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 <Titulo><![CDATA[Japão: novo premier tem um quebra-cabeça fiscal para resolver]]></Titulo>
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 <Olho><![CDATA[<p>O próximo primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, se verá, logo que assumir o cargo, diante de um complexo quebra-cabeça político: como liquidar a gigantesca dívida pública do arquipélago sem se tornar impopular aumentando os impostos ou cortando os gastos com programas sociais.</p>]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<p>Menos carismático que seu antecessor Junichiro Koizumi, Abe terá de ter muita habilidade para resolver a questão, no momento em que os japoneses se queixam do aumento das disparidades sociais e das dolorosas reformas fiscais, advertem analistas.</p><p>"Com Koizumi, os orçamentos foram reduzidos, e isto foi aceito porque se tratava de Koizumi", explica Takahide Kiuchi, economista da Nomura Securities, acrescentando "que a situação agora é diferente".</p><p>Shinzo Abe herda uma economia em recuperação após uma década de estagnação, mas também vários problemas graves: uma dívida pública colossal de 170% do PIB (Produto Interno Bruto), recorde absoluto para um país desenvolvido, um gigantesco déficit orçamentário, e poucos meios para lidar com tudo isso.</p><p>Abe vem se mostrando pouco claro em suas declarações sobre como solucionar a espinhosa questão das finanças públicas do país. Ele se limitou a indicar que continuará reduzindo os gastos públicos, como Koizumi vem fazendo.</p><p>"Mas, a partir de um determinado ponto, não poderemos mais reduzir gastos sem tocar em programas sociais", disse Gerry Curtis, professor da Universidade de Columbia. "Se o governo quiser um Estado de bem-estar à moda japonesa, terá inevitavelmente de aumentar os impostos", continuou.</p><p>A pressão fiscal no Japão é sensivelmente menor que em outros países: representa 23% do PIB, contra por exemplo 36,4% na França.</p><p>O imposto sobre as sociedades é comparável ao de outros países desenvolvidos, mas o imposto sobre a renda é notavelmente menor, igual ao IVA, em torno de 5%, contra 15% ou mais na Europa.</p><p>Várias organizações internacionais como a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômicos) e o FMI (Fundo Monetário Internacional) vêm insistindo para que Tóquio aumente seus impostos para reduzir sua dívida. Mas adotar esta medida não é nada fácil.</p><p>"O Japão precisa de flexibilidade fiscal, pois os gastos aumentarão com o envelhecimento da população, e ficará difícil aumentar os impostos se os gastos sociais forem cortados", James McCormack, analista de Fitch Ratings.</p><p>A menos de um ano das eleições para o Senado, consideradas de alto risco para Abe, qualquer medida fiscal impopular "poderá aumentar as probabilidades de uma derrota nas urnas", destaca Hiromichi Shirakawa, economista do Crédit Suisse, dizendo que "é praticamente impossível o governo aumentar o IVA antes de 2010".</p><p>Segundo Shirakawa, o governo Abe deve muito provavelmente partir do princípio de que um crescimento econômico forte aumentará sua arrecadação fiscal e, com isso, o país alcançará um equilíbrio orçamentário em 2011, como se comprometeu Koizumi.</p><p>Mas esta tese pode falhar se a demanda dos Estados Unidos, um dos motores do crescimento japonês, sofrer uma desaceleração.</p><p>O analista prevê ainda que, se Abe quiser manter as taxas de juros muito baixas, terá relações conturbadas com o Banco do Japão (banco central).</p>]]></Texto>

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