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 <Titulo><![CDATA[Perfil da dívida da AL é mais importante que o montante, diz BID]]></Titulo>
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 <NomeFonte><![CDATA[Agência EFE]]></NomeFonte>
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 <Olho><![CDATA[A grande fraqueza dos países da  América Latina é o perfil "perigoso" de sua dívida, e nem tanto o  nível desta, disse hoje o Banco Interamericano de Desenvolvimento  (BID) em relatório no qual refuta a visão de que a região tem uma  aversão "genética" ao endividamento.  ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[   A idéia de que a América Latina é incapaz, por natureza, de  suportar um alto volume de títulos soberanos foi a explicação dada  em 2003 por economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) ao  paradoxo de que a região sofresse freqüentes crises financeiras  quando seu nível de dívida não é maior do que em outros lugares.  <br><br>   Por exemplo, a dívida dos países desenvolvidos ronda os 60% do  Produto Interno Bruto (PIB), e, ao mesmo tempo, seus títulos  públicos têm as melhores avaliações das agências de classificação de  risco.  <br><br>   Os casos extremos são Bélgica, Itália e Japão, onde o  endividamento supera 100% do PIB.  <br><br>   Em comparação, na América Latina a dívida média é de 45% do PIB,  após as reduções observadas nos últimos anos.  <br><br>   Os casos extremos são a Guatemala, onde a relação dívida/PIB é de  apenas 14%, e o México, com 26%, contra 70% da Argentina e 58% do  Equador, segundo o BID.  <br><br>   No Brasil, segundo informou na semana passada o Banco Central, a  relação dívida/PIB é de 50,1%.  <br><br>   No entanto, apenas o Chile, com uma dívida de 13,7% do PIB, obtém  uma avaliação acima da "linha de investimento" da agência de  classificação de risco Standard &amp; Poor's. Isso significa que comprar  títulos do resto da região é considerado "especulação".  <br><br>   A razão é a tendência regional a suspender pagamentos porque os  Governos são incapazes de tramitar bem suas obrigações, segundo  disseram analistas do FMI, liderados por seu economista-chefe,  Kenneth Rogoff, em estudo de 2003.  <br><br>   Os analistas afirmaram que a América Latina sofre de  "intolerância à dívida", uma incompatibilidade tão real como a  intolerância de algumas pessoas à lactose, e não consegue suportar  níveis de dívida superiores a 15% ou 20% do PIB.  <br><br>   Adotar esta visão representa um alto custo para os cidadãos. Para  chegar a essas porcentagens, os Governos precisam investir menos em  saúde e educação, setores que melhoram as perspectivas de  crescimento futuro da economia, além de sua importância humana, e em  infra-estrutura, no qual muitos projetos têm grandes frutos  econômicos.  <br><br>   O BID entrou hoje nesse debate com seu mais importante estudo  anual, intitulado  "Viver com dívida".  <br><br>   A conclusão, segundo Eduardo Borensztein, um dos autores do  estudo, é que "a estrutura da dívida é importante, inclusive mais  importante do que o próprio nível da dívida".  <br><br>   A América Latina não tem uma aversão "genética" à dívida, segundo  o estudo. Na verdade, os tipos de títulos públicos emitidos pelos  países da região são muito sensíveis a efeitos externos imprevistos,  de acordo com o BID.  <br><br>   Entre "80% e 90%" dos títulos da região têm juros variáveis ou em  moeda estrangeira, explicou Borensztein, o que faz com que a dívida  "exploda" quando aumenta a taxa de juros nos EUA e varie junto com a  taxa de câmbio.  <br><br>   O peso também aumenta quando caem os preços dos produtos de  exportação mais importantes da região, como o petróleo no caso da  Venezuela e o ouro no do Peru.  <br><br>   Outra fonte de saltos drásticos na dívida, segundo o estudo, são  as intervenções públicas para resolver crises financeiras, como no  caso da República Dominicana, onde aquela passou de 25% do PIB, em  2002, para 55%, em 2003.  <br><br>   O BID conclui que os déficit fiscais têm uma importância  secundária, uma idéia que deve estremecer o FMI.  <br><br>   Recomendou que os países se concentrem na melhora do perfil da  dívida, com emissões em juros fixos na moeda nacional, em vez de em  dólares, mesmo que tenham que oferecer aos investidores uma taxa de  rentabilidade mais alta.  <br><br>   "Os mercados latino-americanos destes bônus estão muito pouco  desenvolvidos", ao contrário do que ocorre com os asiáticos, afirmou  Barry Eichengreen, economista da Universidade da Califórnia.  <br><br>   Para abrir o caminho, os autores do estudo aconselham organismos  como o BID a emitir esse tipo de dívida para financiar suas  operações.  <br><br>   Também sugerem o uso de bônus ligados ao aumento do PIB, como fez  a Argentina, ou aos preços das matérias-primas, que pagam mais juros  quando o país tem bom desempenho e menos quando a economia nacional  não atravessa um bom momento.]]></Texto>

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