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 <DataGeracaoArquivo>Qui, 19 Out 2006 10:15:58 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Os Satyros estréiam mais uma obra genial de Dea Loher]]></Titulo>
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 <NomeCredito>Michel Fernandes, especial para o Ultimo Segundo</NomeCredito>
 <EmailCredito>mailto:michelfernandes@superig.com.br</EmailCredito>
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 <Olho><![CDATA[SÃO PAULO – Depois da excelente montagem de “A Vida na Praça Roosevelt”, Os Satyros montam mais um texto da dramaturga alemã Dea Loher, um dos principais nomes da dramaturgia contemporânea germânica (esse ano Dea Loher recebeu o Prêmio Bertold Brecht pelo conjunto de sua obra), “Inocência”, que estréia nesta quinta-feira (19), no Espaço dos Satyros 1.]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P>As muitas histórias que se entrecruzam em “Inocência” dimensionam com lente de aumento a solidão e revela que o homem contemporâneo, mesmo que cercados por muitas pessoas, encontram-se, devastadoramente, solitários.</P>
<P>A chave que une os personagens em “Inocência” é a morte, mais precisamente o suicídio. Não que todos os personagens sejam suicidas, mas o que os une é o tema.</P>
<P>A amarração da obra se dá pela história de Fadoul (Ivam Cabral) e Elísio (Fabiano Machado) que, logo na primeira cena, presenciam um suicídio. Elísio quer salvar a moça de cabelos vermelhos que se afoga, mas Fadoul levanta todas as hipóteses que o ato de coragem de Elísio pode significar, já que ambos são imigrantes ilegais. Quando Elísio decide salvar a moça já é tarde demais, ela morreu. Restam a culpa e a solidão.</P>
<P>Outro nicho da história é a família formada por Laerte Késsimos, Nora Toledo e Soraya Saide, impagável no papel da sogra que vê, dia-a-dia, seus membros sendo amputados devido a sua diabetes.&nbsp;</P>
<P>Ângela Barros (indicada ao Prêmio Shell de Melhor Atriz por “A Vida na Praça Roosevelt”) é a mãe de um assassino e estuprador suicida que pede desculpas a todos, até a desconhecidos, por ter gerado alguém assim.</P>
<P>Completam o elenco . Cléo De Páris, Silvanah Santos, Alberto Guzik, Tatiana Pacor, Rui Xavier, Daniel Tavares e Phedra D. Córdoba.</P>
<P>Em entrevista a Michel Fernandes, o diretor de “Inocência”, Rodolfo Garcia Vázquez (vencedor dos Prêmio Shell e prêmio Qualidade Brasil de Melhor Direção por “A Vida na Praça Roosevelt”), fala mais sobre a montagem que utiliza recursos multimídia, de artes plásticas, retro-projeções entre outros.</P>
<P><STRONG>Michel Fernandes - Já fazia parte de um projeto d’Os Satyros montar “Inocência” ou a idéia surgiu durante os ensaios de “A Vida na Praça Roosevelt”?</STRONG></P>
<P>Rodolfo García Vázquez - Na verdade quando conhecemos Dea Loher (2004), ela nos havia falado com muito entusiasmo da sua última peça, “Inocência”. Tinha sido aclamada na Alemanha e ela tinha acabado de vir de lá. Ficamos curiosos. Era o momento de se estabelecer a nossa amizade e surgiu um primeiro interesse pela peça. Depois de dois meses de convivência intensa com Os Satyros no Brasil, ela retornou para a Alemanha. De lá, ela nos enviou o texto seguinte à “Inocência”: “Das Leben auf der Praça Roosevelt”. Então surgiu toda a história nossa com “A Vida na Praça Roosevelt”.</P>
<P><STRONG>Michel Fernandes - Quais as características da dramaturgia de Dea Loher que possibilitam o diálogo com a encenação, a possibilidade de inserir tantos elementos criativos, de&nbsp; linguagem estético-estilística, sem, no entanto, perder o foco no trabalho do ator?</STRONG></P>
<P>Rodolfo García Vázquez - O texto da Dea me lembra em alguns aspectos a dramaturgia de Heiner Muller (dramaturgo alemão absolutamente representativo para as artes cênicas do século 20). São dramaturgos que provocam os artistas que estão encenando a obra. Eles exigem a tua participação enquanto artista a fim de que o espetáculo surja. Por outro lado, o seu texto (de Dea Loher) cria personagens altamente elaborados e cheios de força, o que faz com que o trabalho dos atores seja sempre fundamental.&nbsp;</P>
<P><STRONG>Michel Fernandes - Em “A Vida...”&nbsp; o eixo central da concepção plástica era um circo, mesmo que de horrores. Qual o eixo plástico de “Inocência”?</STRONG></P>
<P>Rodolfo García Vázquez - Difícil dizer isso. Acho que toda a participação do elenco, criando cenários, na montagem e desmontagem dos universos visuais da peça, são elementos bastante importantes na encenação. A questão da incorporação de elementos das artes plásticas, que remetem ao tecnológico também, são elementos de unificação estética da montagem.</P>
<P><STRONG>Michel Fernandes – Na encenação de “Inocência” existe uma confluência de linguagens tecnológicas: vídeo, luz, cenografia, figurinos, som. Como você define cada uma das partes e suas interseções no espetáculo?</STRONG></P>
<P>Rodolfo García Vázquez -Todos estes elementos devem servir ao ator. Isto estava claro para nós desde o início. Em nenhum momento estes elementos poderiam desbancar a beleza das palavras, a força das imagens das personagens no palco. A somatória destes elementos, também, servem para envolver o espectador e não permitir uma indiferença com relação ao universo que se apresenta diante dele.</P>
<P><STRONG>Michel Fernandes - Os Satyros já pensa em novos trabalhos?</STRONG>&nbsp;&nbsp;&nbsp; </P>
<P>Rodolfo García Vázquez -Em janeiro vamos a Los Angeles realizar um espetáculo com uma companhia de teatro de pesquisa americana, em uma co-produção que, provavelmente, será apresentada no Brasil posteriormente. Também pretendemos realizar a última etapa da Trilogia da Praça Roosevelt no primeiro semestre do ano que vem. Será um trabalho bastante diferenciado e um desafio grande. </P>
<P>Além destes desafios, pretendemos fazer a abertura do Espaço dos Satyros III – Pantanal, no início do próximo ano. As reformas das instalações já estão bastante adiantadas e a perspectiva é bastante promissora</P>
<P>"Inocência" - Drama<BR>Texto: Dea Loher<BR>Tradução, adaptação e direção de Rodolfo García Vázquez<BR>Trilha Sonora: Ivam Cabral<BR>Cenário: Fabio Lupo e Marcelo Maffei<BR>Figurino: Mariana Liporoni<BR>Iluminação: Lenise Pinheiro<BR>produção: Companhia de Teatro Os Satyros<BR>Elenco: Ivam Cabral, Fabiano Machado, Cléo De Páris, Angela Barros, Laerte Késsimos, Nora Toledo, Soraya Saíde, Silvanah Santos, Alberto Guzik, Tatiana Pacor, Rui Xavier, Daniel Tavares e Phedra D. Córdoba</P>
<P>Recomendação: maiores de 14 anos<BR>Duração: 120 minutos<BR>Estréia: 19 de outubro<BR>Ingressos: R$ 25,00 - descontos de 50% para estudantes, classe artística, terceira idade e moradores da praça Roosevelt</P>
<P>Temporada: até 17 de dezembro<BR>de quinta a sábado às 21h00 e domingos às 20h30<BR>O espetáculo não será apresentado nos dias 9, 10, 11 e 12 de novembro</P>
<P>Espaço dos Satyros Um<BR>Praça Roosevelt, 214 – Consolação. Fone (11) 3258-6345. Capacidade: 70 lugares. Acesso para deficientes físicos. Estacionamento: R$ 5,00</P>
<P>Apoio: Programa de Fomento ao Teatro do Município de São Paulo e Instituto Goethe</P>]]></Texto>

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