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 <Olho><![CDATA[A pegadinha rola solta com bluetooth]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[Por Gustavo Miller<br><br>Imagine a seguinte situação: você está almoçando tranqüilamente no shopping e o seu celular apita. Não, não é uma ligação ou mensagem SMS, mas um pedido de autorização para alguém fazer uma sincronização de Bluetooth para Bluetooth com o seu aparelho.<br>Movido pela curiosidade, você aceita a transferência e vê no que dá. Uma mensagem escrita "Estou atrás de você" pipoca em seu visor, logo acompanhada de uma foto do mesmo local onde você come o seu almoço.<br>Assustador, não? Parece até cena de um filme de suspense. Esse tipo de situação é umas das preferidas pelos bluejackers brasileiros: as pegadinhas.<br>"Sempre gostei de zoar as pessoas, como tocar a campainha e sair correndo. Por isso comecei a fazer o Bluejacking", diz Pedro Inrowllings (apelido usado no mundo virtual), de 18 anos.<br>Sempre que sai para jantar fora, Pedro observa nas outras mesas alguém que tenha um celular moderno e com a tecnologia sem fio. Quando acha, logo põe o Easy Jack para rodar e rastrear o alvo observado. Ele costuma enviar mensagens que descrevam as reações das pessoas, para assustar mesmo.<br>O Easy Jack é um software em Java que nada mais é que um facilitador para o Bluejacking: ao achar um aparelho com Bluetooth para o pareamento, ele já traz incluída a opção de mandar uma mensagem de texto. Outra opção disponível é um recurso que "avisa" quando outro dispositivo sem fio por perto é encontrado.<br>"O legal é fazer pegadinhas, como escrever que o McDonald's está dando sundae de graça em uma praça de alimentação. Mas pegar pesado não dá", explica Mauricio Carvalho, programador de Belo Horizonte (MG).<br>Seu conterrâneo Alessandro Silva é um pouco mais sacana e costuma patrulhar as pessoas que não desligam o celular no cinema.<br>"Você fica impressionado com o número de gente que deixa o Bluetooth ligado no meio da sessão de um filme", comenta o mineiro de 19 anos.<br>Ele também aproveita o Bluejacking para, junto de seus amigos, colar nas provas de engenharia. "Posso passar uma mensagem para várias pessoas rapidamente e não pagar nada", diz. <br>Para não dar na cara do professor, alguém que termina a prova antes passa as respostas do lado de fora da sala de aula - a menos de 10 metros, lógico.<br>Algo que já aconteceu com todos os praticantes é, às vezes, errar o alvo e enviar a mensagem para a pessoa errada. Por isso, os bluejackers advertem: fazer Bluejacking a esmo é fria.<br>Se a idéia é dar uma cantada, é recomendável que aparelho com Bluetooth rastreado esteja identificado pelo nome da pessoa. Se apenas aparecer no visor do telefone o modelo do celular capturado ou algum apelido, evite o torpedo.<br>"A maioria das pessoas não coloca o seu nome verdadeiro no celular, por isso paquerar pode ser uma roubada. Além de ficar muito próximo do alvo, o risco de levar um tapa na cara aumenta", brinca Alessandro.<br>Sem seguir a "cartilha", o curitibano Vinícius Gonçalves, de 22 anos, pagou um mico daqueles na faculdade. <br>Era último dia de aula do semestre, a professora já tinha entregado a sua nota e ainda faltava um grupo para a apresentação do trabalho final. <br>Não vendo a hora de entrar em férias, Vinicius ligou o radar do Easy Jack e detectou o modelo de um celular com o Bluetooth ligado na sala. "Que saco esse seminário que não acaba nunca!", manifestou por escrito. <br>A mensagem foi enviada para um dos apresentadores que, logo em seguida, esbravejou atrás do autor da piada. <br>"Tá louco! Eu respondi que nem sabia o que era Bluetooth", ri Vinícius, que na hora morreu de medo de levar uma surra.<br><br><br>BOXE 1/AINDA FALTA CONHECIMENTO AO USUÁRIO COMUM<br><br>Tanto para os bluejackers como para os gerentes de produtos da Samsung, Sony Ericsson, Motorola e Nokia, a falta de conhecimento do usuário para utilizar o sistema Bluetooth explica o porquê do Bluejacking.<br>Para o psicólogo Erick Itakura, pesquisador do Núcleo de Psicologia e Informática da PUC-SP, a ingenuidade do consumidor, aliada à sua curiosidade, é a grande responsável pela facilidade que é fazer Bluejacking no País.<br>Segundo ele, o fato de grande parte das pessoas não levar em conta a recomendação dos fabricantes para não deixar o Bluetooth ligado o tempo todo é algo natural do ser humano do século 21.<br>"A tecnologia facilita muito a nossa vida, e as pessoas desaprendem. Além do mais, o brasileiro é muito curioso e voyeur e quer saber quem é que está querendo falar com ele", explica.<br>O Bluejacker, ao contrário do receptor, não é nada ingênuo e possui um conhecimento diferenciado sobre tecnologia. Ele é antenado sobre as últimas novidades do mercado de celulares e conhece muito bem o sistema sem fio. <br>Uma curiosidade é que eles preferem o anonimato muitas vezes e não se identificam pelos seus nomes reais, apenas pelo modelo do celular ou por nomes virtuais, os avatares. "É uma forma com que eles se sentem seguros", comenta o psicólogo.<br>Talvez seja essa a explicação para ser tão difícil alguém responder ao torpedo anônimo. Como o receptor vê na tela de seu aparelho apenas o pedido de autorização para a conexão e um avatar, nessas horas o medo fala mais alto e o celular é desligado. G.M<br><br><br>BOXE 2/SOFTWARE É CUPIDO SEM FIO<br><br>Enquanto os brasileiros ainda quebram a cara para conhecer novas pessoas via Bluetooth sem a ajuda de ninguém, lá fora já existem programas que funcionam como uma espécie de cupido entre celulares com o dispositivo sem fio.<br>O Mobiluck (www.mobiluck.com) é um software para o celular que permite cadastrar suas informações individuais e colocar o perfil do tipo de pretendente desejado para se relacionar: características físicas, gostos pessoais, etc.<br>Com o Bluetooth ligado, ele avisa quando encontra alguém em um raio de 10 metros que também tenha feito o cadastro no programa. Depois, ele cruza as informações entre os aparelhos para fazer o Bluedating (encontro pelo celular).<br>O software estabelece automaticamente uma conexão entre os celulares. A conversa pode ser feita como Bluejacking ou pessoalmente mesmo, já que os flechados pelo Mobiluck estão muito próximos um do outro.<br>Os ingleses, por sua vez, resolveram pular logo a fase de paquerar e já querem ir direto para o que interessa. É o Toothing, que lá na terra da rainha é uma maneira de agendar encontros sexuais via Bluetooth.<br>Não entendeu? Funciona assim: os toothers são pessoas à procura de sexo com um desconhecido. Ao rastrear um aparelho com a tecnologia sem fio, em vez de dar uma cantada elaborada ele envia uma mensagem simples e direta: "Toothing?"<br>É um tipo de senha entre os toothers. Se o receptor responder, indica que ele sabe do que se trata e está interessado na aventura. Com uma rápida troca de mensagens, combina-se o local de encontro apropriado.<br>O Toothing é feito em ambientes fechados e transportes públicos.<br>Há na internet diversos sites sobre Bluejacking. O mais famoso e completo é o www.bluejackq.com. Nele há até votação para os leitores elegerem a melhor história de Bluejacking do mês. Já no www.bluejackaddicts.com, o destaque é o seu podcast.<br>O Bluesnarfing é mais presente no exterior e nem as celebridades estão salvas. Na premiação do Oscar do ano passado, pesquisadores da Flexilis, empresa de segurança digital em Los Angeles (EUA), fizeram um teste com aqueles que passaram pelo tapete vermelho.<br>Há cerca de 10 metros de distância do local, alguém da empresa instalou um notebook com uma antena Bluetooth, carregado com um programa que vasculhava celulares cujos dados pudessem ser jogados na internet.<br>O resultado: de 50 a 100 artistas tinham aparelhos vulneráveis a um ataque Bluesnarfing. E pensar que ainda tem gente que acha que segurança é ter um guarda-costas por perto... (G.M)<br><br><br>BOXE 3/BLUEJACKING JÁ VIROU SPAM<br><br>Se não bastassem as piadinhas, ameaças e cantadas, o Bluetooth também pode ser usado para enviar o tipo de mensagem mais chata de todas: o Spam (mensagem não solicitada).<br>O Bluespam segue a mesma batuta do Bluejacking. A diferença é que ele também pode chegar como arquivo de áudio e vídeo, ou GIFs animados (originalmente, o Bluejacking serve só para mensagens de texto).<br>Dono de um site de eventos que cobre baladas, o mineiro Guilherme Sette foi procurado para promover um celular GSM lançado por uma empresa telefônica. A proposta era divulgar o produto em festas fechadas para um público cheio da grana de um jeito diferente.<br>Cansado da velha abordagem pessoal, o empresário teve a sacada de fazer o Bluejacking publicitário. Já dentro do evento, a sua equipe foi munida de vários celulares para enviar gifs animados do produto via Bluetooth para os convidados.<br>"Deu supercerto: de 100 convidados rastreados, conseguimos enviar a publicidade para 40% deles", comenta.<br>De fato, o número de pessoas que deixam o dispositivo ligado o tempo todo é impressionante. O propagandista Rodrigo Cazorlas, de 32 anos, convidou o Link para um teste durante o horário de almoço em um dos shoppings mais movimentados de São Paulo. <br>Resultado: em um local onde havia mais ou menos 100 pessoas, o celular dele captou quase 7 celulares com o Bluetooth descoberto. <br>Apesar da facilidade que os bluejackers dizem ter para achar outros dispositivos sem fio, vale lembrar que ter um celular com Bluetooth no Brasil ainda é um mimo para poucos.<br>No País, cresceu a quantidade de habilitações de linhas de telefone móvel. Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), hoje existem mais de 93 milhões de brasileiros que usam celulares.<br>Porém os modelos que trazem Bluetooth costumam ser os mais modernos e, logicamente, os mais caros. Um aparelho bom não sai por menos de R$ 600, dependendo da operadora e do plano escolhido.<br>Mas, como costuma acontecer no mundo tecnológico, com o tempo um celular com Bluetooth deve ficar mais acessível à grande população. <br>Para quem tem um aparelho com essa tecnologia, foi alvo de zoeira pelo Bluetooth e sentiu-se lesado, dá para entrar com um processo.<br>Fingir perseguir uma vítima é crime de ameaça, e a pena varia de uma detenção de um a seis meses ou multa.<br>Patrícia Peck, advogada especialista em Direito Digital, criou uma tabela que mostra os principais crimes eletrônicos que acontecem no cotidiano do usuário comum. Veja a lista no site do Link (www.link.estadao.com.br). (G.M.)<br><br><br>BOXE 4/PROTEJA SEU CELULAR DE INVASÕES VIA BLUETOOTH<br><br>O emparelhamento Bluetooth acontece quando dois aparelhos dotados dessa tecnologia "concordam" em trocar dados. Quando isso ocorre, os dois dispositivos formam o que é chamado de par confiável, isto é, aceitam trocar dados pois foram apontados pelo usuário como aparelhos autorizados. <br>Para isso ocorrer, é necessário que os aparelhos estejam "encontráveis" ou visíveis, ou seja, que estejam disponíveis para serem emparelhados. <br>A maioria dos aparelhos Bluetooth permite que essa visibilidade seja desligada, isto é, eles ficam visíveis apenas para os dispositivos com os quais você tiver emparelhado anteriormente. Esse é o principal recurso de segurança do Bluetooth.<br>A invasão ou o envio de mensagens indesejadas só é possível se seu aparelho estiver visível. E a visibilidade do aparelho só é necessária se você quiser emparelhar algum outro dispositivo. Do contrário, deixar seu aparelho "encontrável" é o mesmo que deixar as portas abertas para curiosos e mal-intencionados de plantão. <br>O processo de emparelhamento é muito simples. O dispositivo A, por exemplo um celular, detecta o dispositivo B, que pode ser um fone. Durante o processo de detecção, o dispositivo mais simples informa que tipo de aparelho é e o nome pelo qual ele aparecerá na sua rede pessoal. <br>Dependendo do aparelho, você pode atribuir um nome específico para ele, o que facilita a vida se você tiver mais de um fone ou computador conectado. Depois, o aparelho mais complexo pede uma senha de conexão. Normalmente, essa senha está no manual do aparelho, ou é simplesmente 0000 ou 1234. <br>Como a maioria dos fones tem esse código, ou nem mesmo pede senha, fica relativamente fácil para alguém pegar carona no seu aparelho se ele estiver encontrável. <br>Quando aparelhos mais complexos se conectam, como PCs e celulares, ambos exigem que a mesma senha seja digitada. Isso dificulta a invasão do seu telefone, mas alguns programas de hackeamento conseguem evitar esse passo e conectar sem que você nem perceba. <br>Além do incômodo de receber mensagens indesejadas, quando você deixa seu celular visível, pode perder muito mais que seu tempo. Como alguns fones permitem que se façam ligações, sua linha pode ser usada sem que você saiba. Inclusive quem estiver com o fone de carona pode ainda atender suas ligações. <br>E o mais grave: um computador pegando carona na sua rede pode facilmente usar seu telefone de modem e ter acesso total à sua agenda, fotos, toques, músicas, enfim, toda a informação que você acessa quando conecta seu computador ao celular fica disponível para quem quiser pegá-la. <br>COMO SE PROTEGER<br>A solução é simples e indolor: se você usa dispositivos bluetooth com seu celular, emparelhe-os e depois deixe seu aparelho invisível. Só ative a visibilidade do telefone quando realmente quiser trocar mensagens e arquivos. Se receber uma mensagem indesejada, nada de pânico, pois é só "esconder" seu telefone e imediatamente as mensagens param. <br>Outro ponto que deve ser levado em consideração para aumentar sua segurança: além de expô-lo a invasões, deixar o bluetooth o tempo todo ligado sem usá-lo simplesmente reduz a carga da sua bateria significativamente. <br>Mesmo quando não está transmitindo dados, o telefone fica transmitindo constantemente quando o bluetooth é ativado. Desativando-o, você poupa bateria e uma bela dor de cabeça desnecessária. (Jocelyn Auricchio)<br><br>  ]]></Texto>

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