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 <Titulo><![CDATA[Bola Virtual: Jovens, rejuvenesçam!]]></Titulo>
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 <Olho><![CDATA[O dramaturgo e cronista Nelson Rodrigues deliciava-se em espicaçar os jovens nos efervescentes anos 60, em plena revolução que virou as sociedades do avesso. Sim, porque até então, quem ditava a moda (artes, costumes, atitudes, gostos, linguagem etc.) era o adulto; ao jovem, simplesmente, cabia seguir no rastro do adulto. A partir daqueles tumultuados anos 60, a coisa se inverteu: o jovem tomou a vanguarda e passou a representar o padrão que o velho tenta imitar até o apito final. ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P><BR>E, uma das sacadas geniais de Nelson Rodrigues que ficou para a história foi tirada durante entrevista ao saudoso Otto Lara Rezende, na TV Globo. Quando instado a enviar uma mensagem final para os jovens do Brasil, Nelson forçou um close no rosto bovino e rosnou num tom soturno e rascante: “Jovens do meu Brasil: envelheçam. Envelheçam, rapidamente!”.<BR><BR>Pois, permitam-me inverter os sinais nesta paródia da célebre frase do mestre, ao me dirigir aos jovens cronistas de futebol deste país: “Jovens cronistas do meu Brasil: rejuvenesçam. Rejuvenesçam, rapidamente!”.<BR><BR>Sim, porque o que tenho observado nesta nova, brava e competente geração é uma atitude diante do futebol que ultrapassa o conservadorismo e raia o reacionarismo. Quase todos se me assemelham a circunspectos e sisudos senhores de antanho, impregnados de empedernido pragmatismo, examinando o jogo da bola, essa maravilhosa brincadeira inventada pela criança que nunca morre em cada um de nós, com um pince-nez virtual.<BR><BR>Só o resultado importa. E, para obtê-lo, tudo vale. <BR><BR>É proibido arriscar, inventar, ousar. Qualquer firula, qualquer drible que fuja ao roteiro convencional é censurado no ato por essa vasta bancada de ascetas, que por sua vez absolvem, com os olhos pousados no horizonte, o perna de pau que gruda, pega, bate, agarra o craque a todo momento. Isso faz parte de um jogo de contato, murmuram a seus botões.<BR><BR>Ainda outro dia, ouvi de um deles – o meu querido e prestigioso Cléber Machado – que o futebol de hoje em dia é esse aí mesmo: pegado, corrido, suado, em que os espaços para a inventividade e o brilho, individuais ou coletivos, se reduziram a quase zero. Quem gostar desse jogo, desse jeitinho, tudo bem. Quem não gostar que vá ao balé, ao circo, sei lá.<BR><BR>Discordo. Pois continuo achando que é dever do cronista do futebol exigir sempre o aperfeiçoamento do jogo, para benefício de quem paga por ele e se diverte com ele. Tem como obrigação de cobrar beleza onde só existe competitividade, já que o futebol é uma moeda de duas faces inseparáveis – uma, representa a transpiração, o combate pela conquista do objeto de desejo do jogo – a bola; outro, a inspiração, o talento para fazer o inimaginável com ela quando de posse dela.<BR><BR>Aceitar esse status é render-se a uma dessas faces, passivamente, como um velho sem esperanças, a quem resta apenas ficar contemplando os dias que o separam da hora final.</P>]]></Texto>

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