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 <Olho><![CDATA[Ele perdeu as duas pernas, mas hoje corre "nas nuvens"]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[Por Gustavo Miller<br><br>São Paulo, 06 (AE) - Há seis anos, Paulo Eduardo Agaard era um típico rapaz de 18 anos: não sabia que carreira prestar para o vestibular, adorava pegar onda com os amigos e sair para a balada. Mas de repente tudo mudou. Foi atropelado por uma locomotiva e perdeu as pernas, dos joelhos para baixo. Hoje, Pauê é campeão mundial de triatlo (modalidade que inclui em uma única prova natação, ciclismo e corrida) na categoria amputado bilateral e, através da internet e de palestras, estimula outras pessoas amputadas a superar limites por meio da prática regular de esportes.<br><br>"Não foi à toa que tudo isso aconteceu comigo. Hoje vejo minha vida como uma grande missão", diz. Segundo Pauê, o acidente aconteceu quando ele ia de sua casa, em São Vicente (litoral paulista), para a aula de natação e foi atropelado por um trem que trafegava à noite, sem faróis ligados, em uma linha férrea desativada.<br><br>Foram 58 dias no hospital. Bastou receber alta para Pauê decidir que não seria uma pessoa limitada a uma cadeira de rodas: seu desejo inicial era voltar a surfar. Todo um trabalho de reestruturação muscular foi feito para ele ter força e resistência para se equilibrar na prancha somente com os cotós.<br><br>Como também queria mobilidade, a tecnologia entrou em campo. Várias próteses foram testadas até ele achar aquela que melhor se adaptasse ao seu caso. <br>"Acertar a tecnologia que melhor me servisse demorou um pouquinho", diz. "No final, tive uma adaptação tão boa às próteses que elas me deram independência e motivação para buscar novos desafios."<br><br>Entre esses desafios surgiu o triatlo. Em 2002, já com as suas "pernas atuais" e conseguindo surfar com elas, Pauê arriscou a modalidade. O resultado final foi que logo em seu primeiro ano de disputa sagrou-se campeão mundial.<br><br>Porém, uma coisa ainda o incomodava: correr. Com as suas próteses convencionais, ele não era muito veloz e ainda se machucava todo, devido ao esforço que fazia. Há um ano ele realizou um sonho, ganhando próteses especiais de corrida, avaliadas em R$ 6 mil. Essas "outras pernas" pra lá de caras têm, ao invés de pés, dois arcos em forma de gancho. A cada pisada elas dobram e o impulsionam para a frente, como molas. <br><br>"Com elas eu consigo correr com facilidade e sem dor. Foi uma tecnologia que proporcionou fazer algo que eu já fazia antes do acidente, mas de maneira diferente e simples", diz.<br><br>Com essas pernas de carbono para correr, Pauê parece um andróide e não consegue ficar parado com elas (ele dá uns saltinhos para manter-se em pé, senão cai). "Eu não sinto o chão, mas eu acho que é mais ou menos como andar nas nuvens." <br><br>Nas provas de triatlo, além de ter que revezar de modalidade esportiva, Pauê também troca de próteses. A etapa de natação ele faz sem prótese alguma, porque o sal marinho a corrói. Na parte de pedalar, usa suas "pernas convencionais", trocando-as depois pelas de corrida.<br><br>Trabalhoso? Nem um pouco. Durante a conversa que teve com a reportagem, no Parque da Aclimação, região central da capital paulista, revelou que entre seus projetos para 2006 está disputar o Ironman, prova que acontece todo ano no Havaí e inclui quatro quilômetros de natação, 180 de ciclismo e 12 de corrida.<br><br>Durante a entrevista, ele não parecia se importar com as pessoas olhando com curiosidade para suas pernas robóticas. Isso se explica porque Pauê não vê apenas a sua vida cada vez mais robotizada daqui para a frente, mas a de (quase) todo mundo. "As pessoas acham que só eu uso tecnologia para andar. Mas hoje já não existem tênis com chips que modelam o calçado conforme a pisada?"<br><br>Essa visão antenada que Pauê tem da tecnologia vem muito da internet. Sempre por dentro de novas pesquisas sobre próteses ou usando a web como instrumento de divulgação do esporte modificado, Pauê diz que todo dia alguém o procura para falar de seus problemas ou trocar experiências.<br><br>"Meu Orkut está lotado, de tanta gente que me adiciona" brinca. "Notei que a minha história sensibiliza e incentiva às pessoas a buscar mudanças e a descobrir o potencial dentro delas." <br><br>Quando não está treinando ou estudando (cursa o penúltimo ano de Fisioterapia), Pauê dá palestras. Uma cena muito legal exibida em suas apresentações é um vídeo dele na São Silvestre, incentivando um senhor de idade a prosseguir na prova. "Se eu consigo você também consegue", fala no telão.<br><br><br>RETRANCA<br><br>VICIADO NA WEB, PAUÊ TEM FOTOLOG E PÁGINA NO YOU TUBE <br><br>Pauê é um viciado confesso em internet. Um de seus passatempos prediletos quando está de folga é passar horas se divertindo com o MSN Messenger, Skype e Orkut. Nesse último, aliás, Pauê é quase uma celebridade, com seis comunidades feitas em sua homenagem. Além disso, ele tem quase mil amigos e recebe diariamente vários convites para ser "friend" de alguém.<br><br>É pela web que Pauê também pesquisa muito sobre novidades para esportes praticados por pessoas com deficiência e novas próteses. Ele contribui com uma coluna no site Waves, do Terra (waves.terra.com.br/paradical), onde fala sobre surfe para paraatletas.<br><br>A sua página pessoal www.paue.com.br é muito bem feitinha, e nela há um pouco de sua trajetória, fotos, projetos e um pouco da história do esporte adaptado no Brasil. "Tenho o intuito de torná-lo um portal, um meio informativo onde as pessoas que queiram saber sobre paraatletas possam se encontrar", diz.<br><br>Ele também tem um fotolog (www.fotolog.net/paue), que foi uma ótima ferramenta para fazer novos amigos. No You Tube, a sua página www.youtube.com/profile?user=paue82/ traz seus vídeos prediletos.<br>  ]]></Texto>

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