<?xml version="1.0" encoding="ISO-8859-1"?>
<?xsl-stylesheet accept="impressao" href="file:///iG/dominios/ultimosegundo.ig.com.br/xsl/materias/impressao.xsl" noprocess="no"?>
<?xsl-stylesheet accept="email" href="file:///iG/dominios/ultimosegundo.ig.com.br/xsl/materias/email.xsl" noprocess="no"?>
<?xml-stylesheet type="text/xsl" href="file:///iG/dominios/ultimosegundo.ig.com.br/xsl/materias/padrao.xsl"?>

<Materia>

 <Codigo>1976710</Codigo>

 <MetaData>19:20:18 23/05/2005</MetaData>
 <DataGeracaoArquivo>Seg, 23 Mai 2005 19:58:56 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Desembucha, José Mojica Marins!]]></Titulo>
 <PalavrasChave><![CDATA[]]></PalavrasChave>
 <CodigoCanal>30003</CodigoCanal>
 <NomeCanal>Cultura</NomeCanal>
 <PathCanal>cultura</PathCanal>
 <DataNoticia>19:20 23/05</DataNoticia>
 <MetaDataNoticia>19:20:18 23/05/2005</MetaDataNoticia>

 <StatusFuro>N</StatusFuro>
 <StatusAtualizada>N</StatusAtualizada>
 <AcessoRestrito></AcessoRestrito>
 <DataMateriaAtualizada>19:58 23/05</DataMateriaAtualizada>

 <NomeCredito>Bruno Ondei, repórter iG em São Paulo</NomeCredito>
 <EmailCredito>mailto:bondei@ig.com</EmailCredito>

 <NomeFonte><![CDATA[]]></NomeFonte>
 <URLFonte></URLFonte>
 <ImagemFonte></ImagemFonte>
 <DescricaoFonte><![CDATA[]]></DescricaoFonte>

 <Olho><![CDATA[SÃO PAULO - As unhas ainda estão compridas. Mas, longe das câmaras, José Mojica Marins pouco lembra o mítico Zé do Caixão, único ícone genuinamente brasileiro do cinema. Mojica deu um tempo em sua rotina para bater um papo com o Desembucha!]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P>Morando numa pequena rua da Santa Cecília, na região central de São Paulo, entre um bar e uma oficina mecânica, Mojica se prepara para fazer cinema com uma ferramenta que nunca teve nas mãos: dinheiro. O cineasta está em pré-produção para iniciar a terceira parte da trilogia sobre Zé do Caixão.&nbsp;A idéia agora é mostrar sua origem e as maldades do coveiro nos dias de hoje.</P>
<P>Calmamente, apesar de fumar um cigarro atrás do outro, Mojica passeou sobre sua carreira na entrevista a seguir. Ele falou sobre sua infância, sobre a perseguição que sofreu da ditadura militar, sobre seu primeiro contato com o cinema&nbsp;e, é claro, sobre seus filmes. </P>
<P>Após a conversa, o cineasta atendeu o zelador do prédio que abriga seu escritório e sua casa. Um vaso caído do alto do pequeno edifício atingiu o teto de uma das salas, abrindo um buraco no telhado. Depois, desceu até o bar e&nbsp;tomou um suco. Perguntado como costuma ser tratado pelas pessoas nas ruas - se por Mojica ou Zé do Caixão - ele respondeu que não faz diferença. Para todos, acena cordialmente. </P>
<P><STRONG>Confira a entrevista em vídeo:</STRONG></P>
<P><STRONG><A href="http://megaplayer.ig.com.br/home.aspx?content=2543&amp;Autoplay=true" target=_blank>Bloco 1 - Infância e início da carreira</A></STRONG></P>
<P><STRONG><A href="http://megaplayer.ig.com.br/home.aspx?content=2544&amp;Autoplay=true" target=_blank>Bloco 2 - Zé do Caixão</A></STRONG></P>
<P><STRONG><A href="http://megaplayer.ig.com.br/home.aspx?content=2545&amp;Autoplay=true" target=_blank>Bloco 3 - Cineasta maldito</A></STRONG></P>
<P><STRONG><A href="http://megaplayer.ig.com.br/home.aspx?content=2546&amp;Autoplay=true" target=_blank>Bloco 4 - Novos projetos e superprodução</A></STRONG></P>
<P><STRONG>Primeiro, gostaria que você falasse um pouco sobre sua infância.</STRONG></P>
<P>Nasci realmente numa sexta-feira 13, 13 de março de 1936. Mas na verdade não seria isso que me levou a fazer uma série de filmes místicos. Queira ou não, eu fiz filmes de todos os gêneros, desde infantil, musical, romântico, aventura, suspense. Mas me apeguei em algo que eu realmente gosto, que são as partes místicas. </P>
<P>Filho único de pais circenses: meu pai era toureiro, minha mãe dançava e cantava tangos. Eu vivia uma vida de circo, viajando pelo Brasil afora. Em dado momento, minha mãe achou que era uma vida de cigano. </P>
<P>Eu havia nascido no centro de São Paulo, na Vila Mariana. Minha mãe queria voltar para São Paulo e queria algo fixo. Havia um primo que tinham um cinema na Vila Anastácia, logo depois da Lapa. Aí meu pai passou a ser zelador, morando no fundo do cinema e sendo também o gerente.</P>
<P>E eu, claro, passei a ter uma mordomia muito grande. Ter o cinemão em casa. Meu primeiro contato com cinema foi meio esquisito. Perto dos 4 anos, o projecionista querendo puxar o saco do meu pai, me pegou para me levar que eu visse da cabine como era o cinema.</P>
<P>Só que naquela época se passava muito uma sessão para mulheres, na terça e para homens, na quinta, sobre doenças venéreas. Foi uma zebra muito grande. Quando eu olhei, vi uma vagina cheia de gonorréia. Aquilo é a primeira imagem e realmente me chocou. </P>
<P>Logo depois eu viria a ver as matinês, vendo Charlie Chaplin. Com toda a criançada que puxava o saco, para poder entrar de graça no cinema. E o meu pai notava uma coisa. Eu não conseguia rir com os filmes de Chaplin, como até hoje não consigo. </P>
<P>Aconteceu que aos 7 anos, eu pegando uma lupa e fotogramas quebrados dos filmes, ficava olhando os closes de Chaplin. Aí meu pai viria a entender que Chaplin fazia o povo rir muito, mas em seu rosto, em seus olhos, havia sempre a expressão da angústia, da tristeza. E isso realmente era um motivo que eu me fixava como até hoje eu me fixo.</P>
<P>Acho que os olhos de Chaplin realmente foram a inspiração para que eu entrasse no gênero de terror. </P>
<P><STRONG>Como foi o início de seu trabalho como diretor?</STRONG></P>
<P>Aos 10 anos eu começaria algo inédito, surpreendendo até meu próprio pai. Porque meses antes de completar 10 anos, eu era uma espécie de diretor infantil da congregação que eu freqüentava. E o cinema era cedido duas vezes por ano para que eles apresentassem peças&nbsp;para angariar fundos&nbsp;para a Igreja.</P>
<P>Na congregação, eu tinha que adaptar “Branca de Neve e os Sete Anões”, onde eu era o caçador e o diretor da peça. Só que a menininha que fazia a Branca de Neve tinha que gritar. E eu não conseguia fazer ela gritar. Eu descobri na véspera da apresentação que ela tinha medo de lagartixa.</P>
<P>No fundo do cinema tinha muita lagartixa. Eu peguei uma, pus numa caixa de fósforos e na hora da cena joguei entre os seios dela. E ela começou a gritar sem parar. O cinema ficou de pé a aplaudiu. Mas eu mandava ela parar e ela não parava. Subiu pai, subiu padre. E eu perdi o cargo de diretor infantil.</P>
<P><STRONG>Até o padre subiu para ajudar?</STRONG></P>
<P>Subiu. Eu fui repreendido pelo o que tinha feito. A lagartixa já tinha saído, mas a menina tinha a impressão que surgia lagartixa do meio do corpo dela.</P>
<P>Aí nasceu o desespero e vontade de ganhar a simpatia do padre para recuperar o cargo. Para poder chegar a isso, no dia do meu aniversário, no lugar de uma bicicleta, pedi uma câmera de 8mm e meio. </P>
<P>Meu pai me deu a câmara e eu bolei uma história. Eu via muito seriado de Flash Gordon, Buck Rogers. Muitas coisas de disco voador. Como já havia visto enterros, velórios e sempre as pessoas acabavam num caixão, eu achei que&nbsp;poderia fazer&nbsp;em vez de um disco voador, um caixãozinho voador que vinha e, no juízo final, excluías pessoas que eram boas para levar para uma outra dimensão e quem era ruim ficava.</P>
<P>Então eu fiz um curta-metragem, chamado “Juízo Final”, onde num piquenique, as pessoas se divertindo, desaparecia um filho. Era um caixãozinho, com uma luz que iluminava a pessoa e ela desaparecia. Quem ficava, ficava petrificado. </P>
<P>Eu descobri, em 1946, que voltando o filme na câmara eu podia filmar outra fez que surgia uma espécie de fusão. Então eu passei a fazer isso. Filmava as pessoas paralisadas, parava, punha um pouco de verme, voltava o filme, filmava. Até as pessoas virarem um monte de vermes. Aí filmei um gramado, de onde saiam crianças de branco e era o final da história. O mundo seria das crianças.</P>
<P>Meu pai e minha mãe acharam impressionante. Meu pai arrumou uma projeção, o padre veio e junto com ele coroinhas, filhas de Maria, sacristão e o salão lotou. Mas a atenção de todo mundo era no padre e a minha também. O padre assistindo com os olhos esbugalhados e eu pensava: “é hoje. Hoje eu me realizo. O padre deve estar arrependido de tudo o que falou”.</P>
<P>E vai o filme e eu só de olho no padre e o padre não tirava o olho do filme. Terminou, acenderam as luzes e pensei: “é agora. Meus 15 minutos de fama”.</P>
<P>O padre veio em minha direção, naquele suspense danado, todo mundo olhando. Ele pôs a mão na minha cabeça, quando parecia que ia sair umas palavras bonitas. Ele simplesmente olhou para meu pai e falou: “seu Antônio, seu filho é um débil mental”.</P>
<P>E aí começaria minha saga. </P>
<P>Apoiado pelos pais, mas renegado por todo mundo do bairro, eu começaria mais um filme: “Os Lugares por onde Passei”. Trabalhando com uns quatro ou cinco colegas, a gente começou a fazer algumas projeções em cidades do interior.</P>
<P>Depois passei para os 16 mm e a gente fazia filmes de todos os gêneros. Tanto comédias, quanto fitas de terror, de aventura. As fitas eram mudas. E em casa cidade a gente levava os atores, pegava o microfone e ia narrando a fita.</P>
<P>Até entrar os anos 50, quando passei para os 35 mm. Aí parti para o primeiro Cinemascope brasileiro, que era “A Sina do Aventureiro”, que realmente ficou muito legal. Em todos os estados que passava, ela explodia nas capitais.</P>
<P><STRONG>Era uma espécie de western, né?</STRONG></P>
<P>Era, só que era um western de uma mistura danada. Roupas nordestinas com roupas do sul, misturava tudo. O importante é que eu fazia as coisas da maneira que eu via. O bandido saia correndo, a polícia atrás. Mas chegava numa porteira, ele descia do cavalo e abria a porteira. Quando chegava o soldado, a mesma coisa.</P>
<P>Eu achava que para pular teria que ser cavalos de raça, treinados para isso. Eu fazia dentro da realidade. A crítica me apoiava, a fita foi bem. </P>
<P><STRONG>Como surgiu o Zé do Caixão?</STRONG></P>
<P>Nos anos 60, começava todo um movimento de mudança na juventude, por causa de Elvis Presley, do filme “Juventude Transviada”, com o James Dean. Eu ia fazer um filme, “Geração Maldita”, que era um confronto de marginais com playboys. </P>
<P>Mas, dado a muitos problemas, um dia eu fui jantar, perto das 11 horas e fiquei meio dormente, meio com pesadelos.&nbsp; Minha ex-esposa chegou a pensar que eu tava tomado por espíritos malignos. Chamou os irmãos, que chamaram um pai de santo.</P>
<P>Quando eu acordei, por volta das 4 horas da manhã, o pai de santo disse que tinha tirado o diabo do meu corpo. Mas eu tinha tido um pesadelo, onde via uma pessoa de preto, que me arrastava para uma gruta onde estava minha lápide, com o nome, a data do meu nascimento e da minha morte. Da morte eu não quis ver. </P>
<P>Eu falei para o pai de santo: “Você não tirou diabo nenhum. Eu tive uma premonição”. Já fui tomar banho, vim para o Arouche, onde morava minha secretária. Bati na porta, ela abriu preocupada. Eu disse que não tinha acontecido nada. Disse: “Me faz uma sinopse, se arruma, vem para o escritório que eu vou fazer uma fita de terror”.</P>
<P>Fizemos a sinopse do “À Meia Noite Levarei sua Alma”. Chamamos os associados e conversamos com todo mundo. O pessoal caiu fora, não queriam saber de terror. Fiquei só eu. Meus pais tinham um carro, um pouco de dinheiro na poupança. Eu vendi uma casa que estava construindo na Casa Verde. Consegui levar minha ex-esposa para a casa dos pais. Vendi os móveis para uns judeus e parti para fazer o filme.</P>
<P>O próprio maquiador deu a idéia de eu deixar as unhas, já que eu já tinha as duas do dedão compridas. Eu fui, fiz unhas postiças e em troca fiz um comercial. Foi aí que nasceu o Zé do Caixão. </P>
<P>Eu já me apresentei com a cartola, que tirei de um maço de cigarros, a capa, que um zelador que praticava macumba esqueceu no estúdio, pus o terno preto e comprei uma camisa preta. Fiz um medalhão com uma fênix, aquela ave mitológica que renasce das cinzas.</P>
<P>E pela primeira vez me apresentei na televisão, rogando minha praga, que começaria ali. </P>
<P>E aí rodei as primeiras cenas, no dia 15 de outubro de 1963. Começaria à meia-noite e a gravação durou 13 dias, com todos os problemas que aconteceram. </P>
<P>E<STRONG> o filme foi bem-aceito na época?</STRONG></P>
<P>Quando terminamos, foi aquela perseguição. Ninguém queria ver. Até que um distribuidor da Bahia viu a fita e ficou impressionado. Aí todo mundo quis ver. Eu estava com muitos problemas financeiros na época e vendi a fita na primeira oferta que apareceu. Por 20% do que havia gastado.</P>
<P>Quando estreou a fita foi o maior sucesso. Acho que nenhum filme vai conseguir isso no Brasil. Em uma semana, coloquei 50 mil pessoas em uma sala. Tiveram que abrir sessão da meia-noite.</P>
<P>A fita foi um sucesso, gerou a continuação. Mas continuei dirigindo outros filmes. Em 1965 fiz o “Diabo de Vila Velha” e em 1966 fiz a continuação, com “Esta Noite Encarnarei no seu Cadáver”.</P>
<P>E sofri uma perseguição muito grande da ditadura militar, da censura e dos padres. Tudo contra mim. Foi uma época muito difícil.</P>
<P><STRONG>Como foi a perseguição dos militares?</STRONG></P>
<P>Foi violenta. Eles diziam que eu trazia uma mensagem política camuflada. </P>
<P><STRONG>E existia essa mensagem?</STRONG></P>
<P>Não! Eu não entendia porra nenhuma de política. Eu só entendia do meu cinema. Jamais imaginaria uma mensagem. Eu já tinha falado aos discípulos do Glauber, que faziam o Cinema Novo, que o problema era não fazer uma fita individualista. Era fazer uma fita com mensagem e mostrando realmente a parte visual. Quem paga o ingresso não quer quebrar a cabeça para descobrir qual é sua idéia política.</P>
<P>Eu achava que eu fazendo a fita e o mal sendo castigado sempre no final, eu estava dando a mensagem certa. O bem sempre vencia. Mas a censura não viu por esse lado.</P>
<P>Quando eu fiz “O Despertar da Besta”, em 1969, a fita ficou 20 anos presa. Por essa fita eu peguei até cadeia. Eu tentei a liberação, mas me falaram: “se você mexer nós vamos queimar o negativo e não vai sobrar nem o título”. Na realidade, o título era “Ritual dos Sádicos”, mas depois de 20 anos acabei trocando.</P>
<P>Quando consegui liberar, a Embrafilmes pegou a fita e a perdeu por cinco anos. Quando eu ia processar a Embrafilmes, entra o Collor e fecha a Embrafilmes e eu tive que tirar o negativo senão ia perder até o negativo. </P>
<P>Até hoje a fita não foi exibida comercialmente, mas é considerada minha obra-prima. </P>
<P>Este ano eu estou em parceria com uma firma, que fez “O Prisioneiro da Grade de Ferro” e “Amarelo Manga”. Eles já arrecadaram uma verba – eu nunca tinha arrecadado verba nenhuma – para o final da trilogia do Zé do Caixão. </P>
<P><STRONG>Foi verba arrecadada junto ao governo?</STRONG></P>
<P>Veio do governo do estado do São Paulo. Eles estão agora procurando ver se conseguem mais verba para fazer uma superprodução. Mas eu acho que, já com o dinheiro que eles têm...eu nunca fiz uma fita com tanto dinheiro. Eu acho que faria e até sobra dinheiro. Mas eles querem gastar muito na divulgação. E acredito que todo filme tem que ser bem divulgado.</P>
<P>Eu estou sem fazer direção em cinema há quase 20 anos. Eu fiz curtas. Mas em negativo, eu só tenho participado como ator, ou dirigido uma unidade. Mas fita inteira não. O mundo inteiro está esperando eu fazer o fim da trilogia, com a origem do Zé do Caixão.</P>
<P><STRONG>A idéia do filme é mostrar a origem do Zé do Caixão?</STRONG></P>
<P>É. Como nasceu o Zé do Caixão. Já foi publicado no site, em quadrinhos. Mas no cinema teria maior força.</P>
<P><STRONG>O senhor mesmo será o Zé do Caixão?</STRONG></P>
<P>Exatamente. No “Esta Noite Encarnarei no seu Cadáver” ele termina afundando num lago. Então, quando o povo sai, o corcunda o tira, ele volta viver mas fica doido. Então ele fica internado num sanatório por 30 anos. Trinta anos depois, com a ajuda de forças ocultas, ele volta à razão. E volta com tudo.</P>
<P>Esses 30 anos recluso é a razão do envelhecimento. É a única adaptação emm roteiro escrito em 1967. Junto com Denílson Carvalho, atualizamos o roteiro. As gravações devem começar entre outubro, novembro deste ano.</P>
<P>Estou também fazendo um piloto para a televisão, que a DirecTV se mostrou interessada. Mas se não der, já faço comercialmente para lançar em DVD. A idéia é fazer 12 histórias e voltar a ter aquela série na televisão.</P>
<P><STRONG>O senhor é abordado por religiosos na rua, tentando convertê-lo?</STRONG></P>
<P>Às vezes. Não muitos me abordam. Eu já fiz muitas entrevistas em canais de evangélicos. Um pastor da Renascer me disse uma vez: “se você fizer um filme e precisar de uma ponta, me chama”.</P>
<P>Eu acho isso muito normal. Ninguém consegue agradar gregos e troianos. Tem uns caras que são a favor e outros que são contra. Mas eu me dou muito feliz por que tenho na minha mão a juventude. Eu dou perto de duas ou três palestras por semana para faculdades. Não só em São Paulo, mas em todo o Brasil</P>
<P>Todo o pessoal de comunicação, rádio, TV, cinema, jornalismo me curte demais. Estão sempre fazendo trabalhos a meu respeito.</P>
<P><STRONG>O senhor esteve recentemente no Super Pop, na Rede TV. Chegaram muitos emails aqui elogiando sua atitude. O senhor guarda alguma mágoa daquele dia?</STRONG></P>
<P>Eu guardo. Estou pronto para abrir um processo contra eles. Eu me sinto enganado. Eles me passaram um tipo de perguntas e partiram para a vida particular. Eles fizeram uma pergunta meio pesada, envolvendo toda a minha família, dizendo que eu ia fazer um filme com minha filha e que ia ter um ato sexual para valer com ela.</P>
<P>Eu levantei, fui embora, eles prosseguiram o programa depois. O Cacá Rosset me defendeu demais, porque eu não estava presente para me defender. Disseram que eu simplesmente me levantei e fui embora.</P>
<P>Eu tinha dito: “Se vocês entrarem por esse lado, eu ficaria revoltado”. Essa pergunta foi realmente muita pesada. Aí um cara disse que nunca tinha visto nenhuma obra minha. Como é que pode pôr um cara no programa, para me entrevistar, se não viu nenhum filme meu?</P>
<P>O cara falava na minha cara: “Você só não fez porque a imprensa estava em cima e você ficou com medo”. Como é que os caras podem inventar um assunto tão pesado?</P>
<P>Acontece que eles não levaram a pergunta para o ar, mas você via escrito no GC: “Zé do Caixão diz que não fez sexo com a filha”. Então por estar isso, o público sabia que houve uma pergunta desse gênero. </P>
<P>Foi isso que me levou a ficar revoltado e acho que tenho que abrir um processo, segundo meu advogado, não só contra a Rede TV, mas contra a própria Luciana Gimenes. Ela era a responsável e devia ter segurado essa coisa, sabendo que eu falei para ela no intervalo que se eles maneirassem nas perguntas eu faria o programa.</P>
<P>Mas ao invés de maneirar, o cara me falou no auto-falante: “Elas vão ser mais pesadas ainda”. Aí eu fui embora.</P>
<P><STRONG>O senhor se sente pouco valorizado no Brasil como cineasta?</STRONG></P>
<P>Me sentia no passado. Hoje não, dado o mundo que eu tenho. Faculdades que me chamam, professores do assunto que me valorizam. Existe um respeito de roqueiros, de góticos, de estudantes...</P>
<P>Mesmo não tendo a ajuda do governo mais forte financeiramente, que eu deveria ter por tudo o que eu fiz no cinema, pelo o que eu levo lá fora a bandeira brasileira. Reconhecimento do público eu tenho, da imprensa eu tenho, mas falta do reconhecimento do governo. Com isso eu sou chateado.</P>
<P><STRONG>Como foi para o senhor ter sido reconhecido antes no exterior que no seu país?</STRONG></P>
<P>Isso é normal. Eu sempre disse que a pessoa tem que estourar lá fora para depois estourar aqui dentro. Hoje eu continuo fazendo alguns trabalhos mais para o exterior do que aqui para dentro.</P>
<P>Quando eu estive em 1994 em Nova Jersey, apareceu numa daquelas feiras um pessoal dizendo que o Freddy Krueger teve as unhas inspiradas nas minhas. Reparando nele, a gente vê que ele é meio abrasileirado. Claro que fiquei orgulhoso.</P>
<P>Quem vai por todos esses cantos, que pesquisa, está por dentro do pessoal que me curte. Pessoas bem elevadas. Em 1970, o Spielberg escreveu na revista Times, depois de assistir “Esta Noite Encarnarei no seu Cadáver”, que se eu tivesse nascido do outro lado do oceano, que a minha história seria outra. Bem diferente.</P>
<P><STRONG>O senhor tem alguma religião?</STRONG></P>
<P>Eu sou católico por formação, mas não sou praticante. Só vou à Igreja para filmagens ou como padrinho em casamentos de amigos ou missa de sétimo dia.</P>
<P><STRONG>Você pensa na morte?</STRONG></P>
<P>Na verdade, eu acredito em vida em outros planetas, né? Eu acredito que a gente morre aqui e vai para outro planeta, outra dimensão. Tem uma balança e ninguém mais do que nós sabemos o que é o certo e o que é o errado. Eu me ponho nessa balança e vejo que o lado bom está pesando mais. Então estou satisfeito. Cometer erros todo mundo comete. Eu acho que fiz mais coisas boas que ruins. Se tivesse uma análise entre limbo, purgatório, inferno e paraíso, eu iria para o purgatório.</P>
<P><STRONG>Perguntas dos internautas:</STRONG></P>
<P><STRONG>Felipe D´Andrea (São Paulo-SP) – Você é contemporâneo dos diretores do Cinema Novo. Por que você não teve o mesmo reconhecimento que eles?</STRONG></P>
<P>Acho que não tive esse reconhecimento porque na época eu não quis fazer parte da panela. Eu sou uma pessoa que nunca quis entrar em panela, gosto de estar de bem com todos. Estive sempre com o cinema marginal. Esse faz parte da minha origem. </P>
<P>Nunca aceitei, nem época da Embrafilmes, mesmo com o Glauber falando: “você entra, chuta porta, faça, peça que isso é teu”. Não sou desse lado. </P>
<P>Estou feliz por ter plantado, a coisa vai florir. Acho que depois que eu morrer vai se falar muito em mim.</P>
<P><STRONG>Neri&nbsp;Ferreira Filho (Gov. Celso Ramos&nbsp;– SC) - Você não acha que o personagem Zé do Caixão é uma figura muito pesada? Não tem uma energia nele que não é boa?</STRONG>&nbsp;</P>
<P>Acho que ele está errado. Se você observar o problema do Zé, ele é um elemento perseguido pelo preconceito por ser filho de funerários. Passou por uma má fase, foi pra a guerra, teve a infelicidade de voltar e pegar a noiva com o perfeito. Acabou, por neurose de guerra, matando a noiva que gostava tanto. </P>
<P>Daí ele teve uma mudança. Acho que ele não ama, mas também não odeia. Ele procura um espírito de Justiça. Ele às vezes faz violência por que é a maneira dele enxergar. Ele enxerga pessoas inúteis que atravessam o caminho dele como se ele fosse um animal.</P>
<P>Quando a pessoa cruza o caminho, ele acaba...acabando com a pessoa. A proteção do Zé pela criança é muito grande. A mesma coisa com os anciões, que ele considera que são crianças outra vez. </P>
<P>Só por ele pensar em beneficiar as crianças e anciões, eu acredito que ele não é um elemento do mal.</P>
<P><STRONG>Leandro Baleia (Angra dos Reis - RJ) - Você acha que a tecnologia de hoje acabou com a magia de se rodar filmes de terror?</STRONG></P>
<P>Não. Acredito que vem vindo alguns sucessores, fazendo curtas. Acho que tem pessoas que gostam de cinemão. Gostam como eu da tela grande. Não feita por computador nem com câmera digital, mas feita com película mesmo.</P>
<P>Não sou só eu que estou falando isso. Um número grande pessoas no Brasil tem esse pensamento. Acho que o cinemão não vai morrer.</P>]]></Texto>

 <FotoPrincipal>http://image.ig.com.br/ultimosegundo/midias/0119501-0120000/119742.jpg</FotoPrincipal>
 <AlturaFotoPrincipal>226</AlturaFotoPrincipal>
 <LarguraFotoPrincipal>237</LarguraFotoPrincipal>
 <LegendaFotoPrincipal>Mojica vestido como sua famosa criação</LegendaFotoPrincipal>
 <CreditoFotoPrincipal>Divulgação</CreditoFotoPrincipal>

 <FotoCorpoMateriaDireita></FotoCorpoMateriaDireita>
 <AlturaFotoCorpoMateriaDireita></AlturaFotoCorpoMateriaDireita>
 <LarguraFotoCorpoMateriaDireita></LarguraFotoCorpoMateriaDireita>
 <LegendaFotoCorpoMateriaDireita></LegendaFotoCorpoMateriaDireita>
 <CreditoFotoCorpoMateriaDireita></CreditoFotoCorpoMateriaDireita>

 <FotoCorpoMateriaEsquerda></FotoCorpoMateriaEsquerda>
 <AlturaFotoCorpoMateriaEsquerda></AlturaFotoCorpoMateriaEsquerda>
 <LarguraFotoCorpoMateriaEsquerda></LarguraFotoCorpoMateriaEsquerda>
 <LegendaFotoCorpoMateriaEsquerda></LegendaFotoCorpoMateriaEsquerda>
 <CreditoFotoCorpoMateriaEsquerda></CreditoFotoCorpoMateriaEsquerda>

 <Multimidia>

  <Infografico>
   <Link><![CDATA[]]></Link>
  </Infografico>

  <Galeria>
   <Link><![CDATA[]]></Link>
  </Galeria>

  <Video formato="RM">
   <Link><![CDATA[]]></Link>
  </Video>

  <Video formato="WM">
   <Link><![CDATA[]]></Link>
  </Video>

  <Audio formato="RM">
   <Link><![CDATA[]]></Link>
  </Audio>

  <Audio formato="WM">
   <Link><![CDATA[]]></Link>
  </Audio>

 </Multimidia>

 <MateriasRelacionadas>/assuntos/0010001-0010500/10357.xml</MateriasRelacionadas>

</Materia>