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 <DataGeracaoArquivo>Qua, 2 Ago 2006 21:54:25 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Correspondente iG: No Oriente Médio, os ventos políticos estão em fase de definição]]></Titulo>
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 <NomeCredito>Nahum Sirotsky, correspondente iG em Israel</NomeCredito>
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 <Olho><![CDATA[ISRAEL – Os ventos políticos não parecem soprar a favor de Israel. Não se trata dos mais de duzentos morteiros lançados sobre o país na quarta-feira, um número recorde. Nem se questiona a superioridade militar de Israel. E sim se será possível resistir às crescentes pressões políticas internacionais numa direção não compatível com aquela que a atual liderança israelense considera essencial para uma solução favorável de sua guerra com o Hezbollah. ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Desde os primeiros momentos do choque destacou-se o óbvio. O começo foi a noticia que devo lembrar.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-spacerun: yes"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;&nbsp;&nbsp; </FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Hezbollah entrou em território israelense e raptou dois soldados. As forças israelenses da fronteira entram em território libanês em perseguição para libertarem os seus recrutas. Não tiveram sucesso. E a perseguição escalou na atual guerra entre Israel e Hezbollah com as conseqüências sobre o Líbano.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-spacerun: yes"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp; </FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Hezbollah é força guerrilheira libanesa, da seita muçulmana xiita, a mesma do Irã, criada por veteranos da guerra dos muçulmanos contra tropa soviética no Afeganistão. Tropa que sustentava um governo comunista que, para muçulmanos, sendo ateu, é inimigo e ofende ao Deus único, Alá, e as suas mensagens divinas transmitidas ao mundo por Maomé, o seu profeta e mensageiro.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os soviéticos acabaram derrotados. E a tropa, ao voltar para a União Soviética desmoralizada, contribuiu para a derrocada do sistema comunista russo. E o Talebã<SPAN style="mso-spacerun: yes">&nbsp; </SPAN>subiu ao Poder no Afeganistão e impôs um sistema teocrático, um governo de sacerdotes. No país assentou-se bin Laden, exilado, um dos heróis da guerra, que passou a inimigo público número um dos Estados Unidos e países não-muçulmanos. Inspirou um dos maiores atos de terrorismo da história, a destruição da Torres Gêmeas de Nova York. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O governo Bush declarou guerra ao terrorismo, invadiu o Afeganistão e, posteriormente, o Iraque de Saddam Hussein, ditador que derrubou. A invasão do Iraque resultou na guerra que ainda não terminou. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-spacerun: yes"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp; </FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Hezbollah, com apoio do Irã, persa, e da Síria, transformou-se num poder militar que ignora as leis do seu país, cujo governo optou por não se arriscar a enfrentá-lo. Assumiu o controle do sul do Líbano, fronteira norte de Israel. Os choques entre o Hezbollah e a tropa israelense na fronteira passaram a ser freqüentes. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O Hezbollah rejeita o direito de existência do estado judeu. Alega que ocupa terras sagradas, pois, por tradição, foi da Colina no Templo que ascendeu a Alá, Deus, que lhe revelou o Alcorão, o Livro Sagrado do Islã. Foi classificado de organização terrorista pelo seu programa e qualificado de instrumento estratégico do Irã, cujos líderes, os ayatolás, declaram ser seu objetivo a extinção do estado judeu e são inimigos mortais dos americanos. Ou eram.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-spacerun: yes"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; </FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O estado de Israel tem antigo conflito com os árabes palestinos, seus vizinhos na região sul, faixa de Gaza e Cisjordânia, o Braço Ocidental do rio Jordão. Mas haviam chegado a um reconhecimento do direito a coexistirem. A discussão chegara à questão das fronteiras entre os dois, tendo o “roteiro de paz” (road map), aprovado pelos Estados Unidos, Rússia, Europa e Nações Unidas, como orientação.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-spacerun: yes"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;&nbsp;&nbsp; </FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">O governo Bush, promovendo a tese da transformação dos estados árabes em democracias, pressionou os palestinos a realizarem eleições livres depois da morte do então maior líder palestino, Yasser Arafat. O Hamas, Partido de Resistência Palestino, ganhou as eleições com um programa de criar um estado palestino islâmico e destruir o estado judeu, programa semelhante ao do Hezbollah. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Já caracterizado como organização terrorista devido à sua tática de combater Israel com o emprego de homens-bomba, os suicidas, o Hamas foi isolado da Comunidade Internacional. E num ato audacioso raptou um soldado israelense, objeto de troca pela liberação de um número de prisioneiros palestinos. Israel rejeitou a proposta. E estava em choque com o Hamas quando o Hezbollah cometeu o seu rapto.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-spacerun: yes"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;&nbsp; </FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">É óbvio que Israel, baseando-se em sua vivência das tradições do Oriente Médio, está convencido de que, ao ceder às imposições do Hamas e do Hezbollah, daria sinais de fraqueza aos seus inimigos na região. Ficaria sem o poder de dissuasão – deterrente – da imagem de seu poderio, de correr risco de ser desafiado e ter de enfrentar mais uma guerra de âmbito regional e, certamente, vulnerável às inúmeras organizações islamitas de táticas terroristas.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-spacerun: yes"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;&nbsp;&nbsp; </FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Os Estados Unidos com todo o seu imenso poder não conseguiram derrotar a insurgência no Iraque ou obter o respeito do Irã. É provável que Israel tenha imaginado poder enfraquecer decisivamente o Hezbollah com as mesmas táticas que vêm aplicando contra o Hamas. Em algum ponto de sua reação houve algum lapso. A sua superioridade militar é notória, mas não tem impedido que continuem chovendo mísseis e morteiros do Hezbollah sobre a sua região Norte, na qual dois milhões de civis vivem e sofrem. Nem impede que continuem caindo Qassams, morteiros de fabricação caseira palestina, em centros urbanos de sua região sul. Talvez sejam questões que só se podem resolver por meios políticos. Os meios militares extremos, de guerra total, são inaplicáveis no atual contexto mundial.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-spacerun: yes"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;&nbsp;&nbsp; </FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">No caso do Hezbollah, o governo israelense anuncia que cessará suas operações<SPAN style="mso-spacerun: yes">&nbsp; </SPAN>militares no momento em que se concretize a hipótese de ser criada uma força internacional com poderes de atirar e que seria assentada ao longo das linhas de suas fronteiras com o Líbano. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Mas existem pressões para que primeiro se decrete um cessar-fogo que, sem dúvida alguma, considerando-se o passado da região, pode ser proclamado pelo Hezbollah como vitória sua, e vir a ser modelo de ação para grupos afins agirem por todo o Oriente Médio visando implantar governos de sistemas islâmicos como o Irã, seu objetivo. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">E existe tal possibilidade, se o cessar-fogo não for base para um acordo de longo prazo com o Líbano, de retomada de negociações para a solução do conflito com os palestinos, talvez, uma aceitação por todo o mundo árabe da existência do estado judeu como um fato consumado. Tudo é possível mesmo que não muito provável.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><o:p><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">&nbsp;</FONT></o:p></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif">Algo deve ter convencido os Estados Unidos a aceitarem tal hipótese. Não se sabe o que, talvez cansaço físico e econômico de guerras. Mas, seja o que vier a acontecer, o rapto de dois soldados tende a mudar as relações internacionais no Oriente Médio, só ainda não se sabe se para melhor ou pior. </FONT></P>]]></Texto>

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