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 <DataGeracaoArquivo>Qua, 18 Ago 2004 15:07:36 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Longa Marcha da China é reconstituída com passos artísticos]]></Titulo>
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 <NomeCanal>NYT - Cultura</NomeCanal>
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 <NomeCredito>Craig Simons</NomeCredito>
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 <NomeFonte><![CDATA[The New York Times]]></NomeFonte>
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 <Olho><![CDATA[PEQUIM –Wang Wenhai, o autoproclamado rei das esculturas de argila de 53 anos, tem três objetivos. Primeiro, ele quer construir uma estátua de 129m de Mao Zedong em Yanan, a base revolucionária do Partido Comunista, no noroeste da China. Então ele quer fazer um memorial gigante em comemoração às filosofias de Mao, com uma possível referência a Karl Marx.]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Finalmente, se ele tiver tempo, ele quer esculpir 25 mil pequenas estátuas de Mao para deixar ao longo da rota da Longa Marcha, uma pista de 9.600km construída por membros do Partido Comunista nos anos 30. “Se todos fossem como Mao”, disse Wang, que faz esculturas de Mao há três décadas, “o mundo seria lindo”. <?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /><o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">É claro que nem todos pensam isso de Mao, que levou os comunistas à vitória em 1949. Mesmo Deng Xiaoping, o mais importante sucessor de Mao, afirmou que Mao cometeu “erros grosseiros”. Mas para Lu Jie, o curador de um grande projeto de arte contemporânea – “The Long March: A Walking Visual Display”, em exposição em Pequim e partes remotas do oeste da China – deixar as pessoas pensarem o que quiserem é o ponto. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">“Nós precisamos abrir um espaço para pensar sobre arte, cultura e história”, afirmou. “As críticas são importantes”. Ele disse ter gastado muito de seu dinheiro para criar a exposição e também recebeu doações de chineses e estrangeiros. Os artistas, incluindo Wang, estão contribuindo com seus trabalhos e tempo.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Lu disse ter escolhido a Longa Marcha como tema porque nenhum momento na história moderna da China foi carregado com mais simbolismo patriótico. Historicamente, os fatos são simples. Em 1934, Mao e seus seguidores deixaram suas bases rurais no sul da China quando o exército nacionalista os cercou. Durante o ano seguinte eles escalaram montanhas, cruzaram rios e planícies para chegar a Yanan, na província de Shaanxi. A jornada foi tão árdua que talvez apenas um décimo da força original de 100 mil chegou ao santuário.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Menos simples, entretanto, são as camadas de propaganda que o governo adicionou à jornada. Centenas de filmes e documentários nacionalistas foram feitos sobre a passagem, e a cada ano estudantes do país inteiro refazem partes da rota. “Tornou-se muito heróico e romântico”, afirmou Lu. “Mas as pessoas precisam encontrar suas próprias interpretações”. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Apesar de uma lenta abertura cultural, os acadêmicos chineses ainda são proibidos de lecionarem sobre muitos eventos históricos e tais testamentos públicos são raros. Ao apresentar o trabalho de arte de cerca de 250 artistas, alguns chineses e estrangeiros, incluindo a artista americana, Judy Chicago, a 20 locais – principalmente cidades ao longo da rota – Lu espera ajudar isso a acontecer. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">A exposição começou no ano passado em Ruijin, na província de Jiangxi, onde Lu e vários artistas engajaram os moradores da vila em um debate sobre a política e economia da China. O projeto havia visitado uma dezena de cidades antes de uma pausa, em setembro, para uma série de exposições, incluindo uma com estátuas de Wang em uma pequena galeria de Pequim, o Centro de Transmissão Cultural.<o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Em Zunyi, uma cidade na província de onde Mao lutou pelo controle do partido, o artista Wang Chuyu fez voluntários lerem a Constituição da China diante de um monumento aos heróis revolucionários. Outras obras examinam a relação entre a memória e o mito. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Qin Ga, um artista da Mongólia, está rastreando o progresso do projeto através de um mapa tatuado em suas costas, criando um “rastro de memória coletiva e individual”, informou o site do projeto, www.longmarchfoundation.org. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">O trabalho de Wang Wenhai, que nasceu em uma família pobre no centro da China, também lida com a memória. A despeito de testemunhar dezenas de vizinhos morrerem de fome durante o período que seguiu a coletivização forçada do governo no final dos anos 50, ele se tornou um ardente seguidor de Mao durante a Revolução Cultural. “Em 1966, eu me tornei um guarda vermelho”, contou. “Eu estudei Mao. Eu carreguei a revolução”. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Wang teve um passado proletário, e em 1970 foi enviado para Yanan para trabalhar como guia turístico em um museu. Lá, ele conheceu um artista que o ensinou escultura, e ele rapidamente aplicou a prática para glorificar Mao. Na parte de trás de muitos de seus trabalhos, ele ainda inscreve a frase “Mao é o Sol vermelho em nossos corações!”, muito usada na era da revolução. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Mas diferentemente de muitos chineses, muitos deles que sofreram sob Mao, Wang não dispensou seu fanatismo depois que Mao morreu, em 1976. “Wang ama Mao”, disse Lu, o curador. “Ele é totalmente devotado à sua arte”. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Ninguém que vê qualquer uma das mais de 1.300 estátuas de Wang questiona sua devoção, mas desde que ele começou a colaborar com o projeto, seus trabalhos se tornaram abstratos. Mao é tradicionalmente retratado em um estilo dignificado – sereno, pensativo, normalmente com um braço levantado em um gesto de benevolência. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Mas vários trabalhos recentes de Wang não trazem as características faciais de Mao ou o mostram deitado em luxo. “Isso é para que as pessoas imaginem seu próprio Mao”, afirmou. “Eles devem pensar no tipo de pessoa que Mao era”. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Lu espera levar os trabalhos e documentos de seu projeto para o exterior. Várias partes serão exibidas em uma bienal em Taipei, Taiwan, em outubro. Para exposições maiores, ele vai levar várias estátuas de Wang. <o:p></o:p></SPAN></P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">Wang está feliz com isso. Parcialmente ele quer dividir sua devoção a Mao, mas também espera encontrar um mercado para seus trabalhos, que variam em preço de centenas a milhares de dólares. Ele afirmou que precisava do dinheiro para construir a maior estátua de Mao do mundo. “Deveríamos entender Mao melhor”, completou.</SPAN>]]></Texto>

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