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 <DataGeracaoArquivo>Ter, 4 Abr 2006 15:01:38 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Saiba como usurpar a oportunidade de outro dos rivais]]></Titulo>
 <PalavrasChave><![CDATA[]]></PalavrasChave>
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 <Olho><![CDATA[<P>Por Donald N. Sull </P>
<P>Parte 8 </P>
<P>Durante períodos de espera ativa, é preciso focar avanços operacionais de rotina — cortar custos, fortalecer a distribuição, melhorar produtos. Falta a essas iniciativas triviais o drama, o tudo-ou-nada de sobreviver a uma crise ou agarrar uma oportunidade de ouro. O efeito cumulativo de acertar em empreitadas banais pode, contudo, ser decisivo a longo prazo. Não porque a eficiência, por si só, ganhe o jogo — raramente ganha. Mas, antes, porque a eficiência operacional pode posicionar a empresa para usurpar das garras das rivais a oportunidade de ouro. </P>]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P>Quando assumiu a presidência da Brahma, em 1989, Marcel Telles evitou estratégias e visões grandiosas — aliás, um de seus primeiros atos foi suspender um projeto de consultoria estratégica. </P>
<P>Em vez disso, definiu três grandes prioridades para a empresa a cada ano. Nos primeiros anos, Telles priorizou avanços operacionais agressivos, como melhorar a qualidade do produto, racionalizar a planta da fábrica, consolidar a distribuição e reduzir os quadros. </P>
<P>Uma pressão incessante para a execução voltada a um pequeno número de prioridades permitiu à fabricante de cerveja fechar o vão de eficiência e montar uma reserva para emergências no intervalo de cinco anos, enquanto a rival Antarctica baixava a guarda. </P>
<P>Surgiu então uma oportunidade de ouro. Em 1994, o governo conseguiu conter a hiperinflação (que chegara a bater os 2.000% ao ano), aumentando assim a renda disponível da população. O consumidor resolveu aproveitar o novo poder aquisitivo para comprar mais cerveja, elevando o consumo médio anual em 60% em dois anos. </P>
<P>Ao mesmo tempo, altas tarifas limitavam as importações. Os avanços operacionais da Brahma permitiram que agarrasse a oportunidade antes da rival, acomodada. A Brahma elevou rapidamente a capacidade de produção, acelerou investimentos na segunda marca, a Skol — para crescer também na ponta mais popular — e adquiriu uma vantagem importante em relação à Antarctica. </P>
<P>A eficiência operacional permitiu ainda que a Brahma enfrentasse ameaças de morte súbita. No fim da década de 1990, rivais novas, de baixo custo, iniciaram uma feroz guerra de preços no mercado brasileiro de cerveja. </P>
<P>Essa batalha coincidiu com a pesada desvalorização da moeda brasileira, que duplicou, para empresas locais com dívida em dólar, o custo do serviço dessa dívida. A Brahma só conseguiu enfrentar a guerra de preços porque tinha reduzido incessantemente os custos fixos nos anos de relativa calmaria. </P>
<P>Podia recorrer à reserva em dinheiro para se proteger do revés cambial. Já a Antarctica, com custos fixos elevados, era vulnerável a cortes nos preços; com um balancete precário, não tinha como se proteger. Com a rival debilitada por uma crise financeira, a Brahma entrou em cena e a comprou, dando origem à AmBev. </P>
<P>Durante fases de relativa tranqüilidade, tanto gestores quanto o pessoal costumam deixar a pressão cair, tentação compreensível, mas letal. Voltemos ao caso da Haier, que em 1984 era uma modesta fabricante de geladeiras controlada pelo pessoal e hoje é a quinta maior fabricante de linha branca do mundo. Em períodos de espera ativa, a Haier recorre à exibição pública de seu desempenho em relação às metas para manter a pressão elevada. </P>
<P>Todo gerente é avaliado mensalmente com base nas metas acordadas e classificado em relação aos pares. A Haier exibe fotos de todos os gerentes de uma divisão, acompanhadas do ranking naquele mês e de uma caretinha alegre ou tristonha, para denotar seu desempenho. O sistema abarca todo mundo, até o topo da organização. </P>
<P>Não me entendam mal. Não estou dizendo que a execução é mais importante que a estratégia — aliás, execução versus estratégia é uma falsa dicotomia. Em mercados imprevisíveis, a execução é estratégica. </P>
<P>Avanços operacionais mantêm a empresa no páreo. Quem sustenta a pressão durante fases de calmaria pode superar rivais menos eficientes quando surge a ameaça de morte súbita ou capitalizar oportunidades de ouro de um modo inviável para empresas menos hábeis. </P>
<P>Já a empresa que depende apenas da execução vai, com o tempo, perder terreno para adversárias eficientes que também podem se valer de oportunidades de ouro nascentes. </P>
<P><B>Donald N. Sull</B> é professor associado de prática administrativa na London Business School. Seu livro mais recente é Made in China: What Western Managers Can Learn from Trailblazing Chinese Entrepreneurs (Harvard Business School Press, 2005). </P>]]></Texto>

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