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 <DataGeracaoArquivo>Ter, 4 Abr 2006 16:19:07 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Crítica: Zé Renato estapeia a poeira da história]]></Titulo>
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 <NomeCredito>Afonso Gentil, especial para o Aplauso Brasil</NomeCredito>
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 <Olho><![CDATA[<P>SÃO PAULO - O desafio que se nos impôs após termos visto a segunda representação de "Aroma do Tempo", foi o de como traduzir objetivamente não só a prazerosa emoção daquele momento, como, mais precisamente, a preocupação que nos assaltara de que, por distração ou preconceito, o público deixasse de acorrer em massa, a partir daí, ao pequeno TEATRO DOS ARCOS, meio-escondido a 300 metros dos badalados Teatro Abril e Imprensa, na pequena Rua Jandaia, travessa da Av. Brigadeiro Luiz Antonio, bem em cima dos Arcos da 23 de Maio. </P>
<UL>
<LI><A href="http://www.aplausobrasil.com.br/" target=_blank>Leia mais no Aplauso Brasil.</A></LI></UL>]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P>Mas, pensando bem, é mais fácil do que se imagina, chegar lá. E feita essa pequena introdução, vamos às emoções do espetáculo. </P>
<P>Zé Renato, mentor do projeto "Revitalização do Teatro Musical Brasileiro" e diretor da peça, é, do alto dos seus recem-comemorados oitenta anos de idade, uma presença sempre tranquilizadora para quem acompanha a trajetória das encenações paulistanas: provoca sempre a sensação de que por mais que essas novas gerações egocêntricas preocupadas mais em aparecer na mídia que fazer teatro realmente a sério, lá estará êle exibindo a sua força criadora e seu imensurável talento para inovar ou re-inventar os gêneros.</P>
<P>Foi assim, desde que Zé Renato importou dos Estados Unidos o recém-surgido palco circular (arena), que viria a se impor aos encenadores como a mais eficaz forma de interatividade com o público. Depois, ainda na década de 5O do século passado, revolucionou, com "Eles Não Usam Black-Tie", de Gianfrancesco Guarnieri, a forma de representação num palco, inaugurando um estilo "brasileiro" de agir em cena, de causar inveja ao mestre Stanislavsky.</P>
<P>Ambos os fatos citados no parágrafo anterior seriam suficientes para colocar Zé Renato - aliás, de uma modestia impossivel de ser detectada em outros "excelsos" encenadores da sua geração - na, aqui sim, excelsa condição de quem jamais parou de SERVIR ao teatro, em produções para tornar o público mais feliz (ele é, agora ao lado de Bibi Ferreira , o mais antenado fabricante de risos) ou necessariamente bem informado e catequizado (basta lembrar o "Rasga Coração" , de Oduvaldo Viana Filho, um chute certeiro nas virilhas da ditadura militar). </P>
<P>E é esse Zé Renato, inquieto e incansável como aos trinta ou quarenta, que juntamente com uma quase estreante autora Erné Vaz Fregni, estapeiam a poeira da História, recriando, com brilho,a época do crepúsculo do Império e da nascente República no Rio de Janeiro, então capital federal.</P>
<P>Como num passe de mágica, vemos surgir no palco um sem número de tipos saborosamente caracterizados, dando a impressão de uma máquina do tempo a trazer até nós o frescor daqueles momentos, vividos com o vigor impaciente da juventude ansiosa por reivindicar (a abolição da escravatura e a proclamação da República) ou para batalhar o leite das crianças, como fez Arthur Azevedo, o titular desta narrativa, com seus mais de 200 títulos teatrais e um punhado de filhos em sua atribulada existência de apenas 53 anos. </P>
<P>A importância de Arthur Azevedo para o nosso teatro está no palco com alegria e leveza, com toques de complacência e, sobretudo, em um elenco de 22 figuras, que só o faro de Zé Renato para o talento nascente conseguiria reunir. Sòmente Carlos Cappeleti - como o protagonista quando maduro - tem um currículo de espetáculos importantes nos ultimos 20 anos. Os demais - moças e rapazes - estão recem-chegando (e como!) à cena profissional e a gente fica pensando como tem sido boa para o teatro a proliferação dos cursos especializados.</P>
<P>%FOTOESQUERDA% E pelo belo timbre vocal, cantando ou falando e pela expontaneidade contagiante do desempenho, saudemos Luiz Araujo como autêntica vocação para a comédia, em boa hora co-protagonizando -ele é o Arthur Azevedo jovem - com Cappeleti, saboroso, este, em sua criação bonacheirona.</P>
<P>Mas, os méritos continuam: além do texto já citado de Erné, as músicas e a direção musical de Dyonisio Moreno, conhecido por outros musicais adultos e infanto-juvenis elogiados; a cenografia e os figurinos de Carlos Colabone (revelado pelo Grupo Tapa em "Vestido de Noiva"); e a eficiente coreografia de uma desconhecida Dani Calichio, todos unidos nesta caleidoscópica visão plena de frescor e amorosa cumplicidade para com os nossos antepassados.</P>
<P><EM>Afonso Gentil é crítico de teatro do Aplauso Brasil e membro da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte)</EM> </P>]]></Texto>

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 <LegendaFotoPrincipal><![CDATA[Aroma do Tempo está em cartaz em SP]]></LegendaFotoPrincipal>
 <CreditoFotoPrincipal>Divulgação</CreditoFotoPrincipal>

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 <LegendaFotoCorpoMateriaEsquerda>Direção musical: Dyonisio Moreno</LegendaFotoCorpoMateriaEsquerda>
 <CreditoFotoCorpoMateriaEsquerda>Divulgação</CreditoFotoCorpoMateriaEsquerda>

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