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 <Titulo><![CDATA[‘O que entra na web fica para sempre’]]></Titulo>
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 <Olho><![CDATA[‘O que entra na web fica para sempre’]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[Por Maurício Moraes e silva<br>Executivo alerta que informações pessoais e até fotos colocadas por usuários na rede dificilmente serão deletadas<br><br>Se você digitar "John Markus Lervik" em buscadores como o Google ou o Yahoo, encontrará dezenas de referências sobre o seu trabalho como presidente da empresa norueguesa Fast Search & Transfer, especializada em ferramentas de busca para o mercado corporativo. Apenas isso. Não vão aparecer informações pessoais sobre o executivo, nem mesmo em norueguês. Lervik toma um cuidado especial com o que põe na rede, porque, segundo ele, o que cai na web corre o risco de não desaparecer jamais.<br><br>O executivo, de 37 anos, que veio ao Brasil no mês passado, fica impressionado com a quantidade de dados que as pessoas divulgam na internet. "Se você olhar o MySpace (uma comunidade virtual), muitos jovens colocam um monte de informações e fotos sem pensar muito que essas coisas nunca vão desaparecer", ressalta. "Se você imprime uma foto sua, pode queimá-la e destruí-la para sempre. Mas se ela está na internet, alguém pode fazer uma cópia e a imagem não vai sumir nunca".<br><br>Não é só isso. Várias empresas costumam armazenar cópias de milhões de home pages nos seus computadores. Claro que muitos dados - ainda que pessoais - não oferecem nenhum tipo de perigo, mas outros podem trazer complicações. Uma foto sua pode ser resgatada e usada em uma montagem feita por sua ex-namorada ou por seu ex-namorado, por exemplo, com a intenção de se vingar. E imagens e vídeos dos seus filhos podem parar nas mãos de um pedófilo - mesmo que você tome o cuidado de apagar tudo da rede, alguém pode ter gravado antes. "Aprender a lidar com a internet será um desafio para nós pelos próximos 30 anos", acredita.<br><br>Lervik conta uma história real para mostrar como algumas informações disponíveis online podem render problemas tempos depois. "Há alguns anos eu tinha de entrevistar uma pessoa para uma vaga de emprego", lembra. O executivo então entrou em um buscador e digitou o nome completo do candidato. Encontrou uma referência no mínimo inusitada. "Um site dizia que essa pessoa tinha visitado um satanista em São Francisco e pagou US$ 30 para que cortassem a cabeça de um cordeiro - ou algo parecido. Ela ficou chocada quando mencionei o fato."<br>Essa enorme quantidade de dados sobre milhões de pessoas, no entanto, também pode ser usada para o bem. <br><br>A empresa de Lervik criou ferramentas capazes de buscar conteúdos ilícitos e indícios de atividades criminosas em uma quantidade inimaginável de páginas da internet. O uso desses buscadores está restrito a policiais e agentes do serviço secreto de vários países, que ele não pode identificar por motivos óbvios.<br><br>Como procurar bandidos virtuais digitando palavras-chave está mais para encontrar uma agulha em um palheiro, os mecanismos desenvolvidos pela Fast vasculham a web automaticamente e disparam alertas sempre que identificam alguma atividade suspeita. "Isso inclui pessoas vendendo carros roubados, terroristas que usam a rede para trocar informações e pedófilos", diz. <br><br>Dá até para tentar resgatar informações ou arquivos pessoais em poder de criminosos, mas, nesses casos, nada garante que outros bandidos já tenham copiado tudo. Por isso, é melhor prevenir.<br><br>Tomar cuidado não significa ter de se afastar totalmente da rede. Para Lervik, a possibilidade de usar a internet para encontrar pessoas com os mesmos interesses deve ser cultivada. "Deve haver umas 50 pessoas interessadas em flyfishing no Brasil (modalidade de pesca que usa iscas artificiais em forma de moscas)", pondera. "Se esses especialistas trocarem informações entre si, haverá mais dados na web sobre tópicos especializados. O conteúdo gerado por usuários é muito bom também em resenhas, como avaliações de hotéis, produtos e restaurantes. Isso nos ajuda, como consumidores, a tomar decisões melhores."<br><br>O executivo não encara apenas a internet com essa visão pragmática. Sua vida digital também está pautada por essa concepção. "Eu não sou o tipo de pessoa que você verá usando muitos aparelhos eletrônicos", confessa. "Sou bastante prático em relação ao que eu preciso." Por isso, ele usa um notebook e um celular para estar disponível sempre que viaja.<br>Em casa, Lervik conta com tecnologia capaz de tornar sua música disponível em qualquer um dos cômodos. A Fast, aliás, está desenvolvendo um mecanismo que permitirá a qualquer pessoa acessar todas as suas canções com qualquer aparelho eletrônico (PC, celular, TV), de qualquer lugar. Bastará uma conexão de banda larga.<br><br>Quer detalhes? Só quando a idéia estiver madura. Coisas de um norueguês incrivelmente reservado. <br><br><br>BOXE<br><br>LERVIK AFIRMA QUE BUSCA PELA WEB ESTÁ NA ‘INFÂNCIA’<br><br>Se você acredita que o futuro das buscas pela internet continuará a se resumir a pesquisas em ferramentas como o Google, está enganado. Especialista na área, o executivo John Markus Lervik prevê grandes mudanças nesse campo nos próximos anos. Segundo ele, os sites desse tipo ainda estão na "infância" porque dão conta de uma parte muito reduzida da rede.<br><br>De acordo com o executivo, as pessoas cada vez mais querem fazer consultas sobre a região onde vivem - um tipo de informação difícil de achar em grandes portais, voltados para conteúdo mais geral. Por isso, Lervik acredita que sites especializados em trazer informações sobre "aquela loja da esquina do seu quarteirão" serão a nova tendência para os próximos anos. "Isso está crescendo muito rápido", avalia.<br><br>Não por acaso, a Fast está de olho nesse mercado - sem deixar de lado seu carro-chefe, as ferramentas desenvolvidas para atender às necessidades de seus clientes corporativos. Entre as empresas que contam com seus serviços atualmente estão Getty Images, ESPN, Deutsche Telecom, The Washington Post, OESP Mídia e UOL. Para Lervik, adotar mecanismos de busca dentro das companhias garante maior eficiência. "Muitas pessoas dizem que existe excesso de informação, mas, em muitos casos, é o contrário. Você não tem acesso a todos os dados relevantes para tomar a decisão certa."<br><br>BOXE<br><br>DO BOOM DAS ‘PONTOCOM’ ATÉ TEMPOS MAIS CALMOS<br><br>No fim da década de 90, a Fast Search & Transfer tinha um buscador de sites, o Alltheweb.com. A ferramenta nasceu praticamente ao mesmo tempo que o Google e chegou a ser bastante popular. Na época, não faltavam investimentos para quem quisesse inovar na rede. De uma hora para outra, contudo, a fonte secou e as empresas de internet - as ‘pontocom’ - tiveram de se virar sem aquele enorme volume de recursos antes disponível.<br><br>A enxurrada acabou levando também o Alltheweb, que perdeu a corrida dos buscadores e acabou sendo vendido para outra empresa, a Overture, adquirida depois pelo Yahoo. "Nós éramos ótimos técnicos, mas provavelmente não tínhamos o conhecimento e a competência para construir marcas para consumidores e fazer um portal como o Google", explica o presidente da empresa, John Markus Lervik.<br><br>Daí a decisão em direcionar os serviços da Fast para o mercado corporativo. Segundo Lervik, o objetivo do Alltheweb era muito mais servir como vitrine. "Queríamos provar para os nossos clientes, que eram outros portais, que podíamos fazer um mecanismo de busca."<br><br>  ]]></Texto>

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