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 <DataGeracaoArquivo>Sex, 20 Mai 2005 14:38:04 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Relatório do exército relata tortura e morte em prisão afegã]]></Titulo>
 <PalavrasChave><![CDATA[]]></PalavrasChave>
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 <NomeCanal>NYT - Internacional</NomeCanal>
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 <NomeCredito>Tim Golden</NomeCredito>
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 <NomeFonte><![CDATA[The New York Times]]></NomeFonte>
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 <Olho><![CDATA[Mesmo com jovens afegãos morrendo na sua frente, os carcereiros norte-americanos continuavam o atormentando.]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">O prisioneiro, um motorista de táxi de 22 anos conhecido apenas como Dilawar, foi arrancado de sua cela no centro de detenção em Bagram, no Afeganistão, às 2h da manhã para responder perguntas sobre um ataque contra uma base dos EUA. <?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /><o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">Quando ele chegou na sala de interrogatório, contou um intérprete que estava presente, suas pernas estavam tremendo incontrolavelmente na cadeira de plástico e suas mãos estavam paralisadas. Ele havia ficado algemado ao teto da sua cela pelos quatro dias anteriores. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">Dilawar pediu um copo de água, e um dos dois interrogadores, o soldado Joshua R. Claus, 21 anos, pegou uma grande garrafa de água. Mas primeiro ele fez um buraco na parte de baixo, disse o intérprete, então conforme o preso encostava na parte de cima, a água caia em seu uniforme laranja. O soldado então pegou a garrafa de volta e começou a jogar água na cara de Dilawar.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">“Venha, beba!”, dizia o soldado, segundo o intérprete. “Beba!”. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">A pedido do interrogador, um guarda militar tentou forçar o jovem a se ajoelhar. Mas suas pernas, que haviam sido espancadas por guardas por dias seguidos, não conseguiam mais se dobrar. Um interrogador disse a Dilawar que ele poderia ver um médico assim que eles acabassem seu serviço. Quando ele foi finalmente enviado de volta à cela, entretanto, os guardas foram instruídos apenas a pendurar o preso de volta ao teto. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">“Deixe-o aí em cima”, contou um dos guardas, citando Claus.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">Muitas horas se passaram antes de um médico finalmente ver Dilawar. Até lá ele estava morto, com o corpo começando a endurecer. Só depois de muitos meses os investigadores do exército ficaram sabendo de um terrível detalhe final: a maioria dos interrogadores acreditava que Dilawar era um homem inocente que simplesmente passou com seu táxi por uma base dos EUA na hora errada. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">A história da morte brutal de Dilawar no Ponto de Coleta de Bagram – e a de outro preso, Habibullah, que morreu no mesmo lugar seis dias antes, em dezembro de 2002 – estão em um arquivo de quase 2 mil páginas da investigação criminal do exército sobre o caso; o New York Times obteve uma cópia do documento.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">Como um acompanhamento narrativo das imagens digitais de Abu Ghraib, o arquivo de Bagram retrata soldados jovens e mal-treinados em repetidos incidentes de abuso. O duro tratamento, que resultou em acusações criminais contra sete soldados, foi bem além das duas mortes. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">Em alguns exemplos, mostram testemunhos, ele foi direcionado ou realizado pelos interrogadores para extrair informação. Em outros, ele foi uma punição distribuída pelos guardas. Algumas vezes, o tormento parecia ser motivado por pouco mais que tédio ou crueldade, ou ambos. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">Em testamentos jurados para investigadores militares, os soldados descrevem uma interrogadora com um gosto particular por humilhação pisando no pescoço de um preso abatido e chutando outro nas genitálias. Eles contam a história de um preso algemado sendo forçado a rolar no chão da cela, beijando as botas de dois interrogadores. Outro preso é forçado a pegar tampas de garrafas misturadas com excremento e água como parte de uma estratégia para amaciá-lo para questionamento.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">O New York Times obteve uma cópia do arquivo de uma pessoa envolvida na investigação que criticou tanto os métodos usados em Bagram quanto a resposta do exército às mortes. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">Apesar de incidentes de abusos em Bagram em 2002, incluindo alguns detalhes das mortes dos dois homens, terem sido reportados antes, autoridades dos EUA os caracterizaram como problemas isolados que foram profundamente investigados. E muitas das autoridades e soldados entrevistados na investigação do caso de Dilawar disseram que a maioria dos presos de Bagram era obediente e razoavelmente bem-tratada. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">Mesmo assim, o arquivo de Bagram inclui amplos testemunhos de que o duro tratamento de alguns interrogadores era uma rotina e que os guardas algemavam os presos com total impunidade. Os prisioneiros considerados importantes ou problemáticos também eram algemados e presos ao teto e portas das celas, algumas vezes por longos períodos, uma ação que promotores do exército classificaram como um ataque criminal. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">Parte dos maus-tratos era óbvia, sugere o documento. Autoridades freqüentemente passeavam pelo centro de detenção e várias delas reconheceram ter visto presos amarrados para punições ou mantidos acordados. Pouco após as duas mortes, observadores do Comitê Internacional da Cruz Vermelha reclamaram especificamente às autoridades militares em Bagram contra o acorrentamento de presos “em posições fixas”, mostram documentos.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">Apesar de os investigadores terem ficado sabendo logo após a morte de Dilawar que ele havia sido abusado por ao menos dois interrogadores, o inquérito criminal do exército progrediu lentamente. Enquanto isso, muitos dos interrogadores de Bagram, liderados pelo mesmo oficial de operações, a capitã Carolyn A. Wood, foram enviados para o Iraque e, em julho de 2003, assumiram os interrogatórios na prisão de Abu Ghraib.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">De acordo com um inquérito do alto escalão do exército no ano passado, Wood instituiu duras técnicas no Iraque – incluindo o desnudamento de presos, impedi-los de dormir e usar cães para assustá-los – que eram “impressionantemente similares” àquelas usadas em Bagram.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">Em outubro passado, o Comando de Investigação Criminal do exército concluiu que havia uma causa provável para acusar 27 oficiais por ofensas criminais no caso de Dilawar, variando de abandono de dever a mutilação e homicídio involuntário. Quinze dos mesmos soldados também foram citados por possível responsabilidade criminal no caso de Habibullah.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">Até agora, apenas sete soldados foram acusados, incluindo quatro na semana passada. Ninguém foi condenado. Dois interrogadores do exército também foram repreendidos, informou um porta-voz militar. A maioria dos oficiais que ainda pode enfrentar ação legal negou qualquer mau-trato, seja em testemunhos aos investigadores ou comentários a repórteres. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">“A situação é injusta”, afirmou a sargento Selena M. Salcedo, uma ex-interrogadora de Bagram que foi acusada de agredir Dilawar, abandonar o dever e mentir aos investigadores, em uma entrevista por telefone. “A verdade vai aparecer quando tudo for dito e feito”. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">Com grande parte da ação legal pendente, a história dos abusos em Bagram continua incompleta. Mas documentos e entrevistas revelam uma enorme disparidade entre as descobertas dos investigadores do exército e o que as autoridades militares disseram após as mortes. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">Porta-vozes afirmaram que os dois homens morreram de causas naturais, mesmo depois de legistas do exército determinarem as mortes como homicídios. Dois meses após estas autopsias, o comandante dos EUA no Afeganistão, o então tenente-general Daniel K. McNeill, disse não ter indicação de que o abuso dos soldados contribuiu para as duas mortes. Os métodos usados em Bagram, disse, estão “de acordo com o que é geralmente aceito como técnicas de interrogatórios”. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"><o:p>&nbsp;</o:p></SPAN></P>]]></Texto>

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