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 <DataGeracaoArquivo>Ter, 5 Set 2006 16:20:06 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Constituinte boliviana completa um mês sem chegar a acordo]]></Titulo>
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 <Olho><![CDATA[A Assembléia Constituinte por meio da qual  o presidente Evo Morales pretende "refundar a Bolívia" completa  amanhã um mês de deliberações sem chegar a nenhum consenso.   ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[   Os parlamentares não concordaram sequer sobre o regulamento dos  debates, e se envolveram em uma polêmica que ameaça dividir o país.  <br><br>   Quatro dos nove departamentos (estados) bolivianos convocaram uma  paralisação para sexta-feira. A região abrangida é de dois terços do  território, responsáveis por 43% do PIB e um terço da população.   <br><br>   De acordo com os líderes do movimento, a manifestação em defesa  da democracia e da legalidade é uma resposta à "conduta totalitária"  de Morales.  <br><br>   Os governadores, parlamentares, constituintes e representantes da  sociedade civil de Santa Cruz de la Sierra, Beni, Pando e Tarija  anunciaram que manifestações de insatisfação continuarão até que o  Governo se comprometa a respeitar a lei e a democracia.  <br><br>   Nessas regiões tropicais, que reivindicam maior autonomia, estão  85% das reservas de hidrocarbonetos da Bolívia.  <br><br>   O estopim desse descontentamento foi a tentativa do partido  governista Movimento ao Socialismo (MAS) de mudar as regras da  Assembléia. Essas alterações permitiriam que as decisões da  Constituinte fossem aprovadas por maioria (137 das 255 cadeiras) em  vez dos dois terços (170) previstos na Constituição atual.  <br><br>   A lei de convocação da Assembléia, estipulada pelo Governo e pela  oposição em março passado e promulgada por Morales, prevê também que  esse fórum "aprovará o texto da nova Constituição com dois terços  dos votos".  <br><br>   Além disso, a lei diz que a Assembléia "não interferirá no  trabalho dos poderes constituídos, que seguirão exercendo suas  funções constitucionais de maneira sustentada".  <br><br>   O Governo insiste que a Constituinte é "originária". Com isso, o  oficialismo quer dizer que ela tem "plenos poderes" sobre todas as  instituições do Estado.  <br><br>   "Esta Constituinte deve ter todos os poderes. Está acima de Evo  Morales, acima do Congresso, acima do Poder Judiciário", advertiu há  um mês o governante, ao instalar a Assembléia em Sucre, capital  administrativa da Bolívia.  <br><br>   Morales acrescentou que a Assembléia poderá pedir que ele deixe a  Presidência e afirmou que aceitará essa decisão. A declaração  motivou denúncias da oposição, que afirma que Morales está  preparando um "autogolpe".  <br><br>   Morales reiterou que há uma "conspiração" da oposição contra a  Assembléia, contra seu Governo, contra a nacionalização dos  hidrocarbonetos e contra sua intenção de "refundar a Bolívia".  <br><br>   O vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, disse na  segunda-feira que o Congresso e os demais poderes constituídos não  serão interditados enquanto as sessões da Assembléia continuarem a  acontecer. A oposição, entretanto, já não acredita nas promessas do  Governo.  <br><br>   Quando o MAS forçou na sexta-feira passada a aprovação de um  regulamento que passa por cima da regra dos dois terços, os três  principais partidos de oposição abandonaram o Teatro Gran Mariscal,  onde acontecem as sessões.  <br><br>   Em meio a um grande tumulto, 60 constituintes da aliança  conservadora Poder Democrático e Social (Podemos), 18 do direitista  Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) e oito da União Nacional  (UN), de centro, deixaram o plenário.  <br><br>   Quatro parlamentares do setor moderado do MAS chegaram a se  retirar antes da votação do regulamento, que foi aprovado em  primeira instância, segundo o Governo, por 139 votos.  <br><br>   A oposição ainda não decidiu se o abandono da Constituinte será  temporário, como recomenda a UN, ou permanente, como propõem os  radicais do Podemos.  <br><br>   Ontem, a Assembléia teve uma curta reunião, na qual ficou  determinado o adiamento das sessões até esta quarta-feira.  <br><br>   Editorialistas e colunistas da imprensa boliviana concordam em  afirmar que a Assembléia dificilmente poderá aprovar uma nova  Constituição no prazo determinado pela lei de convocação ("um  período de sessões contínuo e ininterrupto não menor que seis meses  nem maior que um ano").  <br><br>   Diante das dificuldades que a Assembléia enfrenta, em meio aos  debates sobre o regulamento, diplomatas e analistas políticos se  perguntam o que acontecerá quando forem discutidos pontos difíceis  como a nacionalização dos hidrocarbonetos, direitos preferenciais  para os indígenas ou a reivindicação ao Chile de uma saída para o  Pacífico.]]></Texto>

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