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 <DataGeracaoArquivo>Qua, 19 Mai 2004 20:53:01 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Otavio Frias Filho narra experiências radicais em "Queda livre - ensaios de risco"]]></Titulo>
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 <Olho><![CDATA[SÃO PAULO - Chega às livrarias nesta sexta-feira o livro "Queda livre - ensaios de risco", do jornalista Otavio Frias Filho, diretor de redação da "Folha de S. Paulo". "Queda livre" é um mergulho em situações intensas, que se aproximam da morte até a menor distância possível, um "quase suicídio". "Quase" porque o autor ficou vivo para contar suas histórias, misturando a objetividade de jornalista a observações pessoais indispensáveis para transmitir a força dessas experiências.]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[O livro é composto de sete viagens ao "inferno pessoal": um salto de pára-quedas (bem mais desafiador se pensar que o autor tem pavor de avião), um gole de chá do Santo Daime em plena floresta amazônica, um mergulho no oceano a bordo de um submarino, uma apresentação de teatro praticamente sem ensaio, uma peregrinação para Santiago, uma orgia e o quase suicídio.
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As revelações pessoais são também um tempero do livro. Otavio Frias Filho conta que tem medo de andar de avião porque pegou uma forte turbulência em um vôo entre Rio de Janeiro e São Paulo. Ele viajou na poltrona ao lado de Pelé, mas apesar de estar no lugar de desejo de milhares de brasileiros praticamente não trocou palavras com o rei do futebol. 
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"A idéia de tomar carona anonimamente (com direito a lugar de honra ao lado da celebridade) numa catástrofe a ser noticiada em todos os meios de comunicação do mundo dava uma sensação viva, por assim dizer da morte", diz trecho do livro. 
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O autor expõe também o pavor que sentiu antes de entrar no palco em uma peça dirigida por José Celso Martinez Corrêa, para a qual Frias Filho havia ensaiado apenas três vezes. "Interessado em sabotar as convenções teatrais e abalar a divisória que separa vida e teatro, Zé Celso sempre estimulou leigos a fazer algum papel em cena, de preferência semelhante ao que estão acostumados a desempenhar fora dela."
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As sete experiências foram marcantes e algumas deixaram cicatrizes. Os pés de Otávio não poderiam esperar outra coisa de uma caminhada de 750 quilômetros até a catedral de Santiago. Apesar das feridas nos pés confirmadas, a expectativa de uma revelação espiritual, porém, ficou frustrada.
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Talvez o autor tenha chegado mais perto do divino com o chá alucinógeno e a cerimônia de honra ao Santo Daime, no cenário onírico da selva amazônica. Ou com sua passagem pelo sexo transgressivo do swing, da orgia e do sadomasoquismo. Ou até mesmo como voluntário no Centro de Valorização da Vida (CVV).
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Mas nenhuma dessas investigações supera a proximidade que Otavio Frias Filho tem da morte descrita no fim do livro. "Tive ímpetos de saltar, sem ter o plano de fazê-lo. Olhava para baixo e sofria os efeitos hipnóticos que a altura produz, quando atrai e repele ao mesmo tempo, como se o chão pulsasse. Flertei sinceramente com a idéia até que, durante um ou dois minutos, era como se a vivesse - com uma nitidez perturbadora imaginei ter a percepção de como seria caso de fato me afastasse da borda, tomasse impulso e me jogasse", escreve Frias Filho.
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<b>Serviço:</b>
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Título: "Queda livre - ensaios de risco" (Companhia das Letras)
<br/>
Autor: Otavio Frias Filho
<br/>
Páginas: 288 
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Preço: R$ 37]]></Texto>

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