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 <DataGeracaoArquivo>Seg, 4 Set 2006 20:10:19 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Grass reivindica direito de continuar sendo uma voz crítica]]></Titulo>
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 <NomeFonte><![CDATA[Agência EFE]]></NomeFonte>
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 <Olho><![CDATA[O Prêmio Nobel de Literatura Günter Grass  assegurou hoje que continuará "abrindo a boca" para criticar  personalidades da vida pública alemã, apesar das opiniões que  consideram que ele perdeu seu direito de ser a consciência da nação  alemã após confessar que pertenceu às SS, ou Schutzstaffel, grande  organização paramilitar pertencente ao partido nazista alemão.  ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[   "Continuarei abrindo a boca quando considerar conveniente e não  tenho nada a retratar do que disse no passado", disse Grass durante  a apresentação de sua biografia "Beim Hauten der Zwiebel" no teatro  "Berliner Ensemble".  <br><br>   Para se defender, Grass citou o exemplo da chegada à Chancelaria,  em 1966, do democrata-cristão Kurt Kiesinger, o que foi aceito pela  sociedade alemã de então, apesar de esse político ter pertencido ao  partido nazista.  <br><br>   Naquele momento, Grass criticou a sociedade alemã por aceitar a  chegada de Kiesinger ao poder. Muitos de seus críticos dizem agora  que o escritor não tinha envergadura moral para isso, já que também  tem um passado nazista.  <br><br>   "Não aceito essa comparação. Pertenço a uma geração que se deixou  seduzir e nunca escondi isso. Mas Kiesinger entrou para o Partido  Nazista sendo um homem adulto antes de 1933 e, no entanto, a  sociedade alemã o aceitou como chanceler e isso continua me  parecendo inadmissível", disse Grass.  <br><br>   Grass explicou que guardou silêncio por tanto tempo sobre sua  participação nas SS porque desejava que esse dado de sua biografia  fosse entendido dentro de um contexto.  <br><br>   "Não queria dizer simplesmente que estive duas semanas nas SS,  queria emoldurá-lo dentro de um contexto e precisei de muito tempo  para encontrar a forma. Por isso demorei tanto", disse Grass durante  a apresentação do livro.  <br><br>   O livro de Grass retrata seus anos de infância e juventude, assim  como seu início como escritor e termina com a publicação de "O  tambor", livro que deu fama mundial ao autor alemão.  <br><br>   A recepção inicial do livro se centrou em sua confissão de ter  pertencido, aos 17 anos, a um batalhão das SS, a que foi incorporado  após ter se oferecido como voluntário para ingressar na Marinha,  onde não eram necessários recrutas.  <br><br>   Mais que o fato de ter pertencido às SS, Grass é repreendido por  ter escondido o fato durante tantos anos.  <br><br>   O tema da participação nas SS tem, sem dúvida, um peso no livro,  mas, segundo Grass, não é necessariamente dominante em uma  autobiografia, que tem muitas facetas diferentes.  <br><br>   Os primeiros capítulos são dedicados ao período de socialização  de Grass durante a época nazista, na qual, como assegurou hoje,  aceitou muitas coisas sem fazer as perguntas pertinentes.  <br><br>   "O livro trata de perguntas que não foram feitas, de aceitar e se  calar", disse hoje Grass, que em algumas passagens é desalmado  consigo mesmo e chega a garantir que não há atenuante algum para a  parte de culpa que lhe corresponde.  <br><br>   Grass cita como exemplo a história de um rapaz que era testemunha  de Jeová, que se negava a segurar um fuzil e que um dia desapareceu.  <br><br>   "Não me fiz perguntas sobre seu desaparecimento. Mas podemos  supor que terminou no campo de concentração mais próximo", disse  Grass, que leu o fragmento em que conta essa história na  apresentação do livro.  <br><br>   No entanto, a obra também aborda outros aspectos da época da  guerra - incluindo a história do estupro de sua mãe e de sua irmã  quando as tropas soviéticas chegaram a Danzig - e do pós-guerra,  quando Grass foi buscando seu lugar no mundo, primeiro como artista  e depois como escritor em difíceis condições.  <br><br>   "Também queria falar de coisas particulares. Da minha mãe, de  como enfrentou o final da guerra e o pós-guerra, de seu estupro,  para o qual não tinha encontrado palavras", disse Grass.  <br><br>   A decisão de escrever o livro, segundo Grass, não foi fácil,  porque durante muito tempo teve uma desconfiança quase doentia  diante da obra autobiográfica.  <br><br>   "Foi um processo longo porque tinha uma grande desconfiança com  relação à autobiografia. Em muitas destas obras se trabalha com a  memória como se fosse algo confiável e eu sei que a memória é frágil  e enganosa".  <br><br>   Ao fim da apresentação no "Berliner Ensemble", o público se  despediu de Grass com um aplauso contido e o escritor manifestou sua  esperança de que a última palavra não seja dos críticos, mas sim do  livro.]]></Texto>

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