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 <Codigo>2533456</Codigo>

 <MetaData>10:54:28 25/09/2006</MetaData>
 <DataGeracaoArquivo>Seg, 25 Set 2006 12:40:14 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Na reta final, é preciso muito cuidado para não se envenenar o País]]></Titulo>
 <PalavrasChave><![CDATA[]]></PalavrasChave>
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 <NomeCanal>Colunista - Franklin Martins</NomeCanal>
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 <Olho><![CDATA[Pretendia escrever a coluna de hoje sobre as discrepâncias entre as mais recentes pesquisas do Ibope e do Datafolha. Mas mudei de idéia ao ler matéria publicada no Estadão desta segunda-feira sob o título “Rigor com a corrupção na política varia com região e condição social” e o subtítulo “Eleitor do Nordeste expressa maior tolerância com desvios do que o do Sudeste”. É séria candidata ao primeiro lugar da campanha “Vamos envenenar este País” em curso em muitos jornalões brasileiros. ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P>Jogando com números de uma pesquisa do Ibope que não prova nada, a matéria tenta sustentar a tese de que os nordestinos, os pobres e os negros dão menor valor à questão ética do que os habitantes do “Sul Maravilha”, os ricos e os pobres. Diz o Estadão: “No Nordeste, 10% dos eleitores declaram que votariam em político acusado de corrupção – índice próximo do Norte/Centro-Oeste, que é de 9%. No Sul e no Sudeste, esses índices são de 6% e 7%, respectivamente”. </P>
<P>Na realidade, as variações são mínimas, estão dentro da margem de erro da pesquisa e não indicam absolutamente nada. Aliás, se alguma coisa pode se depreender desses números é que, na valoração da questão ética, há um padrão razoavelmente homogêneo nas diferentes regiões do País – e não o contrário.&nbsp;&nbsp; </P>
<P>Mas há mais. O Estadão avalia também que a pesquisa do Ibope permite estabelecer relação entre cor de pele e rigor moral: “Os que se autodeclaram brancos são mais implacáveis com a ética: 88% não votariam num corrupto; os que se autodeclaram pardos cobram menos e 85% não votariam em indiciados por corrupção; mas os que se autodeclaram pretos são os menos rígidos com a ética: só 82% negam o voto a corruptos”.&nbsp; Queira-se ou não, a idéia que se passa é de que, quanto mais escurinha for a cor da pele, maior será a frouxidão com valores éticos.</P>
<P>Tenha a santa paciência. Está claro que o jornal tinha uma tese. Encomendou a pesquisa para dar-lhe sustentação, digamos, científica. O levantamento, porém, não comprovou o postulado (ou o preconceito).&nbsp; Se houvesse bom senso, arquivava-se o assunto. Mas, como alguém quer provar, sabe-se lá por quê, que o povão não “está nem aí” para a corrupção e que nossa elite tem padrões morais dignos de Catão, a pesquisa rendeu matéria.</P>
<P>Mais um pouco e descobriremos que os pobres, os nordestinos e os negros são os responsáveis pela corrupção no país, que os ricos não têm nada a ver com isso, que em São Paulo nunca se pagou nem se recebeu propina e que os brancos sempre repeliram com veemência a idéia de pagar ou de levar um “por fora”. </P>
<P>Não sei por quê, mas lembrei-me do samba “Não é conselho”, de Dário Augusto e Nilcéia Gomes, gravado em 1993 pelo grande Bezerra da Silva, que pode ser ouvido aqui. A letra diz o seguinte: </P>
<P target="_blank"><A href="http://www.franklinmartins.com.br/som_na_caixa_gravacao.php?titulo=nao-e-conselho">Clique aqui</A> para ouvir</P>
<P>“<EM>É, doutor, isso é um alô,<BR>Não é um conselho,<BR>Mas não foi o preto quem botou<BR>O meu Brasil no vermelho<BR>Quando a coisa não vai bem<BR>Eles dizem logo que está preta<BR>Mas não foi o preto que travou<BR>A grana da caderneta<BR>Juro alto, inflação,<BR>Mutretagem, mordomia<BR>Mão não foi o preto<BR>Quem botou o povão nessa agonia</EM>..."</P>
<P>Como a maioria dos sambas cantados por Bezerra da Silva nessa fase, ele pega pesado. Pessoalmente, acho o voto nulo um erro. Sempre há um nome melhor (ou menos pior) do que os outros nas eleições majoritárias. E há muitos candidatos a deputado que merecem nossos votos. </P>
<P>Mas que tem gente pegando pesado demais nessa campanha, tem. Como dizem os jovens: “menos, gente, menos”. É muito fácil envenenar um país, e muito difícil desintoxicá-lo depois. É como o adolescente que cai na droga. Para entrar na onda, bastam meses (e alguma revolta). Para sair dela, às vezes, são necessários anos (e muito sofrimento). </P>
<P target="_blank">PS: Quem estiver interessado nas discrepâncias entre as pesquisas do Ibope e do Datafolha, <A href="http://www.franklinmartins.com.br/post.php?titulo=ibope-e-datafolha-apontam-tendencias-diferentes">clique aqui</A> e leia meu comentário no Jornal da Band, sábado à noite. Resume o que penso sobre o assunto.<BR></P>
<P target="_blank"><A href="http://www.franklinmartins.com.br/" target=_blank>Clique aqui</A> para conhecer o site de Franklin Martins</P>]]></Texto>

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