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 <Olho><![CDATA[O futuro do astronauta brasileiro]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[Por Bruno Sayeg Garattoni<br>Piloto vai virar uma espécie de diplomata espacial, defendendo o Brasil na Nasa; sonho dele seria ir a Marte<br><br>O piloto Marcos Pontes se tornou, em março deste ano, o primeiro brasileiro a ir ao espaço: como tripulante da espaçonave russa Soyuz, viu a Terra de longe e viajou até a Estação Espacial Internacional, que fica permanentemente em órbita.<br><br>Agora ele vai trabalhar nos Estados Unidos, como uma espécie de "diplomata espacial" do Brasil, para convencer a Nasa (agência espacial norte-americana) a abrir mais espaço para a colaboração do País na Estação Espacial Internacional. <br><br>Isso porque o Brasil, um dos 16 países que participam da Estação, está muito atrasado: "Nós nunca fabricamos nem sequer um ‘parafuso espacial’ para essa cooperação", diz o astronauta. E, no começo do ano, a Nasa ameaçou tirar o País do projeto - isso perturbou bastante o astronauta, que se preparava, na Rússia, para a missão.<br><br>"Passei os últimos dias de cabeça quente, tentando resolver a situação a distância e ganhar tempo para o País. Virou um desafio pessoal", conta.<br><br>Aparentemente, começou a dar certo. O Brasil vai continuar na Estação Espacial, agora fazendo peças mais simples, cuja fabricação Pontes está acertando com o SENAI (Serviço Nacional da Indústria).<br><br>O PASSADO E O FUTURO<br>Marcos Pontes se tornou o primeiro astronauta brasileiro porque, além de experiente piloto de aviões de caça (já voou em mais de 20, inclusive os famosos F-15 e MiG-29, que considera seus preferidos), ele também é formado em engenharia pelo Instituto Tecnológico da Aeronáutica, o ITA.<br><br>Foi por isso que, em 1996, ele foi escolhido pela Aeronáutica para fazer mestrado nos Estados Unidos - o que levou, pouco tempo depois, à sua seleção para a Agência Espacial Brasileira.<br><br>Com tanta dedicação, Pontes não gostou, claro, quando a imprensa disse que ele iria "se aposentar". "A reserva da Força Aérea não é sinônimo de afastamento do Programa Espacial", escreveu em seu site (www.marcospontes.net), no qual também mostra uma coleção de poesias e pinturas.<br><br>"Eu gostaria de voar de novo, claro, mas para os próximos anos não há nenhuma missão programada para astronautas brasileiros" - e explica que, se a chance surgir, deve deixar a oportunidade para outra pessoa, que seja mais jovem.<br><br>Se o astronauta pudesse voltar a voar, iria a Marte. "Numa missão de longa duração, faria mais sentido mandar alguém mais velho." Isso porque, nos mais de 500 dias que uma espaçonave levaria para chegar ao planeta vermelho, os tripulantes absorveriam muita radiação, o que pode causar problemas de saúde. "Falando assim parece meio fúnebre, mas se você pensar logicamente..."<br><br>Mas dá para agüentar um ano e meio confinado numa nave espacial? "Tudo depende da personalidade das outras pessoas. É como ficar (trancado) com a sua mulher." E dá para ficar 500 dias confinado com ela? "Dá sim", ri Pontes, que é casado há 21 anos.<br><br>COMPUTADOR DE BORDO <br>O astronauta acredita em viagens controladas inteiramente pelo computador. "Com o avanço da inteligência artificial, vão acontecer sim. Inclusive com os glitches", ri. <br><br>Ele se refere aos erros digitais - como o cometido pelo supercomputador fictício HAL9000, que, no filme 2001, resolve matar a tripulação.<br><br><br>BOXE 1/PACESHIPONE PODE INAUGURAR O TURISMO NO ESPAÇO<br><br>As viagens turísticas ao espaço vão rolar? Segundo Pontes, sim, e 2015 é "uma data plausível" para o início dos serviços comerciais. Duas tecnologias competem pelo novo mercado - o elevador espacial, que subiria por um cabo preso à Lua, e as naves espaciais propriamente ditas.<br>"Não vai ser o elevador", opina o astronauta. Ele conheceu por dentro a SpaceShipOne, espaçonave criada para vôos civis. Ao olhar o bicho (www.scaled.com/projects/tierone/), você se surpreenderá: ele é tão modesto que chega a parecer, na opinião de algumas pessoas, um teco-teco. <br>Mas a grande jogada é que a SpaceShipOne não levanta vôo sozinha. Ela é levada por um avião maior, o White Knight, até a altura de 15 km. Aí, já no ar, se solta e vai, com seu próprio motor, até 100 km - altura em que começa o espaço sideral. <br>A vantagem disso é que a SpaceShipOne se vira com um motor bem menor, e não precisa levar tanto combustível. "Ela é simples, mas o projeto é muito inteligente", aprova Pontes. <br>Já na Terra, para quem só quer viajar de avião de um lado para outro, uma decepção. Segundo o astronauta, é pouco provável que a aviação civil volte a ter, num futuro próximo, aviões supersônicos capazes de viajar a mais de 2.000 mm/h, como o Concorde, aposentado em 2003 por questões de segurança. <br>"As empresas estão investindo em aviões de grande capacidade, como esse Airbus" - referência ao monstruoso A380, que começa a voar este ano e promete acomodar nada menos que 850 passageiros (mais que o dobro do Boeing 747 atual). (B.S.G.) <br><br><br>BOXE 2/SIGA A AVENTURA PELA INTERNET<br><br>Enquanto o turismo espacial não chega, você pode acompanhar a aventura da Atlantis, cujo lançamento estava previsto para ontem, direto no seu PC. <br>A grande pedida é acessar o site da Nasa (www.nasa.gov), que promete muito - além de vídeos direto da nave, terá dois blogs, que vão narrar ao vivo o que está acontecendo no centro de controle da missão, na Flórida. A Nasa promete colocar em seu site, inclusive, um podcast com as músicas que serão tocadas na Atlantis, para despertar os astronautas (procure no site o item "wake-up calls"). <br>Quer brincar de explorar o Sistema Solar? Instale no seu micro o programa Celestia (www.shatters.net/celestia), que é grátis e muito realista: ele cria um mundo virtual com todos os planetas e mais de 100 mil estrelas, em que você pode passear à vontade. <br>Dá para ir além, instalando complementos (www.celestiamotherlode.net) que adicionam ao Celestia naves fictícias, como as dos filmes 2001 e Guerra nas Estrelas. <br>O Celestia realmente impressiona: ao contrário do programa Google Earth, que mapeia a Terra, ele tem gráficos tridimensionais. Mas o Google não deixa por menos. No site www.google.com/mars, você pode sobrevoar a superfície de Marte, com atalhos para os "pontos turísticos" mais relevantes. E o Google colabora, também, com um vídeo eletrizante: em tinyurl.com/qqayu, você assiste a um depoimento em que o astronauta Buzz Aldrin revela ter visto, em sua ida à Lua, um Ovni. <br>Falando nisso, experimente o jogo Lunar Lander Simulator (www.spacedev.com/images/video/SpaceDevDemoSetup.exe), cujo objetivo é pousar uma nave espacial na Lua. <br>Ele é simplório, mas chega a encantar: nos estágios finais do pouso, você enxerga no horizonte uma coisa bem familiar - é a Terra, reproduzida em 3D e bela como nunca. (B.S.G.) <br><br>  ]]></Texto>

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