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 <DataGeracaoArquivo>Qua, 6 Set 2006 19:20:25 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Uma eloqüente Natascha conta a história de seu sequestro]]></Titulo>
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 <NomeFonte><![CDATA[Agência EFE]]></NomeFonte>
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 <Olho><![CDATA[Em meio a uma grande expectativa da mídia, a  jovem austríaca Natascha Kampusch deu hoje sua primeira entrevista,  na qual revelou alguns aspectos do seqüestro no qual foi mantida em  cativeiro por mais de oito anos, em um pequeno calabouço subterrâneo  nos arredores de Viena.  ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[   Vestida de forma moderna e com um lenço violeta na cabeça,  Natascha falou durante quase 40 minutos com o jornalista da rede de  televisão "ORF" Christoph Feurstein, que acompanhou seu caso durante  os oito anos em que esteve desaparecida.  <br><br>   "Me sinto bem, dadas as circunstâncias. O que mais faço é tentar  relaxar, recuperar-me do estresse da fuga", disse ela.  <br><br>   Em um alemão muito eloqüente, levando-se em conta que passou  quase a metade de sua vida isolada do mundo exterior, Natascha  contou os detalhes de sua captura, de sua vida cotidiana, das  primeiras tentativas de fuga e de seus planos para o futuro.  <br><br>   Entre estes planos está o de criar uma fundação para ajudar  outras pessoas que tenham passado por situações como a sua, como por  exemplo as mulheres seqüestradas no México.  <br><br>   "Há uma região onde muitas mulheres são seqüestradas antes ou  depois de irem ao trabalho e depois são maltratadas e assassinadas.  Quero usar o dinheiro para combater esses crimes", disse em clara  referência aos crimes de Ciudad Juárez, no norte do México.  <br><br>   A jovem de 18 anos disse que, desde que foi raptada, em 2 de  março de 1998, sentia que era "mais forte" do que seu seqüestrador,  o técnico em eletrônica Wolfgang Priklopil, que se suicidou após a  fuga de Natascha, em 23 de agosto.  <br><br>   "Wolfgang tinha uma personalidade muito instável", disse ela.  <br><br>   Natascha assegurou não ter sentido medo, pois seu seqüestrador  lhe disse que, caso seus pais pagassem um resgate, ela poderia  voltar para casa imediatamente.  <br><br>   "Tinha certeza de que ele ia me matar, e por isso pensei que o  melhor seria usar os últimos minutos ou horas da minha vida para  tentar fugir ou falar com ele", afirmou.  <br><br>   "Lhe disse que isso não teria êxito e que no final a Polícia ia  lhe encontrar", afirmou.  <br><br>   "No início, tinha certeza de que a Polícia ia me encontrar, e que  tudo ia terminar bem", disse.  <br><br>   Mas a realidade foi que Priklopil não a deixou sair do  esconderijo subterrâneo, de seis metros quadrados, por seis meses.  Só então permitiu que subisse para tomar um banho.  <br><br>   "No início estava desesperada e muito furiosa, com raiva por não  ter trocado de calçada (quando viu o automóvel de Priklopil na manhã  de seu seqüestro) ou por não ter ido à escola com minha mãe", disse.  <br><br>   "Acho que se Prikolpil não tivesse me deixado subir à casa, teria  enlouquecido", disse a jovem.  <br><br>   Natascha explicou que, durante os dois primeiros anos, sua única  fonte de informação eram revistas semanais, até o seqüestrador lhe  permitir escutar rádio.  <br><br>   Desta forma se informou sobre o mundo exterior e também recebeu  notícias sobre as buscas realizadas pela polícia.  <br><br>   Ela contou como "obrigou" seu seqüestrador a celebrar Natais e  outras festividades.  <br><br>   "Ele me fazia presentes. Porque as outras crianças podiam comprar  coisas. Eu não podia comprar nada lá dentro. Aparentemente, ele  achava que desta forma podia me equiparar com as pessoas de fora",  disse.  <br><br>   Natascha afirmou que nunca se sentiu só, já que carregava em seu  coração "a família e as lembranças felizes".   <br><br>   "Jurei que cresceria, e seria mais forte para poder me libertar",  afirmou.  <br><br>   Esse dia chegou em 23 de agosto, quando Kampusch notou que  Priklopil, distraído com uma ligação telefônica, se afastava  enquanto ela passava o aspirador de pó pelo automóvel.  <br><br>   "É agora ou nunca", pensou ela, antes de fugir para uma casa  vizinha em busca de auxílio.  <br><br>   "Ao longo dos oito anos, sempre pensava nas coisas que estava  perdendo, como um namorado", disse.  <br><br>   "Sempre tentei ser igual ou melhor do que as pessoas de fora,  sobretudo no que se refere à educação escolar. Sempre senti que  tinha um déficit. Por isso, tratei de estudar e aprender coisas",  disse.  <br><br>   Na última etapa do seqüestro, Priklopil saía às ruas com sua  vítima, mas a mantinha calada sob a ameaça de matar qualquer pessoa  com quem ela tentasse entrar em contato.  <br><br>   "Não podia me arriscar", disse.  <br><br>   Sobre seus sonhos para o futuro, Natascha disse que deseja fazer  "um cruzeiro junto com sua família", além de realizar uma viagem de  fim de ano, "se conseguir terminar o colégio".  <br><br>   Mais de 120 canais de televisão de todo o mundo pediram para  transmitir ao menos uma parte do que na Áustria já vem sendo chamado  de "a entrevista do ano".]]></Texto>

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