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 <Titulo><![CDATA[Terroristas ou resistentes e os conflitos no Oriente Médio]]></Titulo>
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 <NomeCredito>Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel</NomeCredito>
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 <Olho><![CDATA[Nahum Sirotsky, Israel&nbsp;- Toni Blair, o primeiro ministro britânico, está na área. Pouco antes desta viagem&nbsp;ele anunciou&nbsp;em Londres que deixaria o seu cargo dentro de um ano.]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P>Eleito&nbsp; há dez anos, aos 43, para a chefia do governo,&nbsp;obtendo para o Partido Trabalhista a mais forte maioria da história,&nbsp;era o grande&nbsp;líder&nbsp; que não podia errar, o herói. Não há lei inglesa que&nbsp;impeça&nbsp;que ele seja candidato a mais um mandato, porém, há forte oposição&nbsp;do seu partido que&nbsp;diz que basta, que nada mais de novo e criativo&nbsp;tem a oferecer, que vá&nbsp;para casa. Ele veio ao Oriente Médio com o compromisso&nbsp; de&nbsp;usar o tempo que lhe resta para promovera paz. Clinton, o último&nbsp;presidente democrata americano, fez a mesma viagem e&nbsp; com o mesmo&nbsp; empenho&nbsp; no fim de seu segundo e ultimo mandato. Não é necessário&nbsp;lembrar que&nbsp;tentou&nbsp;promover o entendimento entre Yasser Arafat, o líder&nbsp;palestino cuja palavra&nbsp;ninguém de seu povo ousava desafiar, e Ehud Barak, chefe do governo de Israel. Fracassou. Desde então&nbsp; aconteceram&nbsp;o 11 de setembro, da derrubada das Torres Gêmeas&nbsp;de Nova York,&nbsp;a declaração de&nbsp;"guerra ao terrorismo" pelo&nbsp;presidente Bush, republicano, as guerras do Afeganistão e Iraque, as manifestações de poderio do Hezbollah, do&nbsp;Hamas, o desafio&nbsp;do Irã. Muita coisa mudou.</P>
<P>A&nbsp; grande mudança&nbsp; foi a&nbsp;que&nbsp; se expressou&nbsp;na guerra declarada por Bush.&nbsp; Não&nbsp;há guerra sem&nbsp;planos prévios.&nbsp;Os&nbsp;Estados Maiores precisam pensar&nbsp;tudo&nbsp;o que é necessário nos mínimos detalhes. O&nbsp;estimado e previsível&nbsp;faz parte dos planos. A “Inteligência”, informações&nbsp;sobre&nbsp;a força&nbsp;inimiga, cultura militar,&nbsp; personalidades,&nbsp; tudo&nbsp; tem de estar atualizado&nbsp; em termos da informação e dos objetivos. Um tenente&nbsp; de pequena&nbsp; tropa pode&nbsp; causar um desastre se&nbsp; não tiver liderança. Não&nbsp; há operação simples.&nbsp;&nbsp; </P>
<P>A Operação Afeganistão visava, ao que se&nbsp; declarou,&nbsp; destruir&nbsp; o Talibã, uma das organizações muçulmanas fundamentalistas&nbsp; que havia lutado contra&nbsp; o&nbsp; governo&nbsp; comunista apoiado&nbsp; por todos os meios, inclusive militares, pela União&nbsp;Soviética comunista. A CIA, os serviços secretos americanos,&nbsp;haviam apoiado com armas e&nbsp;meios econômicos a todas elas, logo, deveria conhecer os líderes de todas. A informação&nbsp; sobre o 11 de setembro&nbsp; apontava para&nbsp;um grupo chamado de Al-Qaeda, ou a Organização, chefiada&nbsp;por um jovem&nbsp; guerreiro islâmico, saudita de origem,&nbsp;Bin Laden, que não fora dos mais distinguidos na guerra contra os comunistas russos... Um&nbsp; dos&nbsp;52 filhos de um multimilionário da Arábia. O Talibã&nbsp;garantia a liberdade e atividades de Bin Laden. As forças anglo-americanas&nbsp;conquistaram Cabul, a capital, e boa parte do território. Mas nunca&nbsp;chegaram a Bin Laden,&nbsp;cuja Al-Qaeda&nbsp;inspiraria inúmeros atentados pelo mundo. O Talibã&nbsp; não foi&nbsp;decisivamente derrotado. Voltou a ser ativo&nbsp; no sudeste do país e a realizar atentados&nbsp;contra a tropa internacional, da Otan, que substituiu a anglo-americana. </P>
<P>A&nbsp; surpresa maior, porém, foi&nbsp;a segunda operação da guerra de Bush. Invadiu&nbsp;o Iraque&nbsp;justificando-se como ação para derrubar&nbsp;Saddam Hussein e&nbsp;abrir caminho para os iraquianos implantarem&nbsp;uma democracia. A vitória americana&nbsp;foi anunciada dias depois só que&nbsp;não aconteceu. O Iraque transformou-se em campo de sangrentas lutas&nbsp;entre seitas muçulmanas e, destas, com a tropa estrangeira. Ainda não há sinais de acabarem.</P>
<P>No&nbsp;sul do Líbano implantou-se e prosperou o Hezbollah (Partido de Deus)&nbsp; que se transformou em poderosa&nbsp; força xiita. O Hezbollah promoveu inúmeros ataques&nbsp; empregando&nbsp; táticas terroristas com as do homem-bomba, o&nbsp; guerreiro&nbsp;suicida. Ignorava&nbsp; a&nbsp; lei libanesa e tem&nbsp; como programa destruir o Estado de Israel. Em ação recente&nbsp; invadiu o lado israelense da fronteira, capturou dois soldados o que&nbsp; foi&nbsp; fator precipitante&nbsp; de uma guerra com&nbsp; Israel&nbsp; que está em fase de cessar-fogo. Os soldados não foram liberados. Não&nbsp; está claro o vencedor. O Hezbollah ainda não aceitou libertar os soldados.</P>
<P>Na zona palestina, a chamada&nbsp;Autoridade Palestina que&nbsp;seria um primeiro passo para um estado palestino independente,&nbsp; vários grupos&nbsp;&nbsp; islâmicos fundamentalistas surgiram.. O menor seria o Jihad islâmico, guerra islâmica, xiita, o maior o Hamas sunita, Movimento Islâmico de Resistencia. O Hamas&nbsp; foi, até agora, a única organização fundamentalista a chegar ao poder por eleições democraticas, sendo&nbsp; um&nbsp; modelo&nbsp; para&nbsp; semelhantes ou afins existentes no mundo árabe&nbsp; o que&nbsp; desestimula&nbsp; a implantação de democracias via eleições. O Hamas ganhou&nbsp; com um programa de destruir o Estado judeu. Um grupo desconhecido raptou um soldado israelense. A poderosa força&nbsp; militar israelense não tem sido suficiente&nbsp; para&nbsp; derrotar o Hamas.</P>
<P>O que mudou desde&nbsp; 11 de setembro de&nbsp; há cinco anos foi a aparente desistência dos Estados árabes de destruírem o Estado judeu por meio de guerras convencionais com armas convencionais no que falharam&nbsp; em varias guerras como as de 1948, 1956, 1967, 1973. As organizações&nbsp;&nbsp;nacionalistas pan-arábicas, religiosas ou políticas, passaram a empregar&nbsp; os meios e táticas não-convencionais, como a dos homens-bomba, as chamadas terroristas. Todas, desde a do Afeganistao&nbsp; a do Líbano, firmaram&nbsp;&nbsp; táticas que&nbsp; levaram&nbsp; a expressão de guerra assimétrica. Confronto de forças convencionais com táticas&nbsp; convencionais&nbsp; contra forças&nbsp;que não&nbsp; possuem capital, não tem infra-estruturas&nbsp;econômicas,&nbsp;são gente,&nbsp;indivíduos&nbsp; que precisam ser&nbsp; mortos e que, porém, são logo substituídos por outros dispostos aos mesmos sacrifícios, ao martírio... Tais grupos&nbsp; recorrem a raptos, assassinatos, atentados. Provocam reações que&nbsp; resultam&nbsp;&nbsp; em aumento&nbsp; dos quadros dos que as apoiam&nbsp; de voluntários&nbsp; para serem&nbsp; soldados. Provocam desgastes&nbsp; econômicos e psicológicos. Criam&nbsp;&nbsp; as piores imagens dos Estados&nbsp; que reagem com suas forças regulares. São&nbsp; capazes de&nbsp;impedirem vitórias decisivas&nbsp; das forças convencionais&nbsp; as quais não têm condições de derrotarem.&nbsp; Tendem a ser doravante&nbsp;mais qualificadas de resistentes ou&nbsp; insurgentes&nbsp; que recorrem a atos terroristas. </P>
<P>Mudou&nbsp; desde a derrubada das Torres de Nova York a hipótese de que&nbsp; as organizações resistentes&nbsp; ou terroristas podem ser derrotadas por meios&nbsp; convencionais. A hipótese de que&nbsp;as forças ocidentais possam continuar influindo decisivamente&nbsp; no comportamento e políticas dos governos&nbsp; da região, como até setembro de 2000, está ultrapassada. Até o Irã, um estado, vem provando o mesmo no caso de sua insistência&nbsp; em manter seu programa de desenvolvimento nuclear.</P>
<P>Toni Blair&nbsp; so&nbsp; será&nbsp;bem sucedido em promover a paz regional se os&nbsp; grupos&nbsp; resistentes/terrorista&nbsp; aceitarem as soluções políticas possiveis dos conflitos existentes a começar com o&nbsp; israelense-palestino.&nbsp; Ainda&nbsp; não&nbsp; parece existirem as condições.</P>]]></Texto>

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