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 <DataGeracaoArquivo>Seg, 31 Jul 2006 09:10:44 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Análise: Cena externa pode anular sinal do Copom]]></Titulo>
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 <Olho><![CDATA[SÃO PAULO - Foi precipitada a decisão do Banco Central de sinalizar na última ata do Copom sua intenção de desacelerar o ritmo de queda da Selic

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 <Texto><![CDATA[<p> Divulgado na quinta-feira, o documento referente ao encontro do dia 19 de julho não deixou dúvidas às instituições: na reunião do dia 30 de agosto, o ritmo de corte do juro cairá do 0,50 ponto utilizado nas duas últimas reuniões para 0,25 ponto.</p>.<BR><BR> A ata de uma reunião é o principal documento oficial por meio do qual o BC age para construir as expectativas do mercado para o próximo encontro.<BR><BR> Num sistema de metas de inflação, muitas vezes a formação das expectativas é mais importante que a própria taxa em si.<BR><BR> O BC vem se esmerando em trabalhar as expectativas à perfeição, a ponto de erigir consensos pré-Copom absolutos.<BR><BR> Tanto que nas cinco reuniões já feitas em 2006, não houve surpresa alguma.<BR><BR> Por isso será, depois da desconcertante clareza com que as instituições entenderam a vontade do BC em reduzir a Selic em apenas 0,25 ponto no dia 30 de agosto, muito difícil alterar-se esta antevisão, até porque o freio monetário não é mal-visto pelo mercado.<BR><BR> Será difícil mas não impossível, já que a própria ata, se lida com isenção desinteressada, abre amplas janelas à possibilidade de o compasso de queda ser preservado em 0,50 ponto.<BR><BR> Para firmar o consenso de que a taxa recuará apenas de 14,75% para 14,50% no dia 30 de agosto, as instituições se basearam num detalhe, pequeno mais significativo, depois que foi decifrado o código usado pelo BC para indicar desacelerações no ritmo de afrouxamento: se vai brecar a queda, ele junta  &quot; maior &quot;  à  &quot; parcimônia &quot; , mas se pretende manter a intensidade do desaperto tira o  &quot; maior &quot; , só deixa parcimônia.<BR><BR> A última ata fala em  &quot; maior parcimônia &quot; .<BR><BR> Mesmo assim, apenas o economista-chefe da RC Consultores, Marcel Pereira, notou que o  &quot; maior parcimônia &quot;  sofreu agora uma atenuação.<BR><BR> No parágrafo em que aparece o código de intenções, ao invés do simples  &quot; pode &quot;  empregado nas atas anteriores apareceu um  &quot; poderá demandar &quot; , um condicionante futuro desconhecido do mercado.<BR><BR>  &quot; A conjugação do termo negativo está no futuro e numa relação causal: poderá demandar se piorar &quot; , interpreta Pereira.<BR><BR>Há, pelo menos, segundo a leitura de Pereira, dois outros pontos na ata que mudaram, além da inserção do  &quot; maior &quot;  antes de  &quot; parcimônia &quot; .<BR><BR> O mais importante deles, nota o economista, foi a sensível redução nas projeções de reajuste em telefonia fixa e energia elétrica.<BR><BR> O segundo, não menos importante, foi a afirmação de que  &quot; a inflação medida pelo IPCA apresentou redução maior que a esperada no último bimestre &quot; .<BR><BR> Portanto, no jogo dos  &quot; trechos novos &quot; , o placar está 2 a 1 para os que sinalizam preservação do 0,50 ponto.<BR><BR> Toda a ata sugere que o Copom ainda não viu nenhuma piora até agora.<BR><BR> Um ponto positivo na mensuração de uma eventual inflação de demanda é a utilização da capacidade instalada.<BR><BR> A avaliação da ata manteve-se positiva, como na anterior.<BR><BR> Da mesma forma, manteve-se o tom positivo da afirmação  &quot; o Copom continua atribuindo baixa probabilidade a um cenário de deterioração significativa nos mercados financeiros internacionais &quot; .<BR><BR> Manteve-se também a expressão:  &quot; o cenário externo continua favorável &quot; .<BR><BR>O BC pode ter sido precipitado na inclusão do  &quot; maior &quot;  porque, já no dia seguinte ao da publicação da ata, os números sobre o PIB americano do segundo trimestre instalaram nos mercados externos o consenso de que o Federal Reserve (Fed) não irá subir o juro em sua reunião do dia 8 de agosto.<BR><BR> O Copom não pode construir um consenso maciço em torno de 0,25 ponto porque a próxima reunião (30 de agosto) ainda está muito distante.<BR><BR> Até lá, se cristalizadas as tendências desenhadas com firmeza na sexta-feira, o mundo estará bem diferente.<BR><BR> O PIB dos EUA cresceu apenas 2,5% no segundo trimestre, ante projeções de alta de pelos menos 3% e avanço de 5,6% nos primeiros três meses do ano.<BR><BR> O dado derrubou abaixo de 5% o juro dos títulos de 10 anos do Tesouro americano.<BR><BR> A taxa cedeu de 5,03% para 4,98%.<BR><BR> Os mercados externos e locais comemoraram a chance de pausa no aperto americano.<BR><BR> Os bancos apressaram a desova das posições compradas em dólar antes que o fluxo derrube ainda mais a moeda.<BR><BR> Apesar de o BC ter feito leilão de compra, o dólar caiu 0,77%, cotado a R$ 2,1750.<BR><BR> Os juros longos ignoraram a cautela da ata do Copom e caíram pesadamente.<BR><BR> O swap de 360 dias recuou de 14,50% para 14,45%, retornando ao patamar anterior à ata.<BR><BR> O CDI previsto para janeiro de 2008 tombou de 14,65% para 14,58%.<BR><BR> Mas já que o consenso é de desaceleração da baixa da Selic, o contrato mais curto, para outubro, permaneceu estável em 14,52%, embutindo previsão de corte de 0,25 ponto.<BR><BR>(Luiz Sérgio Guimarães | Valor Econômico)]]></Texto>

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