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 <MetaData>19:23:56 15/06/2006</MetaData>
 <DataGeracaoArquivo>Qui, 15 Jun 2006 19:24:49 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Crítica: Dois “Ricardos” em cartaz em São Paulo]]></Titulo>
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 <NomeCredito>Afonso Gentil, especial para o Aplauso Brasil</NomeCredito>
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 <Olho><![CDATA[A saga sangrenta de um homem inconformado com a Natureza, que o estigmatizou disforme e feio, incapaz, em tese, de "usufruir dos prazeres da conquista amorosa", e que viria a se tornar (século XV) rei da Inglaterra banhado num suceder insano de truculências e assassinatos por ele ordenados, está duplamente nos palcos paulistanos em duas versões muito bem sucedidas.<BR>]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P>O homem é Ricardo III. Shakespeare, quem escreveu sua trajetória de crueldades, com a genialidade que lhe foi peculiar. Os artífices apaixonados das duas árduas empreitadas, os diretores Roberto Lage (no Ágora) e Jô Soares (no Teatro FAAP).&nbsp; A classe teatral está que é um entusiasmo só com os resultados. E o público não vai querer ficar de fora, que bobo êle não é.</P>
<P>E para quem pensa que tal avalanche de maldades é o suficiente, uma surpresa:no porão do Teatro Ruth Escobar acaba de estrear um texto arrazador de Analy Alvarez, "Bandida". Quem considerar heresia citar Analy lado a lado de Shakespeare, tem razão. Mas, quem também se lembrar que a humanidade é incansável no exercício do cinismo, da dissumulação e da violência contra o próximo,também pode nos dar razão. È ver para crer!</P>
<P><STRONG>O RICARDO III DO ÁGORA</STRONG></P>
<P>O que emociona de pronto o espectador é a ampla reforma do espaço Ágora, em que se pensou na viabilidade de grandes montagens, como esta,assim como na comodidade das pessoas (coisa que o Zé Celso simplesmente ignora com o seu incrível Oficina, ótimo sòmente para o jogo dos atores na passarela).</P>
<P>O clima é o de ritual carinhosamente planejado, o que se confirma ao acender os refletores e na aparição mágica de Celso Frateschi, o Ricardo III, com uma flor na mão sadia e um permanente estertor na outra mão, já denunciando a dualidade do rancoroso personagem que ele, Celso, vai desenvolver com a maturidade ganha em anos de treino nos palcos, com sutilezas que se tornam cristalinas graças a uma invejável dicção, das mais perfeitas em atividade.</P>
<P>Roberto Lage conduz com segurança e criatividade todos os componentes da encenação, desde a direção do elenco feminino (encabeçado pela autoridade cênica de Renata Zanetha), os figurinos e o cenário de Sylvia Moreira (marcando, ambos, outro tento após "Sonho de Um Homem Ridículo" sucesso de 2005), a trilha sonora de Aline Meyer e a luz de Wagner Freire (neste caso, talvez haja um excesso de luminosidade do palco, a pedir um ambiente mais sombrio, de conto gótico de horror, que a peça não deixa de ser...). No elenco masculino, além, é claro, de Celso Frateschi, um carismático André Frateschi, em contraposição aos demais, de um formalismo sem brilho.</P>
<P><STRONG>O RICARDO III DO TEATRO FAAP</STRONG></P>
<P>Já que a comparação é inevitável, o que a versão de Jô Soares tem de melhor é o rendimento coeso e de alto nivel do elenco, pelo domínio da eloquência do gênero, numa tradução mais coloquial, é verdade, porém sem perder de vista a poesia e a tragicidade da linguagém das tragédias shakespereanas.</P>
<P>É igualmente prazeroso - como no caso de Celso Frateshi - acompanhar Marco Ricca destilando o veneno que impregna cada poro do seu personagem, com tiques e maneirismos gestuais de quem se compraz em chafurdar no fel da própria maldade. A ironia permanente nos lábios de Ricardo/Ricca complementa o olhar cínico do Ricardo de Frateschi. É ver para usufruir.</P>
<P>E o Ricardo III do esperto (no sentido de antenado, bem informado e bem formado) diretor Jô Soares, também ganha pontos nos acertos do cenário, dos figurinos, da luz e de trilha sonora, de autoria de gente recém-chegada aos palcos, num conjunto de incontestável eficiência, sem falar da direção vibrante, moderna e inquieta do Jô.</P>
<P>É com encanto (de enfeitiçar) que Gloria Menezes, Denise Fraga e Ilana Kaplan nos conduzem pelos meandros insondáveis da mente feminina,coadjuvadas pela ainda um tanto titubeante Anna, da jovem Maria Manoella. Ary França está irrepreensivel como Buckingham, num registro dramático antes insuspeitado em sua carreira de excelente comediante, seguido&nbsp; de perto pelo bom nível de seus colegas de cena, todos.</P>
<P><STRONG>SERVIÇO:&nbsp;</STRONG></P>
<P><STRONG>RICARDO III&nbsp; - Teatro Ágora</STRONG> - rua Rui Barbosa, 672 - Bela Vista - fone 3284-0290 / 90 lugares</P>
<P>5a. a sábado 2lh / domingo l9h / até 27 de agosto/&nbsp; l70 minutos e intervalo. R$ 40.&nbsp;</P>
<P><STRONG>RICARDO III - Teatro FAAP</STRONG> - Rua Alagoas, 903 (Faculdade FAAP)&nbsp; -fone 3662-7233 /400 lugares</P>
<P>5a.e 6a. 2lh30/ sabado 2lh/ domingo l8h / em cartaz por tempo indeterminado/ l20 minutos/ R$ 50 e 60.</P>]]></Texto>

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 <LegendaFotoPrincipal><![CDATA[Celso Frateschi, à esquerda, interpreta Ricardo III no Teatro Ágora]]></LegendaFotoPrincipal>
 <CreditoFotoPrincipal>Aplauso Brasil</CreditoFotoPrincipal>

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