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 <Titulo><![CDATA[Uruguai reabre período obscuro de sua história e processa militares]]></Titulo>
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 <Olho><![CDATA[<p>O Uruguai reabriu o capítulo mais obscuro de sua história recente com o julgamento de militares acusados de violações dos direitos humanos durante a ditadura (1973-1985), depois de uma transição democrática que evitou levá-los a julgamento.</p>]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<p>O indiciamento seguido pela prisão nesta segunda-feira de oito ex-militares e policiais - pelo desaparecimento na Argentina do militante do Partido pela Vitória do Povo (PVP) Adalberto Soba - pela primeira vez, desde o fim da ditadura, remexeu um passado que o país tentou enterrar ao ratificar, em um plebiscito de 1989, a Lei de Caducidade, que evitou que os crimes cometidos por policiais e militares durante o governo de fato fossem julgados.</p><p>O Parlamento aprovou em 1986 a Lei de Caducidade, com a qual suscitou uma crise institucional pela rejeição das Forças Armadas, que acabavam de entregar o poder, em acatar citações judiciais por denúncias de violação dos direitos humanos.</p><p>A norma foi aprovada durante o primeiro governo do ex-presidente Julio Sanguinetti (1985-1990 e 1995-2000), que liderou a transição com uma proposta de "mudança em paz". Essa proposta causou grande impacto no país porque implicava  negociar com os militares a saída democrática.</p><p>Sanguinetti considerou que o governo do presidente Tabaré Vázquez "mudou o espírito da Lei de Caducidade" ao habilitar a investigação judicial de alguns casos de desaparecidos, o que gerou o julgamento dos oito militares.</p><p>A lei "permitia conhecer a verdade, mas a idéia era não julgar", disse Sanguinetti.</p><p>O cientista político Adolfo Garcés perguntou, em um debate na rádio El Espectador, se com o plebiscito de 1989 "se abriu um parêntese ou se pôs um ponto final" nos acontecimentos da ditadura, e considerou assim se "atentou contra o espírito da lei de Caducidade".</p><p>Mas Alfonso Lessa, analista político e autor de vários livros sobre a ditadura, afirmou à AFP que "o governo não está violando a Lei de Caducidade, e sim aproveita os espaços deixados por ela".</p><p>Lessa considerou que os julgamentos dos militares não querem dizer que o modelo de transição democrática impulsionado por Sanguinetti tenha fracassado.     </p><p>"Hoje as Forças Armadas perderam poder. Os militares reformados (que são os que comandaram a ditadura) foram perdendo peso e autoridade dentro e fora das Forças Armadas. As novas gerações militares não estão comprometidas com a ditadura, e vêem isso como uma oportunidade para retirar um peso que os afeta", disse Lessa.</p><p>Lessa destacou como históricos os relatórios apresentados pelas Forças Armadas há mais de um ano ao presidente Tabaré Vázquez, nos quais reconheceram publicamente as violações dos direitos humanos cometidas durante a ditadura, algo que nunca haviam feito antes.</p><p>Foi um passo enorme para os julgamentos dos militares. E para que isso ocorresse, Lessa considerou que "foi importante a instalação da Comissão para a Paz" durante o governo de Jorge Batlle (2000-2005), que investigou o destino dos desaparecidos e concluiu que a ditadura uruguaia deixou 38 desaparecidos no país, 26 dos quais foram assassinados.</p><p>O presidente Tabaré Vázquez prometeu, ao assumir o governo no dia 1o de março de 2005, fechar as feridas abertas pela ditadura no âmbito da Lei de Caducidade, e resistir a pressões de sua própria coalizão de governo e de setores sociais para anular essa lei.</p>]]></Texto>

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