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 <DataGeracaoArquivo>Sáb, 26 Ago 2006 20:36:47 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Correspondente iG: Irã desafia ainda mais a influência dos EUA no Oriente Médio]]></Titulo>
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 <NomeCredito>Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel</NomeCredito>
 <EmailCredito>mailto:nahumsirotsky@ig.com.br</EmailCredito>
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 <Olho><![CDATA[ISRAEL – Muito estranho que há poucos dias do fim do ultimato concedido pelo Conselho de Segurança da ONU ao Irã tanto se fale sobre as reações e atitudes persas e quase nada sobre o que poderá acontecer passadas as 24 horas do dia 31. ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P>No sábado, o Irã iniciou formalmente o esforço de fabricação de água pesada, demonstrando por fatos o que vinha dizendo: não desiste de seu programa. Afirma e reafirma que não tem intenções bélicas. Visa ao uso pacífico da energia nuclear.&nbsp; <BR>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <BR>A chamada água pesada é instrumental para tipos de reatores que podem criar plutônio a partir do urânio natural. E sempre foi monitorada pela agência internacional de energia atômica. Muito observadas são suas exportações. É sabido que nação que se interessa por tal água pensa em produzir armas. Com plutônio se produz&nbsp; um tipo de Bomba atômica.<BR>&nbsp; <BR>É só consultar a Internet. Água é H20, dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio. Mas na ‘pesada’, átomos de hidrogênio são substituídos por deutérios, isótopos. Água pesada permite que um reator opere com urânio natural como combustível, isto é, serve de atalho, economiza o custoso processo de enriquecimento do minério.<BR>&nbsp; <BR>Algumas curiosidades. A Internet informa que a produção de água pesada assemelha-se, na sua tecnologia, à produção de amônia, destilação de álcool. E até tem semelhanças com a produção de conhaque a partir do vinho. Argentina, Canadá, Índia e Noruega são produtores de água pesada. A Noruega foi a primeira, em 1934. Seu centro produtor e exportador foi pesadamente bombardeado durante a 2ª Guerra, para impedir que caísse sob o controle alemão, que tentava produzir a Bomba via água pesada. Canadá é o maior produtor atual, e também fabrica reatores que usam a tecnologia da água pesada para produzir energia elétrica.</P>
<P>Não faltam informações orientadoras. Bons cientistas sabem o que fazer. A produção da Bomba é questão de decisão política, dinheiro para os equipamentos e bons cientistas. O Irã tem do que se carece. É um vasto pais de um milhão e 600 mil quilômetros quadrados, cerca do tamanho do Alaska, 70 milhões de habitantes, quarto maior exportador de petróleo do mundo, rico em outros minerais, com montanhas de mais de cinco mil metros de altitude, sistema político teocrático de absoluta fé na sua crença que, pelas posições assumidas no mundo, mostra que se sente protegido. </P>
<P>Não há intenção de se recorrer à força para impedir o avanço do Irã. O recurso a armas convencionais é arriscado. Implicaria numa guerra que não teria apoio algum no atual contexto. De incalculáveis custos humanos e materiais. Armas nucleares transportadas pela frota americana nas proximidades equivalem a um poderio sem igual. Desde criadas, as armas atômicas só foram empregadas no ataque a duas cidades japonesas na Segunda Grande Guerra. Relativamente ao poder de destruição da época, é um nada diante do armamento americano atual. Seu uso é impensável.<BR>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <BR>O desafio iraniano deixado sem resposta desmoraliza decisivamente a influência anglo-americana no Oriente Médio. É inaceitável. Terá de haver uma saída para que isso se evite acontecer, pois resultaria num vazio perigoso no contexto internacional. Vazio que outros tentariam preencher, o que tenderia a resultar em conflitos ameaçadores para o mundo em geral. </P>
<P>Em verdade, nas condições atuais da distribuição de forças no mundo, o poder americano, a maior potência, odiado ou amado, ainda é essencial fator moderador de quaisquer tendências extremistas expansionistas que esperam sua vez. Basta imaginar, por exemplo, o que aconteceria em qualquer grande cidade com total ausência de policiamento e sem previsão de quando seria restabelecido.<BR>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; <BR>A questão não se limita ao Irã. O que acontecerá se os Estados Unidos tiverem de recuar&nbsp; como rabo entre as pernas?</P>]]></Texto>

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