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 <DataGeracaoArquivo>Sáb, 23 Set 2006 23:29:35 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Festival do Rio: "Wal-Mart" não empolga, mas deixa pulga atrás da orelha]]></Titulo>
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 <NomeCredito>Nara Alves, repórter Último Segundo no Rio</NomeCredito>
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 <Olho><![CDATA[RIO – Depois de “Tiros em Columbine”, de Michael Moore, uma onda de bons documentários engajados social e politicamente surgiu nos Estados Unidos. Um deles é o “Wal-Mart: O Alto Custo do Preço Baixo”, de Robert Greenwald. O filme não empolga – alguns espectadores do Festival do Rio, onde foi exibido neste sábado, deixaram a sala na metade do filme –, mas deixa uma pulga atrás da orelha. ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P>Wal-Mart, a maior cadeia de supermercados do mundo, é acusada pelo documentarista de pagar mal os empregados, não oferecer seguro saúde, não pagar hora extra, discriminar mulheres e negros, não cuidar da segurança de seus clientes nos estacionamentos, além de provocar a falência do comércio local. O diretor sai em defesa dos trabalhadores por meio de depoimentos de ex-funcionários e moradores de bairros dominados pela marca.</P>
<P>Ora, é fácil entender porque o documentário não empolgou aos cariocas. Quase a totalidade do público naquela sala de cinema, em Botafogo, deve ter olhado para si mesmo e enxergado um trabalhador que também mereceria receber um salário melhor, trabalhar menos, ter mais segurança e garantia de emprego. Não é nada empolgante assistir a um trabalhador norte-americano dizer que se sente humilhado por ter que pedir – e receber – uma espécie de seguro de saúde para pessoas carentes. E nós aqui?</P>
<P>No entanto, para os contribuintes norte-americanos, este documentário pode ser revoltante, pois o filme mostra que o Wal-Mart se debruça no sistema público para manter seus lucros exorbitantes. Imagino que a revolta pararia por aqui, já que são estes mesmos contribuintes que abastecem suas casas nas lojas da rede com produtos a preços imbatíveis, fruto da exploração do trabalhador.&nbsp;O longa também não fala da importância da rede na economia americana, inclusive seu impacto sobre o controle da inflação.</P>
<P>A pulga que fica atrás da orelha vem da transposição desta pesquisa para o Brasil. É muito bom para os EUA que eles tenham cineastas dispostos a se aprofundar nas entranhas de suas mais poderosas empresas. Seria excelente para o Brasil se realizassem um documentário sobre os bancos do País, por exemplo. Não apenas sobre empresas privadas, mas também estatais. </P>
<P>Quem financiaria um&nbsp;longa sobre a Petrobras, a maior patrocinadora do cinema nacional? Será que o cineasta João Moreira Salles – um dos melhores documentaristas brasileiros – faria uma pesquisa&nbsp;controversa como a de “Wal-Mart” sobre o lucro dos nossos bancos? E onde estes filmes seriam exibidos? Na Mostra BR de Cinema de São Paulo? Ou no Espaço Unibanco no Rio, onde assisti "Wal-Mart"? São várias pulgas atrás da orelha...</P>
<P>“Wal-Mart: O Alto Custo do Preço Baixo” será exibido novamente no Centro Cultural Justiça Federal, no Centro do Rio, no domingo, dia 24, às 14h30 e às 18h30.</P>]]></Texto>

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 <LegendaFotoPrincipal><![CDATA[O alto custo do baixo preço nos EUA. E no Brasil?]]></LegendaFotoPrincipal>
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