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 <Olho><![CDATA[O profeta da era das máquinas espirituais]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[Por Ricardo Anderáos<br>ATENÇÃO, SR. EDITOR: A REDAÇÃO PREPAROU UM INFOGRÁFICO PARA ACOMPANHAR ESTA REPORTAGEM<br>________________________________________________________________________________<br><br>"Dentro de um quarto de século, a inteligência não-biológica vai igualar o alcance e a sutileza da inteligência humana", afirma Ray Kurzweil. A previsão se baseia no aumento da força bruta dos computadores - a capacidade de realizar milhares de operações por segundo - e em técnicas que permitem copiar os processos elétricos e bioquímicos do cérebro humano.<br><br>"Precisamos de 1016 cálculos por segundo para equiparar a capacidade de processamento do cérebro. Supercomputadores atuais realizam 1014 cálculos por segundo. Projetos de supercomputadores japoneses prometem 1016 no final desta década. Até o ano de 2020, máquinas como essas serão vendidas por cerca de US$ 1 mil", diz.<br><br>Segundo a teoria proposta em 1965 por Gordon Moore, fundador da Intel, a capacidade dos microprocessadores deveria dobrar a cada 24 meses. Essa "Lei de Moore" não apenas se cumpriu desde então, como vem sendo superada pela efetiva miniaturização dos processadores, que dobram sua capacidade entre 12 e 18 meses.<br><br>No ano passado o próprio Moore declarou que, em alguns anos, alcançaremos um limite na miniaturização, com circuitos de espessura tão fina quanto um único átomo. Entretanto, Kurzweil aposta que tecnologias emergentes - que vão da holografia à computação quântica - manterão o ritmo atual pelas próximas décadas.<br><br>Mas isso não quer dizer que teremos máquinas tão inteligentes quanto um homem em 2020. "O software da inteligência humana vai demorar mais uns dez anos para chegar", diz Kurzweil. A maneira para desenvolvê-lo seria a técnica conhecida como escaneamento não-invasivo do cérebro.<br><br>"A resolução espacial e temporal do escaneamento do cérebro também está dobrando a cada ano. Essas ferramentas já permitem ver conexões individuais entre neurônios disparando em tempo real. Já temos modelos matemáticos e simulações de várias regiões do cérebro, incluindo o cerebelo, que concentra mais da metade dos neurônios. A IBM está desenvolvendo uma simulação de cerca de 10 mil neurônios do córtex cerebral, incluindo dezenas de milhões de sinapses nervosas. Sua primeira versão vai simular apenas a atividade elétrica, mas as <br>seguintes vão incluir também a atividade bioquímica", revela Kurzweil.<br><br>Por tudo isso, ele afirma que, por volta de 2029, o primeiro computador vai passar pelo teste de Turing - clássica proposta para verificar a capacidade de uma máquina de manter uma conversação indistingüível da realizada por um ser humano.<br><br>O teste, proposto em 1950 pelo professor inglês Alan Turing, pai da computação moderna, é considerado como a prova dos nove da inteligência artificial. Lembra-se da primeira cena do filme Blade Runner, o Caçador de Andróides, na qual um policial faz uma série de perguntas para um operário, até que esse se revela um andróide e acaba dando um tiro no investigador? <br>Essa é uma boa tradução do teste no qual, segundo Kurzweil, um ser artificial conseguirá passar no início da terceira década deste século.<br><br>"O impacto será profundo porque então poderemos combinar capacidades sutis da inteligência humana, como nossa habilidade de reconhecer padrões, com a habilidade das máquinas para fazer o download de conhecimentos e trocar essas informações à velocidade da luz", diz.<br><br>Como se o quadro que pinta para o futuro já não fosse carregado o suficiente, Kurzweil ainda afirma que, nessa época, os computadores não serão objetos como os que conhecemos hoje. <br>"Haverá uma rede invisível de computadores profundamente integrados no ambiente, em nossos corpos e dentro de nosso próprio cérebro". Em resumo, será difícil saber onde acabam os seres humanos e começam as máquinas.<br><br>O capítulo final de suas especulações dá título ao seu mais recente livro, "The Simgularity is Near: When Humans Transcend Biology", de 2005. Inspirada no ponto de massa infinita que, segundo os físicos, explodiu dando origem ao universo conhecido, essa "Singularidade" é um ponto além do qual nem o próprio Kurzweil se arrisca a fazer previsões.<br><br>"Quando a inteligência não biológica tiver acesso ao seu próprio design poderá aperfeiçoar a si mesma num ciclo de redesenho cada vez mais rápido. Chegaremos a um ponto no qual o progresso tecnológico será tão rápido que os humanos sem chips implantados não serão capazes de acompanhar. Isso vai marcar a Singularidade", afirma o autor.<br><br>Os modelos matemáticos de Kurzweil indicam que esse umbral será ultrapassado por volta de 2045. Preocupado em criar os parâmetros éticos para que essa explosão de inteligência artificial não destrua nossa espécie, ele faz parte do conselho do Singularity Institute, organização dedicada a desenvolver uma inteligência artificial segura e amigável. Sua página pode ser acessada no endereço www.singinst.org.<br><br><br>RETRANCA<br><br>"MEDICINA DA IMORTALIDADE" É LANÇADO NO BRASIL<br><br>O primeiro livro de Ray Kurzweil traduzido para o português é "A Medicina da Imortalidade", de 2004, que acaba de sair pela Editora Aleph (R$ 69). O subtítulo resume bem o conteúdo da obra: "As dietas, os programas e as inovações tecnológicas que prometem revolucionar nosso processo de envelhecimento".<br><br>Para quem conhece o autor, pode parecer estranho a editora brasileira ter preferido essa obra a outras que causaram grande impacto nos EUA, como "The Age of Inteligent Machines" - prêmio de melhor livro de ciência da computação em 1990 - ou o best-seller "The Age of Spiritual Machines", de 1999 - que a Aleph promete lançar por aqui em março do ano que vem.<br><br>A estratégia editorial é compreensível. Um título que pode ser colocado nas prateleiras de nutrição, saúde e auto-ajuda promete tiragens mais expressivas no País do que obras sobre inteligência artificial.<br><br>Entretanto, a marca do pensamento agressivamente futurista do autor está presente desde a primeira página e pode até assustar alguns leitores que freqüentam normalmente essas seções nas livrarias. Escrito em parceria com o médico Terry Grossman, fundador de uma das mais conhecidas clínicas de longevidade dos EUA, o livro faz promessas ousadas.<br><br>Os autores pretendem conduzir os leitores por três pontes que podem levar a nada mais nada menos do que a vida eterna. "Este livro pretende servir de guia para viver o bastante, com boa saúde e bom humor - ponte um -, para tirar vantagem do desenvolvimento da revolução biotecnológica - ponte dois. Isso, por sua vez, levará à revolução da nanotecnologia e da inteligência artificial - ponte três -, que tem o potencial de nos permitir viver eternamente".<br><br>Exageros à parte, o livro é bem interessante para quem pretende desenvolver maior consciência sobre a própria alimentação. Há uma enorme quantidade de informação, embasada nas mais recentes pesquisas sobre o assunto.<br><br>Diagnosticado com diabete tipo 2 aos 35 anos, Ray Kurzweil sofreu durante anos com tratamentos médicos convencionais. Hoje, aos 58, segue a rígida dieta prescrita no livro, que inclui a ingestão de dez copos de água com PH alcalino por dia.<br>  ]]></Texto>

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