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 <DataGeracaoArquivo>Seg, 26 Jul 2004 09:56:56 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[A difícil realidade dos refugiados do Sudão]]></Titulo>
 <PalavrasChave><![CDATA[]]></PalavrasChave>
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 <NomeCanal>NYT - Revista</NomeCanal>
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 <NomeCredito>James Traub</NomeCredito>
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 <NomeFonte><![CDATA[The New York Times]]></NomeFonte>
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 <DescricaoFonte><![CDATA[]]></DescricaoFonte>

 <Olho><![CDATA[Há algumas semanas eu visitei os campos de refugiados no Sudão e em Chade, que servem àqueles que fugiram do massacre estadual que começou há 17 meses na região Darfur no Sudão. Essa campanha de violência geralmente é comparada ao genocídio em Ruanda, por causa de sua brutalidade e porque seu ponto alto ocorreu perto do 10º aniversário do massacre em Ruanda.]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">A comparação é imperfeita: Até agora, os números de mortes entre os sudaneses estão nos milhares ou dezenas de milhares, e o tumulto parece não ter tido como objetivo exterminar toda uma classe de vítimas. A analogia certa para o Sudão não é Ruanda e sim Kosovo. <?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /><o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">As histórias dos refugiados me lembram as histórias de expulsão que eu ouvi em Kosovo, exceto que elas eram ainda mais terríveis. Todas envolviam os janjaweed, os saqueadores árabes que o governo sudanês apoiou para conter uma rebelião em Darfur e punir membros das tribos rebeldes – como o ditador sérvio Slobodan Milosevic fez com os paramilitares para conter rebeldes e civis. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">No campo chadiano de Iridimi, uma mulher chamada Aza Jamaa Tegel me contou que a vila de Janga foi atacada em outubro passado. “Os janjaweed vieram”, disse, “e queimaram tudo na vila. Então vieram os helicópteros e lançaram bombas. Eles mataram meu irmão, meu marido e quatro dos meus seis filhos”. Aza e seus dois filhos e outros sobreviventes da vila cavalgaram em burros por 13 dias antes de chegarem à fronteira. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Por toda Darfur, as mulheres pegas pelos janjaweed foram estupradas. Agora, 1,2 milhão das 6 milhões de pessoas de Darfur moram em campos profundos ou em assentamentos improvisados. Centenas de milhares podem morrer de fome ou doenças – neste caso o número de mortes pode se aproximar do de Ruanda. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">No caso de Kosovo, a intervenção para conter o terror étnico funcionou: a campanha de bombardeio de 78 dias da Otan forçou os paramilitares de Milosevic a se retirarem. E mesmo assim nem o Conselho de Segurança nem qualquer outro corpo internacional contemplaram uma ação deste tipo no Sudão. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">No mês passado, o conselho não conseguiu aprovar uma resolução criticando o Sudão. O governo Bush queria uma, mas nem a China nem o Paquistão ou Argélia, os dois países muçulmanos servindo no Conselho de Segurança, o fizeram. Agora, a capacidade de Aza ir para casa aparentemente depende de uma série de promessas que o governo sudanês fez, há duas semanas, em um comunicado “conjunto” assinado com a ONU. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Isso certamente não é o que o secretário-geral Kofi Annan e outros dignitários quiseram dizer quando afirmaram, após o desastre de Ruanda, que os massacres não poderiam mais passar em branco. O que aconteceu? <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Parte dessa resposta é específica a essa situação em particular. Ninguém queria provocar o governo sudanês enquanto ele negociava com rebeldes cristãos para encerrar 21 anos de guerra civil. E como nós sabemos da experiência de Ruanda ou Serra Leone ou Libéria, a África não é a Europa: A opinião pública ocidental não será tocada pela dor dos sudaneses como foi pela dos cidadãos de Kosovo, e os próprios vizinhos do Sudão não têm capacidade ou vontade política de intervir por eles. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Mas isso não é tudo; a intervenção humanitária é um problema de ontem. Apesar de o governo Bush estar seriamente engajado com a situação em Darfur, ele está supremamente preocupado com o Iraque e, mais amplamente, com a guerra contra o terrorismo. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">E a verdade é que todos nós estamos. Nós simplesmente não pensamos como costumávamos pensar sobre a vulnerabilidade dos povos distantes agora que estamos consumidos pela nossa própria vulnerabilidade. E a guerra no Iraque enturvou as águas para a legitimidade da intervenção. Darfur é o primeiro caso de abuso de direitos humanos em larga-escala desde o 11/09; o que nos diz sobre o sistema de segurança coletiva não é agradável. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">É difícil imaginar agora, mas a questão de quando os Estados foram obrigados a evitar ou limitar danos catastróficos foi recentemente uma questão ardente. Entre os eventos definidores da década de 90 estão os desastres na Somália, Ruanda e nos Bálcãs. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Os grandes, se lentos, sucessos da ordem internacional foram as intervenções em Kosovo e no Timor Leste. O antigo conflito da Guerra Fria entre os falcões e as pombas foi confundido e reformado, com intervencionistas liberais de um lado e “realistas” do outro. O debate entre os dois lados foi perfeitamente capturado em uma anedota que Colin Powell e Madeleine Albright lembram em suas biografias, apesar de efeitos muito diferentes. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Depois que Powell, ainda presidente da Junta de Chefes de Estado em 1993, descreveu os perigos de enviar tropas para deter o massacre na Bósnia, Albright, então embaixadora da ONU, declarou: “Para que você está guardando esse superexército, Colin, se não podemos usá-lo?”. Powell achou que a história se tratava de negligência; Albright achou que se tratava de timidez moral. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Em 2000, George W. Bush foi cercado por realistas como Powell e Condoleezza Rice, e Al Gore por intervencionistas. Em seu segundo debate, Bush disse que na política externa ele seria aconselhado “pelos interesses dos EUA”; Gore, em contraste, disse: “Eu vejo isso como uma questão de valores”. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Eles diferiram, principalmente, por causa do uso apropriado da força. Durante a campanha, Bush deixou claro que se outra Ruanda acontecesse durante seu governo, ele não favoreceria o envio de tropas. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Os ataques de 11/09 fizeram a questão parecer acadêmica. Quem perguntaria para que serve nosso exército? Ele estava lá para defender nossos interesses nacionais. E a cruzada contra o terrorismo também parecia ter apagado a distinção entre “interesses” e “valores”, já que as guerras no Afeganistão e Iraque, independentemente de seus motivos originais, tiveram o efeito de libertar um povo da tirania. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Mas até onde levaríamos esses valores se nossos interesses não estivessem implicados? Arnold Kanter, um oficial do Departamento de Estado do primeiro governo Bush, uma vez escreveu: “Se a intervenção humanitária deve envolver interesses vitais, então o humanitarismo em si se torna irrelevante”. Isso está certo, e uma das conseqüências do 11/09 pode ser que os interesses vitais se tornaram tão fortes que o humanitarismo se tornou uma luxúria fora dos limites. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Julgando pelo quase silêncio mundial em relação a Darfur, este impulso de auto-proteção pode se estender para além das fronteiras dos EUA. Ou talvez o esforço do governo Bush para refazer a imensamente impopular guerra no Iraque como uma cruzada para libertar um povo tenha fadado o principio básico da intervenção humanitária. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">O acordo que Annan fez com o presidente Omar Hassan Ahmed al-Bashir compromete os sudaneses ao “desarmamento imediato” dos janjaweed, desdobra uma “força policial forte, crível e respeitada” nas áreas de refugiados e “acaba com a impunidade”, entre outras coisas. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial">Quando Milosevic se recusou a fazer promessas similares na conferência de Rambouillet, no início de 1999, ele foi bombardeado pela submissão. Al-Bashir tem toda razão em acreditar que não enfrenta ameaça similar. <o:p></o:p></SPAN></P>
<P><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana; mso-bidi-font-family: Arial"><EM>(James Traub é contribuinte da revista do New York Times).</EM> </SPAN></P>]]></Texto>

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