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 <Titulo><![CDATA[Resenha: Um Amor Anarquista]]></Titulo>
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 <NomeCredito>Oscar Bessi Filho, para o Aplauso Brasil</NomeCredito>
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 <Olho><![CDATA[<SPAN style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Arial"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size=2>MONTENEGRO - Quem acha que o ideal do amor livre foi coisa dos hippies, modismo verborrágico do final da década de sessenta e conversa utópica nos cafés do século XX, está muito enganado. Numa região agrícola de uma província brasileira, no século XIX, isto foi não só sonhado como praticado. É o que conta Miguel Sanches Neto, em seu romance “Um Amor Anarquista” (Record). Baseado em fatos reais, que o autor pesquisou desde 1994, o livro conta a história de um grupo de imigrantes italianos que fundaram a Colônia Cecília, no interior paranaense. Lá, eles viveram uma experiência única de socialismo anárquico que, ainda hoje, causaria escândalo pelo avanço de suas idéias e concepções morais. Uma aventura louca, coordenada pelo italiano Giovanni Rossi (idealizador do projeto).</FONT></SPAN> ]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: center" align=left><SPAN style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Arial"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size=2>&nbsp;</FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Arial"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size=2><SPAN style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Arial"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size=2>Miguel Sanches, aliás, chegou a traduzir os escritos de Giovani Rossi no livro “’A Colônia Cecília e outras utopias” (Imprensa Oficial do Paraná, 2000). Ali, são retratadas as experiências vividas e as angústias e dificuldades por que passavam os colonos - ou aventureiros. <SPAN>&nbsp;</SPAN>A Colônia Cecília foi estabelecida rezando por princípios de um socialismo anárquico, ou seja, o homem com base em sua vontade, despido de bens, capitais, trabalhando apenas pelo grupo. Os recursos adquiridos iam todos para uma caixinha coletiva. Além disso, as mulheres de forma alguma se restringiam às vontades do marido, fazendo uso do seu corpo de acordo com seu desejo, quebrando assim uma das pilastras da sociedade capitalista, que é a família. Ou seja, elas podiam dormir com o homem que melhor lhes aprouvesse. Conforme seu sentir e seu desejar.</FONT> </SPAN></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Arial"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size=2><SPAN style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Arial"></SPAN></FONT></SPAN>&nbsp;</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Arial"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size=2>Entretanto, os amores que surgem vão gerando conflitos quanto à aceitação de uma teoria que, antes de ser prática, era unanimidade entre o grupo. Primeiro porque há falta de mulheres na Colônia. Segundo, porque o sentimento dos que se apaixonam acaba implicando em necessidade de posse e exclusividade, fugindo ao que se pensava ser tolerável na natureza humana. O que seria a regra natural acaba implicando em frustrações íntimas. A grande sacada do livro é o tema, não muito difundido na história brasileira. Uma excelente obra que expõe o fracasso da experiência prática do socialismo radical, aquele que ignora as fraquezas e as necessidades do indivíduo, ruindo teorias restritivas. E, fundamentalmente, mostrando os meandros da natureza humana, repleta de egoísmo.</FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Arial"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size=2>&nbsp;</FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="FONT-SIZE: 9pt; FONT-FAMILY: Arial"><FONT face="Verdana, Arial, Helvetica, sans-serif" size=2>O texto é belo, denso sem ser pedante ou pesado. Sem apelar para malabarismos cinematográficos na narrativa ou simples necessidade de ação corrida, Sanches Neto não faz história, não defende uma tese. Não apresenta preocupações em defender ou refutar o anarquismo ou o socialismo. É apenas o drama humano vivido pelos personagens. E, o melhor, a narrativa jamais cai numa linguagem caricata, como alguns livros que lemos e abusam das expressões de época, como o indigesto e horroroso <SPAN>&nbsp;</SPAN>“vosmecê”. É um livro com uma linguagem contemporânea, límpida, como Ítalo Calvino, em O barão nas árvores, onde os personagens vivem em séculos passados e falam como um italiano moderno. Um livro para ler na rede, ao som do mar, bebericando uma caipira e desejando um passeio no tempo. Num Brasil intelectualmente brilhante, palco de inquietações ainda inexploradas.</FONT></SPAN></P>]]></Texto>

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