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 <DataGeracaoArquivo>Ter, 15 Ago 2006 11:00:17 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Província indonésia de Aceh lembra um ano de paz]]></Titulo>
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 <Olho><![CDATA[Após quase três décadas de conflito  armado separatista, a província indonésia de Aceh lembra hoje um ano  de paz com grandes desafios pela frente, como a reinserção dos  rebeldes e a aplicação da polêmica Lei de Governo de Aceh.  ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[   O pacto assinado em Helsinque há um ano pelo Governo da Indonésia  e pelo Movimento para a libertação de Aceh (GAM, Gerakan Aceh  Merdeka) melhorou a situação desse território situado no norte da  ilha de Sumatra.  <br><br>   A cerimônia oficial aconteceu na praia de Ulee Lhee, a zona zero  do tsunami que matou 226.408 pessoas em mais de dez países, a maior  parte em Aceh, e que aconteceu em 26 de dezembro de 2004.  <br><br>   O vice-presidente indonésio, Jusuf Kalla, e o líder do GAM no  exílio, Malik Mahmud, fizeram soar uma sirene no momento exato em  que, há um ano, Governo e rebeldes assinaram o memorando de  entendimento em Helsinque.  <br><br>   Não só as negociações contribuíram para a paz na região, mas  também as centenas de milhões de dólares e euros investidos na  reconstrução de Aceh após o devastador tsunami.  <br><br>   "Há uma liberdade de movimentos nunca antes vista", disse à Efe a  diretora de programas em Aceh da Asia Foundation, Sandra Hamid.  <br><br>   "A população realmente quer a paz. Está cansada do conflito",  acrescentou Hamid.  <br><br>   "Os 30 anos de conflito se transformaram em um episódio histórico  superado. Esperamos que este acordo em Aceh nos leve a um futuro  brilhante", disse Mahmud.  <br><br>   Embora sejam poucos os que negam o rápido progresso dos últimos  12 meses, a população de Aceh é crítica ao avaliar o Governo  central.  <br><br>   Gritando "paz" e "paz para sempre", cerca de 200 mil pessoas,  segundo a emissora "Elshinta", concentraram-se hoje na Grande  Mesquita de Banda Aceh, a capital da província, e acusaram o Governo  de não ter respeitado as promessas feitas há um ano.  <br><br>   Entre as reclamações, está a demora no desembolso dos US$ 60  milhões anuais prometidos para ajudar na reinserção dos  ex-combatentes e na recuperação das comunidades atingidas.  <br><br>   Cerca de 3 mil combatentes saíram as montanhas e voltara para as  aldeias que eles abandonaram há anos ou décadas a fim de lutar pela  independência.  <br><br>   "Só 2% dos combatentes do GAM foram para as cidades. A maioria  foi para os povoados, está sem trabalho e são um peso para suas  famílias", explicou a especialista da Asia Foundation.  <br><br>   Alguns insurgentes optaram por trabalhar com a agricultura.  Outros, no entanto, foram atraídos pelo dinheiro rápido e fácil do  corte ilegal de árvores.  <br><br>   A paz abriu o acesso a empresas madeireiras e a fábricas de  celulose em florestas que, durante a rebelião, eram impenetráveis,  como disse recentemente o diretor-executivo da organização ecológica  Walhi, Chalid Muhammad.  <br><br>   A grande demanda de madeira para a reconstrução de dezenas de  milhares de casas destruídas pelo tsunami favoreceu também o aumento  do corte ilegal de árvores.  <br><br>   Outro desafio pendente é a aplicação da Lei de Governo de Aceh  (estatuto autônomo), aprovada pelo Parlamento indonésio em 11 de  julho, após meses de tensas deliberações.  <br><br>   A legislação foi duramente criticada por ex-representantes do GAM  e por várias organizações civis indonésias, que acusaram o Governo  de violar o que havia sido acordado no memorando de entendimento.  <br><br>   Nur Djalil, negociador do GAM, disse que a população de Aceh  poderia retomar as armas se a norma não for mudada.  <br><br>   "Vemos que várias coisas na lei não refletem o acordo de paz, mas  estamos felizes de ver que, comparado a um ano atrás, o povo de Aceh  vive uma vida normal", disse o antigo ministro de Exteriores do GAM  no exílio, Zaini Abdullah, ontem em Jacarta.  <br><br>   O processo de paz foi supervisado pela Missão de Observação de  Aceh (AMM, em inglês), liderada pela União Européia.  <br><br>   A AMM iniciará neste mês uma redução gradual do número de  observadores no terreno, e espera-se que os últimos deles saiam de  Aceh logo depois das eleições regionais, previstas para 10 de  dezembro.  <br><br>   O GAM anunciou que não concorrerá às eleições como partido  político, mas não descarta que vários de seus representantes  apresentem candidaturas independentes.  <br><br>   Apesar dos problemas, quase todos os participantes do processo de  paz se mostram comprometidos.  <br><br>   "Todos querem a paz. Por isso é possível crer que ela está aqui  para ficar", disse Hamid.]]></Texto>

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