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 <DataGeracaoArquivo>Dom, 3 Set 2006 20:26:24 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Guerra e crianças]]></Titulo>
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 <NomeCredito>Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel</NomeCredito>
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 <Olho><![CDATA[Foi um grande poetisa, americana expatriada, quem escreveu o verso que ficou para sempre. “Uma rosa é uma rosa é uma rosa” porque não há palavras para descrevê-la. Sempre uso a paráfrase de que “uma criança é uma criança é uma criança!” Rodei o mundo. Óbvio que existem diferenças de cor, religião, estado econômico, mas todas brincam e sonham sonhos de criança. São Peter Pan mesmo sem o conhecer. E nos dias correntes, talvez mais do que no passado, são os únicos seres que ainda conseguem ver o que os adultos não mais têm capacidade de enxergarem. Marcados pelo peso irresistível de formas de ver e entender&nbsp;adquiridos do meio ambiente em que vivem, do qual assimilam de gostos até pensamentos que se transformam em preconceitos, perdem a originalidade. Falar ou ouvir crianças, sempre nelas concentrado, é viver surpresas. São as melhores observadoras da vida e da cultura ao redor. E pagam sempre os mais dolorosos preços por distúrbios na sua rotina. ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P>No dia 1º do mês as crianças do oriente médio terminam&nbsp;as férias de verão da Palestina, com repetição de&nbsp;memórias&nbsp;de&nbsp;uma guerra que não termina, marcadas até o fim de seus dias. E, neste ano, as crianças de&nbsp;certas&nbsp;regiões&nbsp;do Líbano e do norte de Israel&nbsp;voltam&nbsp;à escola&nbsp;com as&nbsp;cicatrizes psicológicas ainda&nbsp;abertas...</P>
<P>Há&nbsp; muito não visito a região palestina e não converso com as crianças. Não estive no Líbano. Mas&nbsp;observei as crianças israelenses, as diferenças entre aquelas&nbsp;que&nbsp;viveram ao ar livre em suas brincadeiras e aquelas que&nbsp;sofreram as semanas de ataques de mísseis.&nbsp;Os dias vividos&nbsp;podem ser observados nos olhares... A&nbsp;tranqüilidade dos folguedos sem receios&nbsp;e&nbsp;o cansaço, o estado de permanente alerta aos ruídos,&nbsp;o medo&nbsp;em outras.&nbsp;As crianças que sobrevivem&nbsp;são as grandes vítimas das guerras. Na essência, não devem existir grandes diferenças entre vitimas.</P>
<P>O Líbano sofreu terrível guerra. Mas na historia de Israel não existiam precedentes recentes&nbsp;de&nbsp;centros civis urbanos&nbsp;virarem frente de batalha.&nbsp;Relativamente poucos adultos&nbsp;estavam psicologicamente preparados&nbsp;para o que aconteceu. Viveram&nbsp;semanas&nbsp;em abrigos anti-aéreos&nbsp;lotados&nbsp;e&nbsp;horas pautadas&nbsp;pelas sirenes de alerta&nbsp;e as explosões dos morteiros. Foi vasto o número de vítimas de pânico, doença terrível. Mas as crianças&nbsp;sofreram abalos decisivos&nbsp;em seus sonhos e sensação de segurança, na&nbsp;imaginação... As crianças das regiões em guerra, de todas elas&nbsp;sem distinção. Traumatizadas com&nbsp;cicatrizes que&nbsp;não há&nbsp;nada que faça desaparecer.</P>
<P>No norte de Israel, e, suponho, sem medo de errar, nas áreas libanesas atingidas, a&nbsp;volta&nbsp;à escola implica&nbsp;também em&nbsp;tratamento especial. Não houve tempo para a reconstrução. As professoras e professores têm de assumir novas responsabilidades. Ter paciência, oferecer&nbsp; cuidados e carinhos especiais.&nbsp;Visitei várias escolas. Observei&nbsp;crianças (de 3 a&nbsp;10&nbsp;anos na média)&nbsp;brincando temerosas,&nbsp;atentas a ruidos estranhos, com acessos de choro,&nbsp;fugindo sem motivo aparente. </P>
<P>Em Sderot, cidade&nbsp;israelense no sul do país, alvo preferido dos mísseis Qassans,&nbsp;há greve, os pais exigem mais meios de proteção das escolas contra os mísseis. O cessar-fogo é com o Hezbollah no norte. No sul prosseguem os choques entre tropas israelenses e milícias de várias seitas e organizações palestinas.&nbsp;Sderot fica a poucos quilômetros da faixa de Gaza.&nbsp;O Qassam&nbsp;vem subitamente&nbsp;e explode&nbsp;com infernal barulho... Não&nbsp;avisa. </P>
<P>Dezenas de milhares de crianças e adolescentes&nbsp;palestinos não foram às aulas. Os professores&nbsp;estão em greve&nbsp;de protesto pelo atraso em seus salários.&nbsp;São as crianças&nbsp;que&nbsp;há anos vivem na anormalidade do&nbsp;confronto&nbsp;com Israel que não parece ter fim.</P>
<P>As muitas guerras a que assisti eram choques entre&nbsp;forças treinadas para o combate. Mas nas atuais, atingir a população civil é&nbsp; o estratégico, o fundamental... Mata-se&nbsp;no presente,&nbsp;nega-se às&nbsp;crianças&nbsp;a inocência&nbsp;de agora. Imperdoavelmente&nbsp;cruéis aos novos modelos de guerra.</P>]]></Texto>

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