adormecido de suas origens, um impulso para passar tudo para a próxima geração e o olhar maravilhado de que os objetos frágeis e artesanais expostos sobreviveram a tudo.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“Isso me lembra da minha infância no interior, próximo ao rio Senegal – todos os instrumentos musicais, as roupas”, afirmou Amadou Achard-Sy, 40 anos, que deixou seu vilarejo no norte do Senegal e imigrou para a França 23 anos atrás.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“É importante que o nosso filho também saiba disso”, acrescentou ele, andando vagarosamente pelo acervo com sua esposa francesa e o filho de 8 anos. “Este museu é a prova de que essa cultura está sendo levada em consideração”.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Kahina Boudaa, 19 anos, recebeu permissão de seus pais, imigrantes argelinos, para pegar um trem de Nanterre, no subúrbio de Paris, para ir ao Quai Branly com sete amigos.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“Normalmente nós não fazemos isso, vir a Paris e ir a um museu”, afirmou Boudaa, acrescentando que ela estava maravilhada pelo cofre argeliano talhado à mão exposto. “Você vê coisas dos Incas, do sul da África, mas não estamos acostumados a ver coisas da Argélia em um museu”.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Martin estimou que cerca de um quarto dos visitantes de sua instituição são “um novo público que estão vindo pois o museu fala especificamente com eles”.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Ele afirmou que os visitantes são atraídos tanto pelo design de Jean Nouvel “que evita a idéia de que o museu é um templo neogrego no alto de um monte” e pelas exibições dramáticas, que enfatizam cada item – até mesmo máscaras e roupas típicas suspensas em alturas diferentes para maximizar os efeitos desejados nos visitantes.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Muitos dos objetos são por si só extraordinários: trajes para ritos fúnebres da Nova Guinea; uma parede coberta com pinturas dos aborígines australianos; máscaras africanas posicionadas em diferentes posições e algumas pedras com inscrições em carvão que não possuem nenhuma barreira ou isolamento do público.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Isso não tem nada haver com as estatuetas de bailarinas de Degas ou com a Vênus de Milo, que são apresentadas em pedestais ou no topo de uma escadaria”, afirmou Martin.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O museu, acrescentou ele, teve a intenção de ser uma ponte entre o Ocidente e o resto do mundo. “Gostamos da cozinha tailandesa, nossas tatuagens são polinésias, vestimos como africanos e arrumamos nossos cabelos ao estilo das Antilhas”, afirmou ele sobre os ocidentais atualmente. “Tudo isso significa que a noção de pureza cultural, que muitos museus etnológicos se apóiam hoje, não faz sentido atualmente”.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O desejo do museu é de induzir os visitantes a primeiramente maravilhar a expressão artística exibida e então se dirigir às salas de projeção para descobrirem como foram criados ou utilizados. Claire Ayedzame, 24 anos, estudante do Gabão, afirma que as pessoas de sua geração sabem sobre os pilares da cultura ocidental, mas que “este local é uma aventura no desconhecido”.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“Todo mundo conhece a ‘Mona Lisa’, mas eles não sabem que uma máscara fang é da África Ocidental”, acrescentou Ayedzame, que visitava o acervo junto com Herbert Mitch Ogouma, um amigo também gabonense. Outros visitantes, no entanto, expressaram tristeza ao verem alguns dos pilares do passado colonial francês.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">“Seja pela beleza, pelo valor ou pela curiosidade, todos os objetos que pertenciam a nós e a nossos ancestrais foram saqueados”, afirmou Khady Senghor, 57 anos, que dirige uma galeria de arte africana em Dakar, Senegal. “O lado bom é que eles reuniram tudo isso em um só lugar”.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Fato Bidaye, um arquiteta do Senegal que vive na Tunísia, estava visitando o museu com seus três filhos. Ela afirmou ser impossível encontrar tais objetos na África atualmente. “Isso me faz perceber que no continente africano não restou nada”, afirmou ela, “e todos os tesouros da nossa cultura podem ser encontrados neste museu”.</FONT></P>]]></Texto>

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