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 <Codigo>1694233</Codigo>

 <MetaData>17:39:53 31/07/2004</MetaData>
 <DataGeracaoArquivo>Sáb, 31 Jul 2004 17:57:06 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA["Entre o Céu e o Inferno": um livro para amenizar o sofrimento de torcer pelo Botafogo]]></Titulo>
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 <NomeCanal>Cultura</NomeCanal>
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 <NomeCredito>Flavio Condé, repórter iG no Rio de Janeiro</NomeCredito>
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 <Olho><![CDATA[RIO - Em pleno centenário alvinegro, o jornalista e botafoguense roxo, Sérgio Augusto, relata com paixão a história do clube em “Botafogo - Entre o Céu e o Inferno”. O livro, lançado pela Ediouro e patrocinado pela Brasil Telecom é um presente não só para a torcida alvinegra, mas para os amantes do futebol.]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif" color=#000000 size=3>Através da história do Botafogo, o leitor terá a oportunidade de conhecer em treze capítulos (homenagem à superstição alvinegra) um pouco mais sobre o futebol brasileiro e, principalmente, carioca. Como um arqueólogo, Sérgio Augusto encontrou em arquivos fotos curiosas e desconhecidas do público e pesquisou textos em jornais de época. No livro, ele relata grandes clássicos, belas jogadas, muitos gols e fatos antológicos, a começar pelo bilhete que deu origem ao Botafogo, escrito numa aula de álgebra pelo então menino Flávio Ramos, que mais tarde se tornou o primeiro presidente e goleiro do clube. </FONT></P>
<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif" color=#000000 size=3>“Tentei dar um tom informal típico das conversas de bar, das gozações comuns. Levei um ano para concluir o projeto. Quando acabei, em 2003, o Botafogo ainda estava disputando a segundona. Com o retorno à primeira divisão, tive que mudar o último capítulo. Este ano, resolvi finalizar com uma postura pessimista, já que voltamos para o inferno”, revela Sérgio.</FONT></P>
<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif" color=#000000 size=3>A paixão do escritor pela estrela solitária foi despertada cedo. Ele confessa que até 1948, aos seis anos de idade, foi um torcedor passivo e inconsciente do Vasco da Gama, por influência do pai lusitano. O responsável pela virada de casaca foi Carlos Lúcio, seu amigo de jardim de infância, cujo pai era botafoguense.&nbsp; </FONT></P>
<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif" color=#000000 size=3>“Achava um absurdo não torcer pro time do meu melhor amigo. Um dia me enchi de coragem e pedi ao meu pai permissão para torcer pelo Botafogo. Ele entendeu as razões, achava que era um capricho infantil e acreditava que depois eu iria mudar de opinião. Naquele ano, com o placar de 3 a 1, o Botafogo consagrou-se campeão estadual em cima do Vasco”</FONT></P>
<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif" color=#000000 size=3>Quase 20 anos depois, ávido por compartilhar as mesmas emoções do filho, seu pai também mudou de time e passou a integrar a torcida da Estrela Solitária.</FONT></P>
<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif"><FONT size=3><FONT color=#000000>"O Botafogo não foi apelidado de Glorioso e D`Artagnan à toa", diz Sérgio Augusto. São inúmeras as façanhas do clube narradas em “Botafogo - Entre o Céu e o Inferno</FONT><I><FONT color=#000000>”</FONT></I><FONT color=#000000>: primeiro campeão carioca de futebol (Taça Caxambu); único time carioca a conquistar um tetracampeonato (1932 a 1935); time que mais forneceu jogadores à seleção brasileira (89 ao todo); primeiro clube brasileiro a derrotar uma equipe estrangeira; primeiro a criar uma escolinha de futebol.</FONT></FONT></FONT></P>
<P><FONT face=Arial size=3><STRONG>A burrice de Perácio</STRONG></FONT></P>
<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif" color=#000000 size=3>Além dos feitos alvinegros, o livro conta episódios que se tornaram lendas, como o "jogo do senta", quando, em 1944, os jogadores do Flamengo, inconformados com um gol legítimo do Botafogo, sentaram em campo e se recusaram a continuar jogando. A cena foi testemunhada por Armando Nogueira no antigo estádio de General Severiano. Ou o episódio das cortinas enroladas, protagonizado por Carlito Rocha, que deu um nó nas cortinas da sede social do clube na esperança de enrolar as pernas dos adversários. %FOTODIREITA%</FONT></P>
<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif" color=#000000 size=3>Mesmo sendo um profundo conhecedor do folclore alvinegro, Sergio Augusto revela que novas histórias foram descobertas durante o processo de pesquisa. Algumas delas protagonizadas pelo jogador Perácio, conhecido por seu chute potente, mas principalmente por sua burrice.</FONT></P>
<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif" color=#000000 size=3>“A caminho da Copa do Mundo de 1938, na França, ele só ficava no convés do navio com um binóculo, pois pretendia ver de perto a ‘linha do Equador’. Outra dele: uma vez ao abastecer seu carro em um posto de gasolina, Perácio acendeu calmamente um cigarro e atirou o fósforo no chão. Foi severamente repreendido pelo colega Martim Silveira e retrucou: ´Desculpa, eu não sabia que você era supersticioso`. Não conhecia essas duas histórias”, revela Sérgio .&nbsp;&nbsp; </FONT></P>
<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif" color=#000000 size=3>E há ainda a final de 1957, quando Didi prometeu voltar a pé para casa sem tirar o uniforme caso ganhasse do Fluminense. Como ganhou, o grande maestro botafoguense não só andou até a praia de Botafogo como vestiu uma camisa alvinegra na estátua do Manequinho, repetindo o gesto de um torcedor durante a celebração do campeonato de 1948. </FONT></P>
<P><FONT face=Arial size=3><STRONG>Sina de sofredor</STRONG></FONT></P>
<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif" color=#000000 size=3>Diz o folclore futebolístico que botafoguense tem sina de sofredor. É verdade que a estrela solitária costuma visitar o inferno de vem em quando, mas é verdade também que craques como Garrincha, Didi, Nilton Santos, Heleno de Freitas, Quarentinha, Gerson, Jairzinho e outros ilustres jogadores levaram os alvinegros aos céus inúmeras vezes. Hoje, a conjuntura alimenta a insatisfação de Sergio Augusto com a pífia campanha do Glorioso, que ocupa a zona de rebaixamento há 18 rodadas, desde o início do campeonato Brasileiro.</FONT></P>
<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif" color=#000000 size=3>“Estou muito cético. Demos um passo importantíssimo em 2003 e uns três ou quatro para trás neste ano. Que centenário mais melancólico. Quem pode assegurar que não seremos despachados de volta à Segundona? No momento, torço menos para o Botafogo e mais para o rebaixamento dos outros times.” , diz decepcionado com o desempenho da Estrela Solitária, que atualmente só brilha como lanterna.</FONT></P>
<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif" color=#000000 size=3>O amigo botafoguense Armando Nogueira, de 75 anos, prefere não lembrar da atual fase. Nostálgico, ainda conserva lembranças do campeonato de 1944.&nbsp; Mal havia chegado de Xapuri (Acre), sua terra natal, Nogueira foi levado por um primo para assistir ao clássico Flamengo x Botafogo. A goleada alvinegra (5 a 2)&nbsp; gerou uma identificação imediata com o escudo da estrela de cinco pontas. O jornalista elogiou o projeto e prometeu “devorar” o livro rapidamente.</FONT></P>
<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif" color=#000000 size=3>“Além da excelente iniciativa, gostei muito do título. No futebol, todos os clubes oscilam entre o céu e o inferno, alguns com uma passagem no purgatório. Talvez o Botafogo tenha passado mais tempo no purgatório do que no céu e no inferno”, disse o jornalista.</FONT></P>
<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif" color=#000000 size=3>"Tenho pena daqueles que, por infelicidade do destino ou desvio de caráter, não são como nós", alfineta o cineasta João Moreira Salles, autor da apresentação do livro. Com ele concordava Vinicius de Moraes. Sérgio Augusto conta a resposta atravessada do poeta quando insistiram para que ele continuasse morando nos Estados Unidos: "O senhor sabe lá o que é um choro do Pixinguinha? O senhor sabe lá o que é ter uma jaboticabeira no quintal? O senhor sabe lá o que é torcer pelo Botafogo?".</FONT></P>
<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif" color=#000000 size=3>Para acompanhar a obra, fotos de jogos, de times e ídolos, uma charge de botafoguenses ilustres (João Saldanha, Olavo Bilac, Augusto Frederico Schmidt, Vinícius de Moraes, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Clarice Lispector, Sandro Moreyra, Armando Nogueira, Glauber Rocha, João Moreira Salles, Otto Lara Resende, Luiz Fernando Veríssimo, Ivan Lessa e Antonio Candido) e a escalação do melhor time do Botafogo de todos os tempos, feita por Sérgio Augusto.</FONT></P>
<P><FONT face="arial, helvetica, sans-serif" color=#000000 size=3>Botafogo - Entre o Céu e o Inferno, de Sérgio Augusto, será lançado em São Paulo na próxima terça-feira. A noite de autógrafos acontecerá na&nbsp; livraria Cultura ( Avenida Paulista, nº&nbsp; 2073), às 19h. </FONT></P>]]></Texto>

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 <LegendaFotoPrincipal>Garrincha não é o único astro lembrado. O livro cita Perácio, jogador conhecido por seu chute potente, mas principalmente por sua burrice  </LegendaFotoPrincipal>
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 <LegendaFotoCorpoMateriaDireita>Até os 6 anos de idade, Sérgio Augusto torcia para o Vasco</LegendaFotoCorpoMateriaDireita>
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