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 <Titulo><![CDATA[Brasil precisa de mais crescimento para ter 'upgrade']]></Titulo>
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 <NomeFonte><![CDATA[Agência Estado]]></NomeFonte>
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 <Olho><![CDATA[Se o próximo presidente da República quiser exibir o trunfo do "grau de investimento" durante seu mandato, ele vai ter que pôr o Brasil para crescer bem mais do que parcos 3% ao ano. E, para isso, o novo governo não vai escapar das dolorosas reformas necessárias, principalmente de um ajuste fiscal mais profundo e de maior qualidade.]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<p>Esse é o diagnóstico das três principais agências de classificação de risco, responsáveis pelo cobiçado carimbo de grau de investimento, que equivale a um sinal verde para os investidores e reduz o custo de captação de recursos. A Standard & Poor's, a Fitch e a Moody's esquadrinham os indicadores econômicos dos países e as perspectivas das economias de 100 nações para elaborar seus pareceres.<p><p>Segundo analistas ouvidos pelo jornal O Estado de S.Paulo, existe a possibilidade de o Brasil ser promovido a grau de investimento até 2010 - mas não será nada fácil. "A diferença é que, dois ou três anos atrás, seria impossível pensar no Brasil chegando a grau de investimento", diz Mauro Leos, da Moody's. "Agora, com todas as melhoras do País, já se pode falar nisso."<p><p>Para Lisa Schineller, diretora de rating soberano da Standard & Poor's, países na mesma faixa de classificação do Brasil hoje levam, em média, 5 anos para chegar ao grau de investimento. Mas o México levou 7 anos e a África do Sul, pouco menos que seis anos - os dois países têm taxas de crescimento relativamente baixas, semelhantes às brasileiras. Outros países, como a Rússia e o Casaquistão, chegaram ao grau de investimento em apenas 3 anos. Mas eles crescem muito rápido e foram beneficiados pelos altos preços do petróleo.<p><p>"O principal é melhorar o lado fiscal", diz Lisa. "Com a redução do endividamento e dos gastos do governo, além de diminuição da carga tributária, seria possível ter uma queda nas taxas de juros, que permitiria um crescimento mais acelerado."<p><p>Para Roger Scher, responsável pela área de Ratings Soberanos da América Latina da Fitch, o maior obstáculo para a promoção do Brasil a grau de investimento é o baixo crescimento do PIB. O crescimento médio do Brasil nos últimos 10 anos foi de 2% a 3%. Este ano, deve chegar a 3,5%. A média de crescimento dos países com a mesma classificação que o Brasil é 5,8%.<p><p>"É preciso fazer as reformas que vão possibilitar esse maior crescimento", diz Scher. Um crescimento maior ajudaria a reduzir a relação dívida PIB. Além disso, sem expansão mais rápida do PIB, será difícil equacionar o problema de má distribuição de renda no País e investir em infra-estrutura.<p><p>"O próximo governo precisa pôr na agenda um banco central independente, reforma trabalhista, tributária e da Previdência, se o País quer crescer mais e chegar a grau de investimento", diz Scher. Segundo ele, o "Brasil está correndo, correndo, só para ficar parado no mesmo lugar." "Para realmente andar pra frente, precisa fazer mais do que está fazendo, e isso implica reformas estruturais." Scher diz que, desde 2004, não há avanço nas reformas.<p><p>Mesmo assim, há que se dar o crédito devido. A promoção para grau de investimento nunca esteve tão próxima, por causa de uma série de progressos dos últimos anos. A principal foi a redução da vulnerabilidade externa - o Brasil passou de déficits em conta corrente para superávit, graças ao ótimo desempenho das exportações. Houve também uma melhora da estrutura da dívida doméstica, com redução da parcela indexada à taxa Selic, eliminação da parte atrelada ao dólar e aumento dos prazos. Mesmo a relação dívida PIB, ainda alta em cerca de 50%, era de 70%. A dívida externa do setor público caiu de 100% do PIB para menos de 20%. "O setor público se desalavancou", diz Lisa.<p><p>BRICs<p><p>Fora o Brasil, todos os outros chamados BRICs são grau de investimento. Um relatório preparado por economistas da Goldman Sachs há três anos projetou que Brasil, Rússia, Índia e China (batizados de BRICs) terão o maior crescimento entre os países do mundo e se tornarão as maiores economias globais neste século.<p><p>Entre os BRICs, a China é a que tem a melhor classificação, seguida de Rússia e Índia. "O fato é que o Brasil ainda é mais arriscado do que todos os outros BRICs, em termos de capacidade do governo de pagar suas dívidas", diz Lisa.<p><p>A China, por exemplo, tem um sistema financeiro problemático, cheio de créditos podres, e riscos políticos, por causa do regime autoritário. Mas a inflação do país e a dívida do governo são muito baixas (ver arte) e a economia cresce 10% ao ano. E, o principal: tem reservas de mais de US$ 800 bilhões, que deixam qualquer credor tranqüilo.<p><p>A Rússia também tem riscos políticos e problemas de propriedade privada, como mostrou o caso Yukos. Mas o país tem enormes reservas de petróleo, o governo tem um superávit nominal do orçamento de mais de 6% do PIB e um superávit em conta corrente de 10,6%.<p><p>A Índia é o caso mais controverso, porque tem problemas de déficit orçamentário, infra-estrutura e legislação trabalhista. O déficit do governo foi de 7% do PIB, superior ao brasileiro, e a relação dívida bruta sobre o PIB é de 82,5%, também acima do Brasil. Mas o país praticamente não tem dívida externa, sua taxa de juro real é baixa e a poupança é alta. E, principalmente, a Índia cresce 8% ao ano. "Com essa taxa de crescimento, a Índia terá a mesma relação dívida PIB que o Brasil em três anos", diz Scher.]]></Texto>

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