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 <Titulo><![CDATA[Ladrões atacam a biblioteca Mário de Andrade, em SP]]></Titulo>
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 <Olho><![CDATA[A direção da Biblioteca Mário de Andrade, a segunda mais importante do País, anunciou ontem o furto de quatro obras da área mais restrita de seu Departamento de Obras Raras e Especiais. Foram levadas três litogravuras aquareladas - de Steinmann, Debret e Rugendas - e um livro de oras de 1501, em pergaminho. O lote é avaliado em R$ 50 mil. "É lamentável e constrangedor. Estamos fazendo um levantamento no acervo, pois é possível que o roubo seja ainda maior", disse o diretor da biblioteca, Luís Francisco Carvalho Filho. "Não há dúvida de que sofremos a ação de uma quadrilha, que agia por encomenda e sabia o que procurar."]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<p>O caso é acompanhado desde segunda-feira pelo delegado Mário Jordão, da 1ª Seccional do Centro. O roubo foi descoberto no final da tarde de quinta-feira e, por enquanto, não se sabe quando ocorreu ou até mesmo se as obras foram levadas de uma única vez ou em várias ações. A direção da biblioteca deu pela falta delas quando recebeu a visita de uma curadora que pretendia emprestar algumas para compor uma exposição. "Quando nos demos conta do sumiço, iniciamos um levantamento para verificar o que havia sido levado, e percebemos que outras obras faltam", afirmou. No momento, a pedido da polícia, o levantamento foi suspenso, para que não atrapalhe a busca por pistas feita pela polícia. Até ontem, poucos funcionários da biblioteca sabiam do ocorrido.<p><p>As litogravuras foram destacadas com estilete de livros raríssimos, todos do século 19. Eles estavam em grandes armários de aço, que escondem os mais preciosos tesouros da biblioteca. São cerca de 10 mil volumes, considerados especiais entre os 40 mil raros. Estão ali, por exemplo, edições originais dos principais viajantes estrangeiros, coleção da qual fazem parte os Debret e Rugendas levados. Para chegar até ali é preciso passar por algumas salas, a última delas fechada com cadeado, mas que não é protegida por câmeras. O acesso é restrito até mesmo aos funcionários, e poucos sabem ao certo em qual dos 22 andares da torre de livros ficam os armários de aço.<p><p>Só três bibliotecários têm acesso livre à chave de tranca tripla dos pesados armários. E não há nenhum sinal de arrombamento. Por esse motivo, a polícia trabalha com a hipótese de que o ladrão seja um funcionário ou alguém que tenha tido a ajuda de um deles. "A pessoa passou o estilete nos livros dentro da sala. Ela teve tempo, porque pôde abrir outros livros que estavam embalados e escolher o que levar", diz o diretor. "E não é algo que você possa dobrar e botar no bolso."<p><p>Com 80 anos, a Mário de Andrade se mantém precariamente de pé. Há anos não pode receber um livro novo, porque não há lugar, e sofre com problemas graves de infra-estrutura. Em novembro, deve fechar para uma reforma.]]></Texto>

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