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 <DataGeracaoArquivo>Seg, 11 Dez 2006 04:06:02 -0200</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Caso Pinochet marcou o direito internacional]]></Titulo>
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 <NomeFonte><![CDATA[Agência EFE]]></NomeFonte>
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 <Olho><![CDATA[Os processos contra Augusto  Pinochet representaram um marco no direito internacional, pois  estabeleceram responsabilidades individuais nos crimes de  lesa-humanidade e representaram mais um passo rumo a uma Justiça sem  fronteiras.  ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[   O ex-ditador chileno, que governou seu país com mão de ferro  entre 1973 e 1990, morreu neste domingo no Hospital Militar de  Santiago oito dias após sofrer um infarto do miocárdio.  <br><br>   Pinochet não chegou a ser condenado em vida, mas acumulou  quatorze perdas de imunidade e vários julgamentos. Todos eles serão  sobrestados (suspensos) devido a sua morte.  <br><br>   "A morte ganhou da Justiça", disse no Uruguai o escritor Mario  Benedetti.  <br><br>   O juiz chileno Alejandro Solís, magistrado que esteve mais perto  de condenar o general reformado, usou palavras mais tênues para  expressar posição similar.  <br><br>   "Será ditado um sobrestamento definitivo por morte, ao contrário  de outros processos, que podem ser sobrestados por inocência",  disse.  <br><br>   Para Solís, "a Justiça de alguma maneira o havia julgado quando a  Corte Suprema ordenou a perda de sua imunidade e confirmou seu  processamento por torturas, homicídios e desaparições".  <br><br>   De acordo com o magistrado, responsável pelo processo relativo a  torturas e homicídios no centro de reclusão da Vila Grimaldi, "não  foi possível condená-lo, mas havia presunções fundadas de que ele  teve participação nesses crimes".  <br><br>   Solís atribuiu a demora das sentenças ao fato de esses casos  serem regidos pelo Código Penal, que data do século XIX, e anunciou  que nos próximos dias deverá sobrestar o julgamento de Pinochet, que  tinha programado fechar em 30 dias. No entanto, alertou que os  processos contra os outros acusados continuarão.  <br><br>   O juíz afirmou que os delitos dos quais Pinochet era acusado não  podiam ser anistiados nem prescrever, segundo as decisões da Corte  de Apelações e da Corte Suprema.  <br><br>   Isso, como reconhecem os advogados de direitos humanos e os  parentes das vítimas, ocorreu graças ao juiz espanhol Baltasar  Garzón.  <br><br>   Com seu pedido de extradição de Pinochet, em 16 de outubro de  1998, de Londres, onde o militar esteve preso 503 dias, para a  Espanha, Garzón mudou a Justiça não apenas no Chile, mas, em grande  medida, no mundo.  <br><br>   Durante uma visita a Santiago do Chile em agosto deste ano,  Garzón expressou seu respeito pela Justiça chilena, e teve elogios  especiais para o juiz aposentado Juan Guzmán, o primeiro que  processou o ditador por 75 crimes da Caravana da Morte, comitiva  militar que percorreu Chile em 1973 executando presos políticos.  <br><br>   A presidente do Agrupamento de Familiares de Detidos  Desaparecidos, Lorena Pizarro, lembrou, em declarações à agência  Efe, o momento em que Garzón conseguiu que Pinochet fosse detido na  capital britânica.  <br><br>   "Sentimos uma imensa alegria, pois percebemos que não estávamos  sós. Essa decisão marcou uma nova etapa para nós e para a Justiça",  afirmou.  <br><br>   O advogado chileno Claudio Grossman, ex-vice-presidente da  Comissão Interamericana de Direitos Humanos, afirmou que o  julgamento de Pinochet "representou um marco na questão de evitar a  impunidade", e lembrou que os ditadores antes do caso Pinochet  "escondiam-se atrás dos Estados".  <br><br>   Segundo analistas, o caso Pinochet também deu novo impulso aos  processos em casos de violações aos direitos humanos em outros  países sul-americanos e influenciou, em parte, na criação do  Tribunal Penal Internacional (TPI).  <br><br>   Para José Miguel Vivanco, diretor-executivo para a América Latina  da Human Rights Watch, a morte de Pinochet deixa como legado "uma  advertência" para os outros violadores dos direitos humanos.  <br><br>   "Seu caso mostrou ao mundo que mesmo os violadores de direitos  humanos mais poderosos podem ser obrigados a enfrentar a Justiça" e  que, hoje, "ninguém está acima da lei".  <br><br>   A Anistia Internacional declarou em comunicado que "as famílias  dos sobreviventes precisam de justiça e de um julgamento", e pediu  que o Governo declare nula a lei de anistia que Pinochet impôs em  1978.  <br><br>   A ONG pró-direitos humanos acrescentou que este caso deveria  servir para que as autoridades chilenas e os governantes de outros  lugares do mundo "tomem consciência da importância da rapidez da  Justiça".  <br><br>   O ditador chileno, que chegou a se vangloriar de que nenhuma  folha se movia no país sem seu conhecimento, para se livrar da  Justiça endossou a responsabilização dos crimes de seu regime a seus  subalternos, e recorreu ao argumento da demência.  <br><br>   O militar que se definia a si mesmo como "um anjo bom" sempre  disse que não ordenou que ninguém fosse morto, e se queixou de que a  Justiça foi "injusta" com ele.]]></Texto>

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