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 <DataGeracaoArquivo>Qui, 14 Dez 2006 12:13:23 -0200</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Congresso: um aumento longe demais]]></Titulo>
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 <NomeCanal>Colunista - Franklin Martins</NomeCanal>
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 <Olho><![CDATA[A proposta de elevação dos salários dos parlamentares dos atuais R$ 12.847 para R$ 24.600 mensais, sob o pretexto de equipará-los aos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal, é acintosa. Se for aprovada pelos plenários da Câmara e do Senado, o Congresso estará demonstrando total falta de sensibilidade política. ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P>Se ela for colocada em prática mediante uma simples canetada dos presidentes das mesas do Senado e da Câmara, como querem os vivaldinos de plantão, será pior ainda: estaremos diante de uma esperteza que ainda vai dar panos para as mangas. </P>
<P>Não há nada que justifique que deputados e senadores tenham de receber o mesmo que os ministros do STF. Os vencimentos dos ministros do Supremo são um teto e não um imã para as remunerações dos membros dos demais poderes. Não há, portanto, qualquer amparo legal no raciocínio de que ministros de estado e deputados e senadores estariam obrigados a receber o mesmo que os integrantes da cúpula do Poder Judiciário. Se o Congresso decidir pelo aumento para R$ 24.600 mensais, é porque quis assim. Que assuma as conseqüências políticas pela decisão. </P>
<P>Até porque, na prática, os deputados e senadores não ganham apenas R$ 12.847. A esse valor, devem ser agregados R$ 15.000, percebidos a título de "verba indenizatória". Basta que eles apresentem notas fiscais de gastos efetuados no exercício do mandato – aluguel de carros, despesas de gasolina, hotéis, restaurantes, serviços de terceiros etc – para que os recursos sejam depositados em suas contas bancárias.&nbsp; </P>
<P>Os parlamentares sérios não produzem notas fiscais fajutas para lastrear o recebimento dessa verba, mas entre os espertalhões é corrente a indústria de comprovantes frios, como já foi amplamente demonstrado pela imprensa, sem que houvesse punições. Mas, seja como for, de uma forma ou de outra, a "verba indenizatória", criada por Aécio Neves, quando presidente da Câmara, é uma experiência que não deu certo. Decididamente converteu-se num "segundo salário", paralelo ao primeiro – sobre o qual não se paga imposto e não há descontos.&nbsp; </P>
<P>Somando os dois salários, deputados e senadores já estouram o teto dos vencimentos no serviço público em mais de quatro mil reais. Assim, os defensores da tese da equiparação, se quisessem ser coerentes com ela, deveriam estar propondo uma troca: a remuneração dos parlamentares seria igual a dos ministros do STF, mas a vexaminosa "verba indenizatória" seria imediatamente extinta. Mas, qual o quê ... O que querem é acumular vantagens financeiras.</P>
<P>O único argumento válido nessa história toda é o de que os parlamentares estão sem aumento há quatro anos e estamos na época estabelecida na Constituição para a aprovação dos reajustes: o final da legislatura. Mas isso apenas indica que é razoável e legal a votação de um aumento no momento; nunca que ele tenha de atingir os níveis estratosféricos embutidos na idéia de equiparação. Tanto que há outra proposta em discussão, a que eleva os salários para R$ 16.500 – na prática, apenas repõe-se a inflação acumulada no período. </P>
<P>Por que não adota-la? Por que não abrir uma discussão para extinguir de uma vez por todas com o cambalacho da verba indenizatória? </P>
<P><A title=http://www.franklinmartins.com.br href="http://www.franklinmartins.com.br/">Clique aqui</A> para conhecer o site do colunista<BR></P>]]></Texto>

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