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 <DataGeracaoArquivo>Sex, 8 Set 2006 11:38:06 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[No dia da parada, FH faz soar o dobre de finados por Alckmin]]></Titulo>
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 <NomeCanal>Colunista - Franklin Martins</NomeCanal>
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 <Olho><![CDATA[Nesta semana, avolumaram-se os sinais de que as cúpulas do PSDB e do PFL jogaram a toalha na disputa presidencial. O primeiro a mostrar desalento foi Jorge Bornhausen, ao declarar que, passadas as eleições, tucanos e pefelistas deveriam desfazer a banda em que tocaram juntos durante uns bons doze ou treze anos, retomando suas carreiras solo. ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P>Depois, deu-se a escorregada do senador Heráclito Fortes, dizendo, para depois se desdizer, que a candidatura de Geraldo Alckmin parece uma canoa furada. Em seguida, veio a decisão dos caciques que compõem o conselho político da campanha. Anunciaram que, a partir de agora, se dedicarão a correr atrás de votos em seus estados, em vez de tentar influir nos rumos nacionais da corrida presidencial. Ou seja, cada qual tratará de minimizar os estragos no seu quintal. A maré não está para peixe.</P>
<P>Mas nada foi mais revelador desse clima de desalento do que a carta aberta aos militantes do PSDB divulgada ontem por Fernando Henrique. Esperava-se de um comandante experiente como o ex-presidente um toque de clarim que reunisse a tropa para o contra-ataque ou anunciasse, na undécima hora, a chegada salvadora da cavalaria. Mas não, o texto soa como um dobre de finados pela candidatura de Alckmin. </P>
<P>Constata o ex-presidente com amargura: “Nós do PSDB não fomos suficientemente firmes na denúncia política de todo esse descalabro (ético) no momento adequado. Não será agora, durante a campanha eleitoral, que conseguiremos despertar a população. Mas, para nos diferenciarmos da podridão reinante, temos a obrigação moral de não calar (...). Erramos no início, quando quisemos tapar o sol com a peneira no caso do senador Azeredo”. </P>
<P>Para quem, há apenas dez dias, afirmava “é fogo no palheiro, vamos botar fogo no Brasil, no bom sentido, e mostrar que vamos liquidar essa diferença nas pesquisas”, trata-se de uma mudança e tanto.&nbsp; Em pouco mais de uma semana, a carta da ética, antes apresentada como a salvação da lavoura, transformou-se num dever cívico, numa “obrigação moral”, que se cumpre por honra da firma. </P>
<P>No resto da carta, o ex-presidente fala do passado e do futuro. Do passado, para defender seu governo. Do futuro, para alinhavar idéias em torno de temas como o voto distrital, segurança pública, educação, saúde e políticas sociais. Não há no texto de Fernando Henrique nenhuma chispa de confiança na vitória, nenhuma palavra sobre um hipotético governo Alckmin, nenhum parágrafo conclamando o partido a cerrar fileiras em torno do candidato. Do princípio ao fim, passa-se a idéia de que a derrota é certa. Trata-se de um verdadeiro epitáfio da candidatura Alckmin.</P>
<P>Fica no ar uma pergunta, a que aparece em todos os romances policiais: a cui prodest? A quem interessa a carta de FH? Certamente, não interessa a Alckmin, que precisa de amigos que o apóiem na reta final de uma campanha problemática, e não de aliados que lhe passem atestados de óbito antes do tempo. Interessa a Serra? Não creio. Para ele, no momento, quanto menos marola, melhor. Interessa a Aécio? É pouco provável, Fernando Henrique não joga o jogo de Aécio.</P>
<P>Por que raios, então, o ex-presidente fez questão de ser o primeiro a subir ao campanário para anunciar ao mundo a morte da candidatura Alckmin? </P>
<P>Vá lá se entender a natureza humana ...</P>]]></Texto>

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