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 <DataGeracaoArquivo>Ter, 7 Nov 2006 20:02:11 -0200</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[ENTREVISTA-Allende lança livro sobre figura histórica chilena]]></Titulo>
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 <Olho><![CDATA[<p> NOVA YORK (Reuters) - Para escrever seu romance mais recente, a escritora chilena Isabel Allende pesquisou nas entrelinhas dos livros de história para dar vida a uma personagem pouco conhecida que desempenhou papel produtivo na colonização de seu país.</p>]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[ <p> &quot;Inés del Alma Mia&quot;, lançado esta semana em versão inglesa pela HarperCollins, trata da vida de Inés Suárez, que nasceu em Plasencia, na Espanha, mas se mudou para a América do Sul, onde viveu um caso de amor incendiário com Pedro de Valdivia, um conquistador que fundou várias cidades chilenas, incluindo Santiago.</p> <p> Quase 25 anos já se passaram desde o primeiro livro de Isabel Allende, &quot;A Casa dos Espíritos&quot;, e, desde então, ela já publicou 16 obras, incluindo &quot;Paula&quot;, um livro de memórias sobre a doença fatal de sua filha de 28 anos, que morreu em 1992. No momento a escritora está trabalhando sobre um segundo livro de memórias.</p> <p> Allende, 64 anos, que hoje vive na região de San Francisco, conversou recentemente com a Reuters, falando do papel de mais destaque concedido a Inés Suárez na história e sobre sua obsessão por escrever. </p> <p> Pergunta -- Por que a senhora decidiu escrever sobre Inés Suárez?</p> <p> Isabel Allende -- Todo o mundo no Chile já ouviu falar dela, mas há muito pouco a respeito dela nos livros de história, que em sua maioria foram escritos por homens. Ela não foi uma esposa bem comportada, mas uma concubina que viveu num tempo e lugar profundamente conservadores. Escrevi o livro porque adoro uma boa história, e essa tem tudo, desde guerra, cobiça e paixão até ciúmes e vingança.</p> <p> Nunca se sabe o que pode acontecer com um livro. Talvez ninguém o leia, mas talvez ele cause uma mudança. Poderíamos estar em Plasencia. No ano que vem se completarão 500 anos da suposta data do nascimento de Inés, e agora a cidade planeja uma grande festa em homenagem a ela, e possivelmente erguer uma estátua dela. Hoje Plasencia tem uma prefeita mulher que ficou felicíssima em descobrir que existe uma heroína que nasceu ali.</p> <p> Pergunta -- Você descobriu muito sobre Inés nos livros de história?</p> <p> Allende -- Muito pouco. Havia alguma menção ao fato de ela ter cabelos ruivos e alguma menção de seus atos. Eu me sentei, liguei o computador, e a primeira frase veio à minha cabeça: &quot;Eu sou Inés Suárez&quot;. Eu me tornei Inés. Não existe outra maneira de escrever uma história situada num tempo tão distante. Fui ela durante o tempo em que escrevi o livro -- vários meses.</p> <p> Pergunta -- A senhora sempre se envolve tão completamente com seus personagens?</p> <p> Allende -- Antigamente não, mas isso vem se intensificando com a idade. Antigamente eu escrevia no meu tempo livre, enquanto tinha outro emprego principal, e o resultado era diferente. Mas, a partir do momento em que comecei a ganhar a vida escrevendo, fui ficando cada vez mais obcecada com isso e cada vez mais focada.</p> <p> Minha família já está acostumada com isso. Eu me concentro tanto que deixo de ter vida social. Escrevo por 10 a 14 horas por dia. Só vejo minha família, e geralmente fico muito distraída. Vejo meus netos e nem sequer me lembro de seus nomes.</p> <p> Pergunta -- É verdade que a senhora sempre começa a escrever seus livros no dia 8 de janeiro?</p> <p> Allende -- Sim. No início, era uma superstição. Comecei meu primeiro livro num 8 de janeiro, e o livro teve sucesso, então resolvi fazer o mesmo com o segundo, depois com o terceiro, e assim fui continuando. Mas se você não reserva tempo para isso, não escreve. Todo o mundo -- meu empresário, meus editores, minha família -- sabe que não estou disponível durante os seis primeiros meses do ano.</p> <p> Pergunta -- A senhora escreve em espanhol ou em inglês?</p> <p> Allende -- Não consigo escrever ficção em inglês. Posso escrever um discurso ou um artigo para um jornal, mas não ficção. A ficção acontece de maneira inconsciente. Mais tarde, eu edito e faço correções. Determinadas coisas só podem ser em espanhol, tais como sonhar, contar, cozinhar ou gritar com meus netos. O inglês não me vem organicamente.</p> <p> Pergunta -- Seu tio Salvador Allende foi presidente do Chile de 1970 até o golpe de Estado de 1973, quando ele morreu, e a senhora era íntima dele. A senhora pretende escrever sobre ele algum dia?</p> <p> Allende -- Acho que não. Sou escritora de ficção, então seria difícil para mim escrever uma biografia de Allende. Além disso, sou demasiado apegada ao personagem e à época para conseguir me distanciar.</p> <p> Pergunta -- Dois de seus livros foram adaptados para o cinema em Hollywood: &quot;A Casa dos Espíritos&quot; e &quot;De Amor e de Sombras&quot;. A senhora teve algum envolvimento nos filmes?</p> <p> Allende -- Nem um pouco. Você assina um papel, e acabou. Uma vez que seu livro é publicado, ele deixa de ser seu filho. As pessoas já fizeram peças e óperas de meus livros. Na Islândia, fizeram um musical baseado em &quot;Contos de Eva Luna&quot; que se passa numa selva.</p> <p> Pergunta -- O que a senhora está lendo no momento?</p> <p> Allende -- Estou lendo diversos livros. Quando escrevo, leio coisas relacionadas à minha história. Se estou escrevendo sobre a conquista do Chile, leio livros de história. Eu leio não ficção, mas prefiro a ficção. Estou lendo o livro de Daniel Alarcón &quot;Lost Radio City&quot; (ambientado num país sul-americano fictício em que guerrilheiros entram em choque com o governo), que é fantástico.</p> <p> Pergunta -- Que conselho a senhora daria aos candidatos a escritores?</p> <p> Allende -- Simplesmente se sente e escreva. Pense que você vai escrever um romance ruim, não o grande romance americano. Sente-se todos os dias para escrever. Se você escrever cerca de dez páginas por dia, pode aproveitar possivelmente uma página dessas dez, e ao final do ano terá 365 páginas. É como treinar para uma maratona. Se você não treinar, não poderá correr. Não quero ouvir falar de como é difícil.</p> </p>]]></Texto>

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 <LegendaFotoPrincipal><![CDATA[Foto de arquivo mostra a escritora chilena Isabel Allende durante apresentação de seu livro mais recente, em Santiago. Para escrever o romance, a escritora chilena Isabel Allende pesquisou nas entrelinhas dos livros de história para dar vida a uma personagem pouco conhecida que desempenhou papel produtivo na colonização de seu país. Photo by Victor Ruiz Caballero]]></LegendaFotoPrincipal>
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