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 <DataGeracaoArquivo>Qua, 23 Ago 2006 07:20:02 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[
Ambev deve pagar R$ 1 milhão por assédio moral coletivo]]></Titulo>
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 <NomeFonte><![CDATA[Agência Estado]]></NomeFonte>
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 <Olho><![CDATA[CONSULTOR JURÍDICO: <p class="MsoNormal">A Ambev &mdash; Companhia Brasileira de Bebidas foi condenada a pagar R$ 1 milh&atilde;o de indeniza&ccedil;&atilde;o por ass&eacute;dio moral coletivo. A decis&atilde;o &eacute; do Tribunal Regional do Trabalho da 21&ordf; Regi&atilde;o (Rio Grande do Norte), que considerou que a empresa praticava o ass&eacute;dio contra os empregados que n&atilde;o atingiam a cota de vendas. A indeniza&ccedil;&atilde;o deve ser paga para o Fundo de Amparo ao Trabalhador.</p>]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">A a&ccedil;&atilde;o por dano coletivo foi ajuizada pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho, que apontou a pr&aacute;tica de condutas atentat&oacute;rias &agrave; dignidade dos trabalhadores. Segundo o MPT, os trabalhadores que n&atilde;o atingissem as metas de vendas eram punidos e obrigados a passar por situa&ccedil;&otilde;es vexat&oacute;rias, como o impedimento de sentarem durante as reuni&otilde;es, a obriga&ccedil;&atilde;o de dan&ccedil;ar na frente dos outros e de usarem camisas com dizeres ofensivos.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Em seu voto, a relatora, ju&iacute;za Joseane Dantas dos Santos, considerou que &quot;a situa&ccedil;&atilde;o constrangedora a que foram submetidos os empregados da recorrente &eacute;, por si s&oacute;, suficiente para justificar a interven&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho, a fim de coibir tais procedimentos, bem como para o deferimento da indeniza&ccedil;&atilde;o por dano moral postulada&quot;. A empresa j&aacute; havia sido condenada pela primeira inst&acirc;ncia.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">N&atilde;o &eacute; a primeira vez que a empresa &eacute; condenada na &aacute;rea trabalhista por danos morais praticados contra seus trabalhadores. De acordo com a assessoria de imprensa do TRT-21, j&aacute; ocorreram decis&otilde;es contra a Ambev na Justi&ccedil;a do Trabalho de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, assim como no Tribunal Superior do Trabalho, em Bras&iacute;lia.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Em nota enviada &agrave; Consultor Jur&iacute;dico, a Ambev afirmou que &ldquo;repudia condutas inadequadas em rela&ccedil;&atilde;o aos seus empregados&rdquo;. Sobre a decis&atilde;o, disse que ir&aacute; recorrer ao TST.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Leia a decis&atilde;o</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Ac&oacute;rd&atilde;o n&ordm; 61.415</p><br><p class="MsoNormal">Recurso Ordin&aacute;rio n&ordm; 01034-2005-001-21-00-6</p><br><p class="MsoNormal">Ju&iacute;za Relatora: Joseane Dantas dos Santos</p><br><p class="MsoNormal">Recorrentes: Companhia de Bebidas das Am&eacute;ricas - AMBEV e Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho</p><br><p class="MsoNormal">Advogados: D&eacute;bora Renata Lins Cattoni e outros e Izabel Christina Baptista Queiroz Ramos</p><br><p class="MsoNormal">Recorridos: Os mesmos</p><br><p class="MsoNormal">Origem: 1&ordf; Vara do Trabalho de Natal/RN</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Senten&ccedil;a. Nulidade. Aus&ecirc;ncia de Presta&ccedil;&atilde;o Jurisdicional. N&atilde;o se configura nulidade na senten&ccedil;a que analisa a quest&atilde;o posta sob aprecia&ccedil;&atilde;o, com explicita&ccedil;&atilde;o de todas as raz&otilde;es que levaram &agrave; sua conclus&atilde;o, salientando-se que n&atilde;o h&aacute; necessidade de o julgador rebater toda a argumenta&ccedil;&atilde;o levantada pelas partes, n&atilde;o se vislumbrando tal obrigatoriedade nos dispositivos legais (art. 832, da CLT, e 458, II, do CPC) e constitucional (art. 93, IX) incidentes &agrave; esp&eacute;cie, haja vista que a obriga&ccedil;&atilde;o do julgador &eacute; fundamentar o seu convencimento.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Inicial. In&eacute;pcia. N&atilde;o Configura&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; que se falar em in&eacute;pcia da inicial quando a parte autora, ao formular sua pretens&atilde;o exp&otilde;e longo e articulado racioc&iacute;nio, de modo a pretender o enquadramento da requerida nos dispositivos legais relativos &agrave; mat&eacute;ria ora debate, sobressaindo-se a circunst&acirc;ncia de o pedido ter sido formulado de forma a permitir a compreens&atilde;o do objeto do lit&iacute;gio, a fim de tra&ccedil;ar os limites da lide, al&eacute;m de permitir o contradit&oacute;rio.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Minist&eacute;rio P&uacute;blico. Legitimidade. Lei Complementar n&ordm; 0075/1993. Artigo 83, III. Inconstitucionalidade. N&atilde;o Configura&ccedil;&atilde;o. Prevendo a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, em seu artigo 129, IX, o exerc&iacute;cio, pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico, de outras fun&ccedil;&otilde;es que lhe forem conferidas, desde que compat&iacute;veis com sua finalidade, n&atilde;o se pode falar em inconstitucionalidade do artigo 83, III, da LC n&ordm; 075/1993, que estabelece a legitimidade do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho para defesa de interesses coletivos, quando desrespeitados os direitos sociais constitucionalmente garantidos.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Ass&eacute;dio Moral. Ocorr&ecirc;ncia. Indeniza&ccedil;&atilde;o. Cabimento. Comprovado o cometimento, pelo empregador, de atos de constrangimento a seus empregados, consistentes na submiss&atilde;o destes a situa&ccedil;&atilde;o vexat&oacute;ria, com utiliza&ccedil;&atilde;o de camisetas, pelos vendedores, com apelidos jocosos, al&eacute;m de &ldquo;brincadeiras&rdquo; humilhantes, est&aacute; patente o ass&eacute;dio moral autorizador do deferimento de indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais. </p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Vistos, etc.</p><br><p class="MsoNormal"><span style="DISPLAY: none">&nbsp;</span></p><br><p class="MsoNormal">Recursos ordin&aacute;rios interpostos por COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AM&Eacute;RICAS - AMBEV (fls. 581/621) e MINIST&Eacute;RIO P&Uacute;BLICO DO TRABALHO (fls. 682/699), insatisfeitos com a senten&ccedil;a de fls.517/544, proferida pelo Ju&iacute;zo da 1&ordf; Vara do Trabalho de Natal/RN, que julgou procedente em parte a A&ccedil;&atilde;o Civil P&uacute;blica ajuizada pelo segundo recorrente contra a primeira, condenando esta no pagamento de indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais coletivos, no valor de R$ 1.000.000,00 (hum milh&atilde;o de reais), a ser revertido ao Fundo de Amparo do Trabalhador - FAT e, independente do tr&acirc;nsito em julgado da senten&ccedil;a, no cumprimento da obriga&ccedil;&atilde;o de n&atilde;o submeter seus empregados a situa&ccedil;&otilde;es vexat&oacute;rias de uso de camisetas com apelidos ou qualquer outro tipo de constrangimento; n&atilde;o impedir o assento de seus empregados em reuni&otilde;es; n&atilde;o obrigar seus empregados a dan&ccedil;as vexat&oacute;rias; n&atilde;o tolerar que sejam imputados apelidos a seus empregados; n&atilde;o tolerar ou praticar ass&eacute;dio moral no ambiente de trabalho, sob pena de, em caso de descumprimento, pagar multa no valor de R$ 10.000,00 por empregado prejudicado (sem preju&iacute;zo da a&ccedil;&atilde;o correspondente) a ser revertida ao FAT.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">A requerida, em suas raz&otilde;es de recursos, suscita preliminar de nulidade da senten&ccedil;a, por negativa de presta&ccedil;&atilde;o jurisdicional, apontando viola&ccedil;&atilde;o ao artigo 832, da CLT, e 93, IX, da CF; argumenta que a senten&ccedil;a deve ser anulada porque n&atilde;o atentou para a aus&ecirc;ncia da atualidade da ocorr&ecirc;ncia dos fatos, aludindo, ainda, a viola&ccedil;&atilde;o dos artigos 128 e 131, do CPC, por ter utilizado prova produzida em outro processo; alega existente in&eacute;pcia da inicial, em raz&atilde;o de indetermina&ccedil;&atilde;o do pedido; suscita a inconstitucionalidade do artigo 83, III, da Lei Complementar n&ordm; 75, de 20.05.1993, e, ainda, a ilegitimidade ativa do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho; trata da impossibilidade da obriga&ccedil;&atilde;o de fazer/n&atilde;o fazer cumulada com a de indenizar, de acordo com o artigo 3&ordm; da Lei n&ordm; 7.347 de 1985; diz inexistente o ass&eacute;dio moral e dano moral coletivo reconhecidos; propugna a modifica&ccedil;&atilde;o da senten&ccedil;a, dizendo haver excesso no quantum da indeniza&ccedil;&atilde;o, requerendo tamb&eacute;m a exclus&atilde;o da multa di&aacute;ria e da multa por litig&acirc;ncia de m&aacute;-f&eacute; fixada na senten&ccedil;a dos embargos de declara&ccedil;&atilde;o (fls. 581/621)</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">O requerente interp&ocirc;s recurso adesivo, pugnando pela reforma da senten&ccedil;a, para que seja majorada a indeniza&ccedil;&atilde;o deferida, expendendo raz&otilde;es acerca da situa&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica da empresa, o grau de culpa do presente em sua conduta, a intensidade e dimens&otilde;es dos efeitos negativos do dano infligido &agrave; coletividade e a compatibilidade com a dimens&atilde;o empresarial da r&eacute; e de seu capital social&nbsp; (fls. 682/699). </p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Contra-raz&otilde;es pela reclamante &agrave;s fls. 635/681 e pela reclamada &agrave;s fls. 705/715.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">H&aacute; manifesta&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho pelo provimento do seu apelo e desprovimento do recurso da empresa (fls. 758).</p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">&nbsp;</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">&Eacute; o relat&oacute;rio.</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">&nbsp;</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">VOTO.</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">&nbsp;</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">1. <u>Da Admissibilidade</u>.</span></p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Conhe&ccedil;o dos recursos, porque interpostos a tempo e modo oportunos.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">2. <u>Do Recurso da Requerida</u>.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">2.1. Da Nulidade da Senten&ccedil;a por Negativa de Presta&ccedil;&atilde;o Jurisdicional.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Alega a recorrente que a decis&atilde;o proferida em sede de embargos &eacute; nula, por implicar em negativa da presta&ccedil;&atilde;o jurisdicional, apontando viola&ccedil;&atilde;o ao artigo 832, da Consolida&ccedil;&atilde;o das Leis do Trabalho, e ao artigo 93, IX, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal; argumenta que n&atilde;o houve pronunciamento do Ju&iacute;zo a quo em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; aus&ecirc;ncia de atualidade da ocorr&ecirc;ncia dos fatos denunciados na inicial.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">O Ju&iacute;zo de origem, ao apreciar os embargos de declara&ccedil;&atilde;o, assim fundamentou: As quest&otilde;es expostas nos autos foram enfrentadas e decididas pelo Ju&iacute;zo com suped&acirc;neo no conjunto probat&oacute;rio existente dos autos, tudo de forma exaustiva e bem fundamentada, conforme se depreende ao fazer-se uma leitura acurada do decisum, inexistindo, portanto, na senten&ccedil;a quaisquer das hip&oacute;teses elencadas no art. 535 da Lei Processual Civil, cabendo a parte embargante valer-se do rem&eacute;dio processual adequado.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Neste aspecto, tem-se que a senten&ccedil;a analisou a quest&atilde;o, com a explicita&ccedil;&atilde;o de todas as raz&otilde;es que levaram &agrave; conclus&atilde;o ora atacada, salientando-se que n&atilde;o h&aacute; necessidade de o julgador rebater um a um os argumentos lan&ccedil;ados pelas partes, n&atilde;o se vislumbrando tal obrigatoriedade nos dispositivos legais (artigos 832, da CLT, e 458, II, do CPC) e constitucional (artigo 93, IX) invocados, haja vista que a obriga&ccedil;&atilde;o do prolator &eacute; fundamentar o seu convencimento, e isto foi plenamente atendido no caso dos autos. Sobre a mat&eacute;ria, os julgados a seguir transcritos: </p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">NULIDADE DA SENTEN&Ccedil;A - NEGATIVA DE PRESTA&Ccedil;&Atilde;O JURISDICIONAL - N&atilde;o h&aacute; que se falar em negativa de presta&ccedil;&atilde;o jurisdicional quando a senten&ccedil;a exp&otilde;e os motivos de seu convencimento. O juiz n&atilde;o est&aacute; impelido a apreciar as teses defendidas pelas partes, de per si, bastando, para o fiel cumprimento da sua fun&ccedil;&atilde;o jurisdicional, que aponte as raz&otilde;es da decis&atilde;o dada para a solu&ccedil;&atilde;o da lide ... (TRT 4&ordf; R. - RO 01348.030/00-3 - 7&ordf; T. - Rel. Juiz Conv. Alcides Matt&eacute; - J. 05.11.2003).</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><h1><span style="FONT-SIZE: 14pt; FONT-FAMILY: Arial">NULIDADE DA SENTEN&Ccedil;A - NEGATIVA DE PRESTA&Ccedil;&Atilde;O JURISDICIONAL - Embargos rejeitados por estar a decis&atilde;o embargada devidamente fundamentada, em aten&ccedil;&atilde;o aos artigos 832, da consolida&ccedil;&atilde;o e 93, IX, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, n&atilde;o enseja a nulidade do julgado, mormente quando esta &eacute; pass&iacute;vel de reforma mediante a interposi&ccedil;&atilde;o de recurso pr&oacute;prio, conforme facultam os artigos 499, 505, da Lei adjetiva civil e mais especificamente o art. 897, &quot;a&quot;, consolidado (intelig&ecirc;ncia dos artigos 794 e 796, da carta trabalhista) (TRT 9&ordf; R. - Proc. 31640-1998-016-09-00-0 - (25013-2003) - Rel&ordf; Ju&iacute;za Rosemarie Diedrichs Pimp&atilde;o - DJPR 07.11.2003).</span></h1><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Destarte, n&atilde;o h&aacute; qualquer nulidade a ser declarada.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">2.2. Da Nulidade da Senten&ccedil;a - Viola&ccedil;&atilde;o dos Artigos 128 e 131, do CPC.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">A segunda preliminar de nulidade aventada pela recorrente diz respeito &agrave; alegada viola&ccedil;&atilde;o aos artigos 128 e 131, do C&oacute;digo de Processo Civil, apontando que o Ju&iacute;zo de origem considerou como elemento importante e determinante prova produzida em outro processo, que n&atilde;o foi submetida a contradit&oacute;rio neste, o que violaria, ainda, o disposto no artigo 5&ordm;, LV, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal. Pretende, por esta raz&atilde;o, que nova senten&ccedil;a seja proferida por outro magistrado, devendo este se ater &agrave; prova dos autos.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Os dispositivos legais indicados pela recorrente, aplicados supletivamente ao Processo do Trabalho, t&ecirc;m o seguinte teor:</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Art. 128. O juiz decidir&aacute; a lide nos limites em que foi proposta, sendo-lhe defeso conhecer de quest&otilde;es, n&atilde;o suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Art. 131. O juiz apreciar&aacute; livremente a prova, atendendo aos fatos e circunst&acirc;ncias constantes dos autos, ainda que n&atilde;o alegados pelas partes; mas dever&aacute; indicar, na senten&ccedil;a, os motivos que lhe formaram o convencimento.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Em rela&ccedil;&atilde;o ao artigo 128, v&ecirc;-se que n&atilde;o tem a aplicabilidade pretendida pela recorrente, porque n&atilde;o &eacute; o caso dos autos, haja vista que os limites da lide foram respeitados; o que questiona a empresa &eacute; se poderia o julgador se utilizar de prova produzida em outro processo para embasar o seu convencimento. Neste aspecto, ainda, n&atilde;o se vislumbra a alegada viola&ccedil;&atilde;o ao artigo 131, na medida em que a aprecia&ccedil;&atilde;o foi produzida de acordo com os fatos e circunst&acirc;ncias constantes destes autos; o que ocorre, na realidade, &eacute; um entrela&ccedil;amento de circunst&acirc;ncias entre as a&ccedil;&otilde;es individuais, ajuizadas pelos empregados da recorrida, as quais, inclusive, ocasionaram o ajuizamento da presente a&ccedil;&atilde;o - a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica - pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho. </p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Em rela&ccedil;&atilde;o aos poderes do Juiz, na condu&ccedil;&atilde;o do processo, quando trata da prova, Humberto Theodoro J&uacute;nior assim ensina: Diante da necessidade de descobrir a verdade real, o juiz n&atilde;o pode ser neutro nem indiferente. N&atilde;o determinar a prova necess&aacute;ria &agrave; revela&ccedil;&atilde;o da verdade n&atilde;o corresponde, por isso, a uma conduta imparcial e sim a um alheamento &agrave; miss&atilde;o jurisdicional de assegurar aos litigantes a mais efetiva e justa composi&ccedil;&atilde;o do lit&iacute;gio.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Na hip&oacute;tese presente, n&atilde;o se pode falar em senten&ccedil;a proferida de acordo com o conhecimento pr&oacute;prio do julgador, haja vista que se trata de prova produzida em outro processo, tendo como reclamada a ora recorrente, tamb&eacute;m n&atilde;o podendo esta alegar seu desconhecimento sobre os termos dos depoimentos transcritos na senten&ccedil;a, ou viola&ccedil;&atilde;o ao contradit&oacute;rio e ampla defesa, de modo que n&atilde;o h&aacute; como se concluir pela transgress&atilde;o ao artigo 5&ordm;, LV, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">De qualquer sorte, n&atilde;o se verifica que a senten&ccedil;a recorrida tenha se embasado na prova de outros autos, haja vista que o convencimento, como pode se verificar daquela pe&ccedil;a, foi firmado pelo que foi demonstrado neste processo, servindo os depoimentos prestados na reclama&ccedil;&atilde;o n&ordm; 323/2005 como simples refor&ccedil;o argumentativo.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Rejeita-se, portanto.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">2.3. Da Inconstitucionalidade do artigo 83, III, da Lei Complementar n&ordm; 75/1993.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Outro ponto novamente trazido &agrave; discuss&atilde;o pela recorrente &eacute; a alega&ccedil;&atilde;o de inconstitucionalidade do artigo 83, III, da Lei Complementar n&ordm; 75/1993, afirmando que h&aacute; extrapola&ccedil;&atilde;o dos comandos do artigo 129, III e IX, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, haja vista que conferiu ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho mais uma forma de legitima&ccedil;&atilde;o extraordin&aacute;ria, n&atilde;o prevista na Carta Magna.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">O inconformismo da recorrente diz respeito, portanto, &agrave; dic&ccedil;&atilde;o do artigo 83, da Lei Complementar n&ordm; 075/1993, que estabelece que: Compete ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho o exerc&iacute;cio das seguintes atribui&ccedil;&otilde;es junto aos &oacute;rg&atilde;os da Justi&ccedil;a do Trabalho: I - ...; II - ....; III - promover a a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica no &acirc;mbito da Justi&ccedil;a do Trabalho, para defesa de interesses coletivos, quando desrespeitados os direitos sociais constitucionalmente garantidos. Diz a interessada que tal norma est&aacute; em confronto com o disposto no artigo 129, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, que disp&otilde;e sobre a fun&ccedil;&atilde;o institucional do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, prevendo, no inciso III, a possibilidade de promo&ccedil;&atilde;o de inqu&eacute;rito civil e a a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica, para a prote&ccedil;&atilde;o do patrim&ocirc;nio p&uacute;blico e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos, enquanto que o inciso IX permite o exerc&iacute;cio de outras fun&ccedil;&otilde;es que lhe forem conferidas, desde que compat&iacute;veis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representa&ccedil;&atilde;o judicial e a consultoria jur&iacute;dica de entidades p&uacute;blicas.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Aponta que houve alargamento na legisla&ccedil;&atilde;o complementar quando foi conferida compet&ecirc;ncia ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico para a defesa de interesses coletivos, j&aacute; que se trata de primazia dos sindicatos, cooperativas e todas as demais formas de associativismo, tratando-se, via de conseq&uuml;&ecirc;ncia, de regra nova com caracter&iacute;stica de completa e n&atilde;o complementar a Constitui&ccedil;&atilde;o.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Para se tratar da presente quest&atilde;o, tem-se que ter em mente a disposi&ccedil;&atilde;o prevista no artigo 127, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, com o seguinte teor: O Minist&eacute;rio P&uacute;blico &eacute; institui&ccedil;&atilde;o permanente, essencial &agrave; fun&ccedil;&atilde;o jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe a defesa da ordem jur&iacute;dica, do regime democr&aacute;tico e dos interesses sociais e individuais indispon&iacute;veis. Saliente-se que o artigo 129, III, j&aacute; mencionado, prev&ecirc; expressamente a legitimidade do Minist&eacute;rio P&uacute;blico para a promo&ccedil;&atilde;o de a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica, inclusive em rela&ccedil;&atilde;o a interesses difusos e coletivos. Al&eacute;m disto, o inciso IX, da mesma norma, &eacute; claro ao estabelecer a possibilidade de exerc&iacute;cio de fun&ccedil;&otilde;es outras compat&iacute;veis com sua finalidade, conforme previs&atilde;o do artigo 127,&nbsp; acima transcrito. </p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Sobre o aspecto de legitima&ccedil;&atilde;o das associa&ccedil;&otilde;es, &eacute; mister a transcri&ccedil;&atilde;o de trecho de artigo da Procuradora Sandra Lia Simon:</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">A Lei Complementar 75/93 deve ser interpretada de forma l&oacute;gico-sistem&aacute;tica e n&atilde;o de maneira meramente literal. Afinal, sua caracter&iacute;stica &eacute; de &quot;complementar&quot; a Carta Magna, n&atilde;o podendo, em hip&oacute;tese alguma, contrari&aacute;-la.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Assim, uma das fun&ccedil;&otilde;es institucionais do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, incluindo o do Trabalho, &eacute; a de propor a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica para a prote&ccedil;&atilde;o de interesses difusos e coletivos. Limitar esta fun&ccedil;&atilde;o &agrave; tutela apenas do segundo tipo de interesse (coletivo) &eacute; flagrantemente inconstitucional. Ademais, &eacute; a Constitui&ccedil;&atilde;o Federal que, originariamente, d&aacute; legitimidade ao &Oacute;rg&atilde;o Ministerial do Trabalho para tanto e n&atilde;o apenas a Lei Complementar 75/93.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">A reda&ccedil;&atilde;o do art. 83, III, de tal lei foi extremamente infeliz e, at&eacute; mesmo, contradit&oacute;ria. Primeiro, porque os direitos sociais dos cidad&atilde;os, incluindo-se os trabalhadores, encontram-se elencados no art. 6&ordm;, CF, e podem assumir a difusa. Segundo, porque em &uacute;ltima inst&acirc;ncia, todo direito difuso poder&aacute; sempre ser visto como uma &quot;pequena causa&quot;, mas o que se busca, na verdade, &eacute; um provimento jurisdicional efetivo, que alcance de uma s&oacute; vez todas as &quot;pequenas causas&quot;, garantindo-se o acesso &agrave; justi&ccedil;a e a efetividade do provimento jurisdicional(9).</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Referido dispositivo legal, entretanto, n&atilde;o &eacute; inconstitucional, porque deve ser interpretado sem perder-se de vista os arts. 127 e 129, CF, e considerando-se os demais dispositivos do diploma legal onde encontra-se inserido, pois o art. 6&ordm;, VII, da mesma lei complementar reza que - tamb&eacute;m sem diferenciar os diversos ramos - compete ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico da Uni&atilde;o promover o inqu&eacute;rito civil p&uacute;blico e a a&ccedil;&atilde;o civil p&uacute;blica para a prote&ccedil;&atilde;o dos direitos constitucionais, do meio ambiente e de outros interesses individuais indispon&iacute;veis, homog&ecirc;neos, sociais, difusos e coletivos.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">De resto, tem-se que a defesa dos interesses coletivos em Ju&iacute;zo, atrav&eacute;s da A&ccedil;&atilde;o Civil P&uacute;blica, n&atilde;o se restringe &agrave;s associa&ccedil;&otilde;es de classe, como alegado pela recorrente, podendo ser efetivada pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho, bem como pelos sindicatos, haja vista os termos do artigo 129, &sect; 1&ordm;, que reza que: A legitima&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico para as a&ccedil;&otilde;es civis previstas neste artigo n&atilde;o impede a de terceiros, nas mesmas hip&oacute;teses, segundo o disposto nesta Constitui&ccedil;&atilde;o e na lei; sobressai-se ainda o disposto no artigo 5&ordm;, da Lei da A&ccedil;&atilde;o Civil P&uacute;blica, que estabelece a possibilidade de seu ajuizamento pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico, Uni&atilde;o, Estados e Munic&iacute;pios, al&eacute;m de autarquia, empresa p&uacute;blica, funda&ccedil;&atilde;o, sociedade de economia mista ou por associa&ccedil;&atilde;o, tratando-se, portanto de legitimidade concorrente que n&atilde;o exclui a legitima&ccedil;&atilde;o de quaisquer dos entes ali apontados.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Desta forma, n&atilde;o se vislumbra a inconstitucionalidade apontada pela recorrente na norma em quest&atilde;o, motivo porque &eacute; rejeitada a alega&ccedil;&atilde;o.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">2.4. Da Ilegitimidade Ativa do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho e Aus&ecirc;ncia de Interesses Coletivos.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Ainda tratando da interpreta&ccedil;&atilde;o do artigo 83, III, da Lei Complementar n&ordm; 0075/1993, a recorrente diz que a legitimidade ali conferida diz respeito t&atilde;o-somente &agrave; defesa de interesses coletivos, quando respeitados os direitos sociais constitucionalmente garantidos; aponta que a mat&eacute;ria ora tratada diz respeito a direitos individuais homog&ecirc;neos e que, em rela&ccedil;&atilde;o aos direitos sociais, a indica&ccedil;&atilde;o do artigo 6&ordm;, da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, &eacute; taxativa, o que n&atilde;o se traduz na hip&oacute;tese dos autos.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Em primeiro lugar, h&aacute; que se ressaltar que a A&ccedil;&atilde;o Civil P&uacute;blica, quando ajuizada perante a Justi&ccedil;a do Trabalho, visa coibir a pr&aacute;tica de il&iacute;cito constatado no campo das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho e tem como caracter&iacute;stica a busca pela observ&acirc;ncia das normas jur&iacute;dicas vigentes, presumidamente descumpridas, de modo a garantir a preserva&ccedil;&atilde;o da ordem jur&iacute;dica, quando violados direitos sociais constitucionalmente garantidos.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">No dizer de Hugo Nigro Mazzilli, na no&ccedil;&atilde;o mais abrangente de interesse p&uacute;blico, est&atilde;o inclu&iacute;dos os interesses da coletividade, como um todo, os interesses sociais e individuais indispon&iacute;veis, os interesses coletivos e os interesses difusos. Desta assertiva, pode-se se concluir que o interesse p&uacute;blico, embora de forma reflexa, atinge toda a sociedade, abrangendo, portanto, o interesse coletivo e at&eacute; o interesse individual indispon&iacute;vel.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Sobre a discuss&atilde;o sobre defesa de direitos coletivos e defesa coletiva de direito, &eacute; relevante apontar que os dois conceitos n&atilde;o se confundem, uma vez que defesa de direitos coletivos diz respeito a direito transindividual e indivis&iacute;vel, que pode ser difuso ou coletivo e a defesa coletiva &eacute; destinada aos direitos individuais homog&ecirc;neos, que s&atilde;o, na verdade, direitos subjetivos individuais, divis&iacute;veis e integrados ao patrim&ocirc;nio de titulares certos, que sobre eles exercem, com exclusividade, o poder de disposi&ccedil;&atilde;o e somente em casos excepcionais, expressamente previstos em lei, &eacute; admitida a defesa desses direitos por pessoa diversa que n&atilde;o seja seu pr&oacute;prio titular. </p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">H&aacute; que se ressaltar, ainda, algumas distin&ccedil;&otilde;es entre direitos difusos e coletivos e direitos individuais homog&ecirc;neos, que foram muito bem delimitadas pelo processualista e ministro Teori Albino Zavascki.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">No campo subjetivo, o direito difuso se caracteriza pela indetermina&ccedil;&atilde;o absoluta dos titulares, uma vez que a liga&ccedil;&atilde;o entre eles decorre de mera circunst&acirc;ncia de fato, como morar na mesma cidade; nos direitos coletivos a indetermina&ccedil;&atilde;o dos seus titulares &eacute; relativa, j&aacute; que a liga&ccedil;&atilde;o decorre de uma rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica, citando-se&nbsp; exemplificativamente os membros de uma determinada categoria profissional, como os advogados; j&aacute; os titulares dos direitos individuais s&atilde;o perfeitamente identific&aacute;veis e a rela&ccedil;&atilde;o que existe entre eles diz respeito ao objeto do direito, uma vez que s&atilde;o sujeitos de direitos com &ldquo;origem comum&rdquo;. </p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">No campo objetivo, observa-se que os direitos difusos e os direitos coletivos n&atilde;o podem ser satisfeitos nem lesados sen&atilde;o em rela&ccedil;&atilde;o a todos os poss&iacute;veis titulares, haja vista que s&atilde;o indivis&iacute;veis, ao passo que os direitos individuais homog&ecirc;neos podem ser satisfeitos ou lesados de forma diferenciada e individualizada, em rela&ccedil;&atilde;o a um ou alguns titulares sem afetar os demais, dada a sua divisibilidade, o que atinge diretamente a discuss&atilde;o acerca da legitimidade do autor para a propositura da A&ccedil;&atilde;o Civil P&uacute;blica na defesa de interesses individuais homog&ecirc;neos.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Entretanto, a Lei Complementar n&ordm; 075/1993 disp&otilde;e, quando trata da fun&ccedil;&atilde;o institucional do Minist&eacute;rio P&uacute;blico (artigo 5&ordm;), que cabe a este a defesa da ordem jur&iacute;dica, do regime democr&aacute;tico, dos interesses sociais e dos interesses individuais indispon&iacute;veis, considerando-se os fundamentos e princ&iacute;pios que estabelece, al&eacute;m de consignar, no artigo 6&ordm;, VII, a defesa de outros interesses individuais indispon&iacute;veis, homog&ecirc;neos, sociais, difusos e coletivos.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Demais disso, n&atilde;o se pode olvidar da inova&ccedil;&atilde;o trazida com o C&oacute;digo de Defesa do Consumidor, ao estabelecer, no artigo 81 a possibilidade de defesa dos interesses e direitos dos consumidores e das v&iacute;timas ser exercida em Ju&iacute;zo individualmente, ou a t&iacute;tulo coletivo, com explicita&ccedil;&atilde;o dos casos que envolvam interesses ou direitos difusos, especificamente os transindividuais, de natureza indivis&iacute;vel, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunst&acirc;ncias de fato; interesses ou direitos coletivos, consistentes naqueles transindividuais de natureza indivis&iacute;vel de que seja titular grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contr&aacute;ria por uma rela&ccedil;&atilde;o jur&iacute;dica-base; al&eacute;m disto, trata dos interesses ou direitos individuais homog&ecirc;neos, assim entendidos os decorrentes de origem comum. </p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Sobre esta mat&eacute;ria, o procurador Jos&eacute; Cl&aacute;udio Monteiro de Brito Filho, em artigo, assim expressa: Note-se que n&atilde;o h&aacute; refer&ecirc;ncia, na Constitui&ccedil;&atilde;o da Rep&uacute;blica, aos interesses individuais homog&ecirc;neos. Isso n&atilde;o &eacute;, todavia, motivo para estranheza. O C&oacute;digo de Defesa do Consumidor &eacute; posterior ao texto constitucional, e nele &eacute; que foi prevista a defesa coletiva dos interesses individuais homog&ecirc;neos, como j&aacute; explicado.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Prossegue o autor, fazendo men&ccedil;&atilde;o &agrave;s disposi&ccedil;&otilde;es insertas nos artigos 82, I, 81, III e 83, III, do C&oacute;digo de Defesa do Consumidor, e 83, III, da Lei Complementar n&ordm; 075/1993, nos seguintes termos: Em verdade, a men&ccedil;&atilde;o a interesses coletivos na norma citada deve ser lida como a defesa de todas as esp&eacute;cies do g&ecirc;nero interesses coletivos, ou seja, os que se prestam &agrave; defesa coletiva, que s&atilde;o, repetimos, os difusos, os coletivos (em esp&eacute;cie), e os individuais homog&ecirc;neos.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Assim, rejeita-se tamb&eacute;m esta alega&ccedil;&atilde;o.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">2.5. Da In&eacute;pcia da Inicial do Pedido de Dano Moral Coletivo.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Renova a recorrente, no recurso ordin&aacute;rio, a alega&ccedil;&atilde;o de in&eacute;pcia da inicial, em rela&ccedil;&atilde;o ao pedido de condena&ccedil;&atilde;o por danos morais coletivos, sob o argumento de que n&atilde;o h&aacute; a indica&ccedil;&atilde;o de qualquer preju&iacute;zo concretamente &agrave; sociedade e preju&iacute;zo ou dano com rela&ccedil;&atilde;o ao qual possa ser estabelecida uma rela&ccedil;&atilde;o de correspond&ecirc;ncia com o valor pleiteado a t&iacute;tulo de indeniza&ccedil;&atilde;o, entendendo, portanto, que se trata de pedido gen&eacute;rico.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">A senten&ccedil;a, ao apreciar a arg&uuml;i&ccedil;&atilde;o da ora recorrente, assim definiu: N&atilde;o merece prosperar. A inicial &eacute; clara ao requer o dano moral coletivo pela injusta les&atilde;o da esfera moral de uma coletividade espec&iacute;fica, qual seja, a coletividade dos empregados da AMBEV, citando inclusive jurisprud&ecirc;ncias que corroboram sua tese e a base normativa (Lei 7347/85). O valor da indeniza&ccedil;&atilde;o foi pleiteado e as obriga&ccedil;&otilde;es de fazer e n&atilde;o fazer foram especificamente tratadas.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Da leitura da inicial, verifica-se que o autor trata do dano moral coletivo &agrave;s fls. 20/29, expondo longo e articulado racioc&iacute;nio, de modo a pretender o enquadramento da recorrente nos dispositivos legais relativos &agrave; mat&eacute;ria ora debate, sobressaindo-se a circunst&acirc;ncia de o pedido ter sido formulado de forma a permitir a compreens&atilde;o do objeto do lit&iacute;gio, a fim de tra&ccedil;ar os limites da lide, al&eacute;m de permitir o contradit&oacute;rio, o que ocorreu de fato, bastando, para tanto, verificar os termos da contesta&ccedil;&atilde;o apresentada pela demandada. </p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Destarte, n&atilde;o h&aacute; que se falar em in&eacute;pcia da inicial, rejeitando-se a alega&ccedil;&atilde;o.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">2.6. Do M&eacute;rito.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">2.6.1. Do Ass&eacute;dio Moral.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">A recorrente pretende a reforma da senten&ccedil;a, que reconheceu a pr&aacute;tica de ass&eacute;dio moral em seu &acirc;mbito, dizendo que nunca teve como objetivo submeter seus empregados, de forma generalizada, indiscriminada e como pol&iacute;tica de atua&ccedil;&atilde;o a situa&ccedil;&otilde;es pass&iacute;veis de enquadramento como representativas de ass&eacute;dio moral, fazendo men&ccedil;&atilde;o a r&iacute;gido c&oacute;digo de &eacute;tica implantado.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Acrescenta que, no passado, algumas poucas equipes de vendas, n&atilde;o com intuito de assediar moralmente os empregados, mas como elemento motivacional, adotaram procedimentos como &ldquo;brincadeiras&rdquo;, sem submiss&atilde;o a constrangimentos, que geraram insatisfa&ccedil;&atilde;o de alguns poucos, n&atilde;o se tratando de situa&ccedil;&atilde;o generalizada; faz men&ccedil;&atilde;o a pesquisa feita a respeito, que demonstra n&atilde;o existir situa&ccedil;&otilde;es negativas ou contr&aacute;rias &agrave; honra e &agrave; imagem dos trabalhadores, reportando-se &agrave; inexist&ecirc;ncia de atualidade das acusa&ccedil;&otilde;es feitas pelo parquet. </p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">&nbsp;</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">Compulsando-se os autos, verifica-se que o ass&eacute;dio moral, em raz&atilde;o da pr&oacute;pria natureza da rela&ccedil;&atilde;o empregat&iacute;cia, n&atilde;o &eacute; desconhecido no &acirc;mbito desta Justi&ccedil;a, ganhando relevo a partir da promulga&ccedil;&atilde;o da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal, quando d&aacute; destaque &agrave; dignidade da pessoa humana, colocando-a inclusive como fundamento da Rep&uacute;blica, conforme se pode aferir da leitura do seu artigo 1&ordm;, inciso III. </span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">&nbsp;</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">Artigo contido na Revista do Direito Trabalhista, da advogada Cl&aacute;udia Brum Moth&eacute;, de mar&ccedil;o de 2006, sobre a quest&atilde;o, alude ao fato de que estudo realizado pela Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho, realizado no ano de 2000 constatou que na Uni&atilde;o Europ&eacute;ia 8% (oito por cento) dos trabalhadores convivem com o tratamento inadequado de suas chefias, o que denota que, mesmo no chamado primeiro mundo, a ocorr&ecirc;ncia de tais fatos n&atilde;o &eacute; rara.</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">&nbsp;</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">Sobre a mat&eacute;ria ora tratada, a magistrada e professora Alice Monteiro de Barros destaca em sua obra conceito de Heinz Leymann, para quem ass&eacute;dio moral &eacute; a situa&ccedil;&atilde;o em que uma pessoa ou um grupo de pessoas exercem uma viol&ecirc;ncia psicol&oacute;gica extrema, de forma sistem&aacute;tica e freq&uuml;ente (em m&eacute;dia uma vez por semana) e durante um tempo prolongado (em torno de uns 6 meses) sobre outra pessoa, com quem mant&ecirc;m uma rela&ccedil;&atilde;o assim&eacute;trica de poder no local de trabalho, com o objetivo de destruir as redes de comunica&ccedil;&atilde;o da v&iacute;tima, destruir sua reputa&ccedil;&atilde;o, perturbar o exerc&iacute;cio de seus trabalhos e conseguir, finalmente, que essa pessoa acabe deixando o emprego.</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">&nbsp;</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">A ementa abaixo transcrita, originada de recurso apreciado pelo Egr&eacute;gio Tribunal Regional do Trabalho da 6&ordf; Regi&atilde;o, traz posicionamento doutrin&aacute;rio sobre o tema, tratando-o da seguinte forma:</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">&nbsp;</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">DANOS MORAIS - ASS&Eacute;DIO MORAL CONFIGURADO - DEVIDA INDENIZA&Ccedil;&Atilde;O REPARAT&Oacute;RIA - Constitui ass&eacute;dio moral a tortura psicol&oacute;gica atual e continuada a que &eacute; submetido o empregado, consubstanciada no terror de ordem pessoal, moral e psicol&oacute;gico, praticado no &acirc;mbito da empresa, podendo ser exercitado pelo superior hier&aacute;rquico, por grupo de empregados do mesmo n&iacute;vel e pelos subordinados contra o chefe, isto &eacute;, pode ocorrer no sentido vertical, horizontal e ascendente. Tem por objetivo, via de regra, tornar insuport&aacute;vel o ambiente laboral, obrigando o trabalhador a tomar a iniciativa, por qualquer meio, do desfazimento do v&iacute;nculo empregat&iacute;cio. O &quot;mobbing&quot; caracteriza-se pela pr&aacute;tica atual e freq&uuml;ente de atos de viol&ecirc;ncia contra a pessoa do empregado, dos quais participam, necessariamente, o ofensor, o ofendido e espectadores (grupo de empregados), uma vez que tem por finalidade promover a humilha&ccedil;&atilde;o, o constrangimento perante os demais colegas de trabalho. Marie-France Hirigoyen define o psicoterror como sendo &quot;toda e qualquer conduta abusiva, manifestando-se, sobretudo, por comportamentos, palavras, atos, gestos, escritos, que possam trazer dano &agrave; personalidade, &agrave; dignidade ou &agrave; integridade f&iacute;sica ou ps&iacute;quica de uma pessoa, p&ocirc;r em perigo seu emprego ou degradar o ambiente de trabalho&quot; (in &quot;ass&eacute;dio moral a viol&ecirc;ncia perversa do cotidiano&quot;). in casu, ficaram comprovados, &agrave; saciedade, a humilha&ccedil;&atilde;o e o constrangimento a que era submetido, rotineiramente, o empregado, na presen&ccedil;a dos demais colegas de trabalho, por ato do superior hier&aacute;rquico, por n&atilde;o ter atingido a meta de produ&ccedil;&atilde;o, consubstanciados na atribui&ccedil;&atilde;o da pecha de &quot;irrespons&aacute;vel&quot;, &quot;incompetente&quot;, &quot;fracassado&quot;, dentre outros. Cab&iacute;vel, destarte, a indeniza&ccedil;&atilde;o por danos morais. Recurso ordin&aacute;rio improvido, no particular (TRT 6&ordf; Reg., Proc. N&ordm; 00340-2004-005-06-00-1, 1&ordf; T., Rel. Juiz Valdir Jos&eacute; Silva de Carvalho - DOEPE 04.02.2005).</span></p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Sobre a tipifica&ccedil;&atilde;o do comportamento enquadrado como caracterizados do ass&eacute;dio moral, releva ressaltar que a Organiza&ccedil;&atilde;o Internacional do Trabalho (OIT), expendeu informe, no ano de 2002, onde lista alguns atos que se configuram ass&eacute;dio moral, quais sejam: medida destinada a excluir uma pessoa de uma atividade profissional; ataques persistentes e negativos ao rendimento pessoal ou profissional sem raz&atilde;o; a manipula&ccedil;&atilde;o da reputa&ccedil;&atilde;o pessoal ou profissional de uma pessoa atrav&eacute;s de rumores e ridiculariza&ccedil;&atilde;o; abuso de poder atrav&eacute;s do menosprezo persistente do trabalho da pessoa ou a fixa&ccedil;&atilde;o de objetivos com prazos inating&iacute;veis ou pouco razo&aacute;veis ou a atribui&ccedil;&atilde;o de tarefas imposs&iacute;veis; e controle desmedido ou inapropriado do rendimento de uma pessoa.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">O tamb&eacute;m magistrado Cl&aacute;udio Armando Couce de Menezes em artigo intitulado Ass&eacute;dio Moral e seus Efeitos Jur&iacute;dicos explicita que o ato de ass&eacute;dio se caracteriza em submeter algu&eacute;m sem tr&eacute;gua, a ataques repetidos, requerendo a continuidade do comportamento, que pode se constituir em insist&ecirc;ncia, repeti&ccedil;&otilde;es, procedimentos, omiss&otilde;es, atos, palavras, coment&aacute;rios, cr&iacute;ticas e piadas.</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">No caso dos autos, verifica-se que o Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho exp&otilde;e que a recorrente manteve tratamento jocoso e humilhante com seus empregados, apelidando-os e fazendo-os passar por constrangimentos, no intuito de ter suas metas de venda atendidas, com prop&oacute;sitos evidentes de persegui&ccedil;&atilde;o, aludindo ainda a agress&atilde;o &agrave; dignidade do trabalhador, fazendo men&ccedil;&atilde;o a depoimentos tomados em seu &acirc;mbito e em audi&ecirc;ncias perante esta Justi&ccedil;a, al&eacute;m de confiss&atilde;o perante a Delegacia Regional do Trabalho. Juntamente com a inicial da presente a&ccedil;&atilde;o, traz o autor ao processo c&oacute;pia de reclama&ccedil;&atilde;o trabalhista ajuizada pelo trabalhador Andr&eacute; Ramos da Silva (fls. 36 e seguintes), onde h&aacute; pleito de indeniza&ccedil;&atilde;o por dano morais, em raz&atilde;o de constrangimentos a ele impingidos, constando, na causa de pedir o excerto a seguir: Al&eacute;m disso, o reclamante pleiteia a condena&ccedil;&atilde;o da reclamada em danos morais provocados em virtude do autor ser obrigado a usar uma camiseta no seu trabalho, 02 (duas) vezes por semana com o apelido que lhe foi colocado pelo gerente da marca ANTARCTICA, Sr. Alexandre Barros, seu superior direto na AMBEV, tal apelido causou enormes transtornos ao reclamante que de forma humilhante era obrigado a usar a camiseta que ser&aacute; juntada aos autos no momento oportuno, contendo o apelo arrasado de sua moral e honra, denominado &ldquo;CABO BOCA DE CAVALO&rdquo;, assim como era obrigado em caso de n&atilde;o atingir as metas de vendas, a dan&ccedil;ar &ldquo;na boquinha da garrafa&rdquo;, assistir reuni&otilde;es em p&eacute;, uma vez que tal supervisor virava a mesa e as cadeiras de cabe&ccedil;a para baixo; cantar m&uacute;sicas que o ridicularizava; limpar vidra&ccedil;as, fugindo da fun&ccedil;&atilde;o real do reclamante; ser proibido de ingressar na empresa; ser obrigado a realizar flex&otilde;es, como no regime militar...</p><br><p class="MsoNormal">&nbsp;</p><br><p class="MsoNormal">Quando da realiza&ccedil;&atilde;o da instru&ccedil;&atilde;o da presente a&ccedil;&atilde;o, foram tomados depoimentos de testemunhas, sendo relevante para a aprecia&ccedil;&atilde;o da demanda a transcri&ccedil;&atilde;o de seus termos.</p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">&nbsp;</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">A primeira testemunha trazida pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Trabalho, Sr. Andr&eacute; Ramos da Silva, reclamante na a&ccedil;&atilde;o acima referenciada, ao ser perguntado, respondeu: que era vendedor; que eram seis vendedores na sua equipe mais um supervisor; que tinham metas di&aacute;rias; que n&atilde;o atingidas as metas, nas reuni&otilde;es matinais se falava e ent&atilde;o eram estabelecidas algum tipo de &lsquo;castigo&rsquo;, como por exemplo, dan&ccedil;ar a m&uacute;sica &lsquo;na boquinha da garrafa&rsquo; ou fazer flex&otilde;es de bra&ccedil;o, ou ainda assistir reuni&otilde;es em p&eacute;; que no caso dele nunca precisou se fantasiar, mas aconteceu em outro segmento; que tamb&eacute;m foram confeccionadas no estilo militar em uma campanha que fizeram contra a concorrente - Nova Schin - onde al&eacute;m da marca da empresa era colocado um apelido, sendo que o dele depoente era &lsquo;boca de cavalo&rsquo;; que este apelido lhe foi dado pelo gerente de vendas, Sr. Alexandre Barros e o auxiliar; que ele depoente estava na rota, ao retornar j&aacute; soube do apelido; que inclusive dois colegas negros foram apelidados, um de caixa preta e outro de Saci, sendo que esse segundo se constrangeu bastante com a situa&ccedil;&atilde;o; que obrigatoriamente nas quartas e nos s&aacute;bados tinham que utilizar a camiseta; que sa&iacute;am para a rota com essas camisetas; que tamb&eacute;m lhes eram dirigidas nas reuni&otilde;es palavras de baixo cal&atilde;o, tais como &lsquo;porra, incompetente, imprest&aacute;vel&rsquo;; que havia apenas uma mulher e seu apelido era Fil&oacute;, porque tinha algumas caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas assemelhas ao personagem da SBT; que n&atilde;o havia vesti&aacute;rio e j&aacute; vinham de casa vestidos com a camiseta; que a repercuss&atilde;o fora do ambiente diante dos coment&aacute;rios que eles faziam com os colegas era de perplexidade.; que inclusive um colega, de nome Everaldo Oliveira, que havia sido selecionado desistiu de trabalhar porque n&atilde;o queria laborar com apelido; que n&atilde;o se recorda se a mulher mencionada dan&ccedil;ou a m&uacute;sica &lsquo;na boquinha da garrafa&rsquo;; que tamb&eacute;m na gest&atilde;o do gerente M&aacute;rcio, as situa&ccedil;&otilde;es ocorreram; que com esse gerente trabalhou apenas nos &uacute;ltimos tr&ecirc;s meses antes de sair da empresa e este exigia mais o uso da camisa; ...; que o uso de camisetas foi em torno de tr&ecirc;s meses, sendo que no final da gest&atilde;o do Sr. Alexandre e in&iacute;cio da gest&atilde;o do Sr. M&aacute;rcio; que desse tempo nos dias em que n&atilde;o trabalhava com a camiseta com o apelido, trabalhava com a camiseta de acordo com a marca que estavam vendendo, azul para Antarctica, amarela para Skol e vermelha para Brahma e a cal&ccedil;a sempre era bege; que sempre trabalhou com a Antarctica; que j&aacute; no final do seu v&iacute;nculo houve uma mudan&ccedil;a na empresa quando passaram a trabalhar com o projeto marca; que quem vendesse Antarctica tamb&eacute;m venderia Brahma e quem vendesse Skol tamb&eacute;m venderia bo&ecirc;mia; que isso j&aacute; se deu na gest&atilde;o do Sr. Marcos; que quando houve essa mudan&ccedil;a cessou a obrigatoriedade de vestir as camisetas com o apelido, bem como cessaram os mencionados castigos, apenas as advert&ecirc;ncia verbais continuaram, como por exemplo, um vendedor que estava sorrindo e n&atilde;o havia batido meta e foi advertido na frente de todo mundo e n&atilde;o poderia sorrir porque n&atilde;o havia batido a meta; que n&atilde;o tem conhecimento se qualquer colega tivesse apelido, exceto aqueles colocados pela empresa (grifo n&atilde;o constante do original).</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">Por sua vez, a segunda testemunha, Sr. Jos&eacute; Enedino Batista, afirmou: que sempre foi vendedor; que sua equipe era composta de seis vendedores e mais um supervisor; que com a testemunha anterior trabalhou apenas durante trinta dias; que desde que iniciou o seu labor na empresa, sempre havia certos tipos de penalidades para quem n&atilde;o atingisse metas; que o primeiro gerente era o Sr. Alexandre Galv&atilde;o, o qual penalizava apenas com flex&atilde;o de bra&ccedil;o ou assistir as reuni&otilde;es matinais em p&eacute;; que depois veio o gerente Eron e com ele nada disso acontecia, n&atilde;o havendo qualquer penalidade, apelidos, etc, da mesma forma com o gerente Paulo nada disso foi imposto; que posteriormente veio o gerente Marcelo que permaneceu pouco tempo e que algumas vezes o fazia assistir reuni&otilde;es em p&eacute;; que ent&atilde;o veio o gerente Alexandre Barros que chegou para humilhar a todos: assistiam reuni&otilde;es em p&eacute;, dan&ccedil;avam na &lsquo;boquinha da garrafa&rsquo;, instituiu as camisetas com os apelidos para serem usadas nas quartas e nos s&aacute;bados al&eacute;m de &agrave;s vezes terem de cantar m&uacute;sicas humilhantes a seus companheiros; que n&atilde;o eram comum, nessa gest&atilde;o, as flex&otilde;es de bra&ccedil;o; que n&atilde;o chegaram a ter que usar fantasia; que no caso dele a sua camiseta constava o apelido &lsquo;cabo cu de liga&rsquo;; que foi o gerente Alexandre Barros quem colocou esse apelido no depoente; que nem ele nem seus colegas tinham apelidos antes; que os apelidos foram colocados pelo gerente Alexandre Barros que o fazia, segundo dizia, pelas caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas dos empregados; que ele depoente chegou a procurar o setor de Gente e gest&atilde;o - recursos humanos - para que n&atilde;o lhe fosse colocado o referido apelido, mas mesmo assim o fizeram; que havia apenas uma mulher que tinha um apelido o qual ele n&atilde;o se recorda se era algu&eacute;m relacionado ao programa A Pra&ccedil;a &eacute; Nossa ou a um programa infantil; que nos outros dias se utilizavam de uniforme normal de camiseta cal&ccedil;a e bota; que sempre trabalhou na venda de Antarctica, sendo que apenas no &uacute;ltimo m&ecirc;s - julho de 2004 - trabalhou na venda de Skol; que quando ele foi trabalhar na venda da Skol, o gerente Alexandre barros tamb&eacute;m havia sido transferido, mas ele depoente continuava cadastrado como vendedor da Antarctica e por isso seu gerente era o Sr. Marcos; que o Sr. Marcos n&atilde;o procedia da mesma forma que o Sr. Alexandre; que o gerente Alexandre Barros foi quem imp&ocirc;s os castigos e as situa&ccedil;&otilde;es vexat&oacute;rias; que nas reuni&otilde;es eram utilizados palavr&otilde;es com eles vendedores, ...; que isso se dava s&oacute; internamente nas reuni&otilde;es; que a empresa n&atilde;o tem vesti&aacute;rio e j&aacute; sa&iacute;am de casa com as camisetas; que chegou a falar com o gerente tamb&eacute;m sob o apelido, mas n&atilde;o foi atendido e que o setor de gente e gest&atilde;o &eacute; superior ao gerente e poderia ter barrado o apelido na camiseta; que o &uacute;nico setor destinado a reclama&ccedil;&atilde;o de seus empregados era o setor de gente e gest&atilde;o; que o Sr. Alexandre Barros veio transferido de Fortaleza-CE e ele veio para Natal quando da fus&atilde;o para a forma&ccedil;&atilde;o do grupo AMBEV; que teve a oportunidade de encontrar com os vendedores de outro estado em conven&ccedil;&otilde;es que aconteceram aqui em Natal e em Jo&atilde;o pessoa, onde os colegas de outros estado comentavam que os castigos aconteciam, mas n&atilde;o as camisetas com o apelido; que quando ele saiu da empresa o Sr. Alexandre Barros continuava trabalhando; que ouviu dizer que mesmo teria sido dispensado; que recebia sal&aacute;rio fixo mais comiss&atilde;o; que para receber as comiss&otilde;es teria que bater pelo menos 70% da meta; que se n&atilde;o atingisse tal percentual, a comiss&atilde;o era zerada; que em todo o per&iacute;odo em que trabalhou para a reclamada, isso aconteceu apenas uma vez.</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">&nbsp;</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">Ainda, h&aacute; o depoimento da terceira testemunha trazida pelo parquet, que, ao depor, explicitou: ...; que as comiss&otilde;es s&oacute; eram pagas se fossem atingidas 70% das metas no m&iacute;nimo, pois caso contr&aacute;rio era zerado e recebia apenas o sal&aacute;rio fixo; que essa meta para aferi&ccedil;&atilde;o de remunera&ccedil;&atilde;o era mensal, mas havia tamb&eacute;m a meta di&aacute;ria, a qual se n&atilde;o fosse atingida estava sujeita a prenda, tais como dan&ccedil;ar na boquinha da garrafa, assistir reuni&otilde;es em p&eacute;, pagar flex&otilde;es, desenho de caricaturas no quadro, virar a mesa da reuni&atilde;o da equipe que n&atilde;o batia meta; que tamb&eacute;m estavam sujeitos a todo os tipos de palavr&otilde;es como ...; que teve dois gerentes, pois foi da sala Antarctica, cujo gerente era o Alexandre Barros e o da sala Skol, cujo gerente era Emerson; que em todas as salas de venda isso acontecia; que esse gerente Emerson, al&eacute;m disso, &agrave;s vezes n&atilde;o deixava os vendedores entrar na empresa, porque n&atilde;o haviam atingido metas, apenas deixando o palm-top para descarregar; que tamb&eacute;m obrigava vendedores e supervisores a se fantasiarem e sa&iacute;rem caminhando por toda a empresa; que teve inclusive uma&nbsp; vez que obrigou um supervisor a amarrar um bode vivo junto &agrave; mesa e l&aacute; permaneceu durante todo o dia; que esse gerente inclusive obrigou a equipe Skol, uma vez ir ao Catre para praticar atividades f&iacute;sicas pelo n&atilde;o cumprimento de metas, como flex&otilde;es, corridas, cabo de guerra, futebol americano, etc, ocasi&atilde;o em que dois funcion&aacute;rios se acidentaram, tendo um quebrado dois dedos e outro a pena; que ele tamb&eacute;m assim como os demais, era obrigado durante dois dias por semana usar uma camiseta que constava apelido; que o apelido dele depoente era carro&ccedil;a; que nem ele nem seus colegas tinham apelidos antes; que os apelidos lhe forma impostos pelo gerente; que foi o Sr. Alexandre Barros quem colocou o referido apelido; que a empresa tem um setor de gente e qualidade que o setor de recursos humanos, mas em nada os atendia; que se sofresse qualquer tipo de acidente de moto ou qualquer problema, nada valia, queriam reclamar desses abusos e nada resolvia; que esse setor tinha poderes para evitar os atos praticados pelo gerente; que o centro de distribui&ccedil;&atilde;o daqui &eacute; conjugado com o da Para&iacute;ba e em um encontro que teve, chegaram a conversar onde os vendedores daquele estado disseram que o tema era o mesmo; que isso se dava em todo local que tivesse AMBEV; que todos tinham apelido, normalmente vinculados a sua forma f&iacute;sica ou por algum outro motivo que o gerente assim considerava; que salve engano tinha uma mo&ccedil;a na ant&aacute;rtica e uma outra na Brahma; que ambas eram vendedoras, mas n&atilde;o se recordas o apelido delas; que todos os funcion&aacute;rios participavam de flex&otilde;es, dan&ccedil;a na boquinha da garrafa, independente de sexo; que quando ele comentava com pessoas de foram da empresa acerca de tais fastos, as pessoas ficavam incr&eacute;dulas, pois n&atilde;o poderiam crer que tal situa&ccedil;&atilde;o existia em uma empresa como a reclamada; que os vendedores que se acidentaram no epis&oacute;dio do Catre, aquele que quebrou os dedos era supervisor e continuou trabalhando normalmente porque andava de carro, independente do atestado, j&aacute; o segundo que era vendedor, a empresa o colocou pela per&iacute;cia e se recorda bem que o mesmo se encontrava numa situa&ccedil;&atilde;o t&atilde;o dif&iacute;cil que nada a empresa fez para ajud&aacute;-lo que v&aacute;rios vendedores se reuniram e cada um ofereceu uma quantia de seus vales-refei&ccedil;&atilde;o para ajud&aacute;-lo; que n&atilde;o sabe precisar a data mas o evento ocorreu ou no final de 2003 ou no in&iacute;cio de 2004 e se deu em um s&aacute;bado; que a empresa n&atilde;o tem vesti&aacute;rio e ele j&aacute; sa&iacute;a de casa com a camisa com o apelido; que ficou aproximadamente sob a ger&ecirc;ncia do Sr. Alexandre Barros e depois at&eacute; o final sob a ger&ecirc;ncia do Sr. Emerson; que as camisetas foram utilizadas em uma campanha de guerra contra a concorrente - Nova Schin - e que iniciou no final de 2003 aproximadamente e quando ele depoente saiu em mar&ccedil;o de 2004 ainda se utilizava as camisetas; que aconteceu caso dele n&atilde;o atingir o percentual m&iacute;nimo de 70% e por conseguinte n&atilde;o receber as comiss&otilde;es; que isso se deu pouqu&iacute;ssimas vezes; que acontecia mais vezes dele chegar no m&iacute;nimo (70%); que as puni&ccedil;&otilde;es e as camisetas eram tudo id&eacute;ia do gerente e n&atilde;o havia participa&ccedil;&atilde;o de supervisor ou vendedor.</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">&nbsp;</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">Ainda, foram ouvidas testemunhas trazidas pela recorrente, tendo o depoimento da primeira, Sr. Wallace Silva Brito, o seguinte teor: que trabalha para o r&eacute;u desde junho de 2002; que atualmente &eacute; supervisor de vendas; que foi vendedor tr&ecirc;s anos e dois meses; que depois foi vendedor &lsquo;coach&rsquo; e depois passou a supervisor; que iniciou como vendedor Antarctica e depois passou a ser vendedor Skol; que seu primeiro gerente foi o Sr. Eron, depois o Sr. Paulo, depois Marcelo Fan, depois Alexandre barros, Sr. M&aacute;rcio e agora o Sr. Marcelo; que como vendedor da Antarctica ficou sob a ger&ecirc;ncia do Sr. Alexandre barros e quando foi para a Skol foi na mesma &eacute;poca em que o Sr. Alexandre Barros foi transferido para Skol; que quando este foi desligado ficou sob a ger&ecirc;ncia do Sr. Marcos e por &uacute;ltimo do Sr. Marcelo; que sempre atingiu o m&iacute;nimo de 70% de metas de maneira de que nunca zerou suas comiss&otilde;es; que j&aacute; deixou de atingir as metas, mas isso se deu raramente; que ele depoente j&aacute; chegou a assistir reuni&otilde;es de p&eacute;, mas flex&otilde;es de bra&ccedil;o nunca aconteceram desde que ele entrou na empresa; que ele nunca dan&ccedil;ou na &lsquo;boquinha da garrafa&rsquo;, pois quando isso acontecia ele j&aacute; tinha batido as metas; que isso era tido como uma forma motivacional onde todos ficavam rindo; que palavras de baixo cal&atilde;o eram comum serem utilizadas mas n&atilde;o para chamar uns aos outros, mas express&otilde;es como &lsquo;foi do caralho bater essa meta, vamos atingir essa porra&rsquo;; que havia uma vendedora; que acredita que ela tenha visto ou ouvido esses palavr&otilde;es; que hoje n&atilde;o h&aacute; mais isso em virtude dos problemas que existiam; que tamb&eacute;m chegou a usar a camisa na guerra contra a concorrente e seu apelido era &lsquo;cabo cisticercose&rsquo;; que &eacute; um tipo de verme; que alguns colegas de trabalho j&aacute; o chamavam assim, os mais pr&oacute;ximos; que ele n&atilde;o se importava com o tal apelido em sua camiseta; que a empresa n&atilde;o tem vesti&aacute;rio, apenas banheiro; que eles j&aacute; vinham de casa vestindo a camiseta em dias de quartas e s&aacute;bados; que n&atilde;o se recorda quanto tempo durou o uso dessas camisetas; que quando ele foi para Skol o uso das camisetas j&aacute; havia acabado; que apenas em dias de s&aacute;bado como era liberado ir com qualquer camisa desde que fosse da empresa, alguns optavam por ir com a dita camiseta; que as prendas mencionadas se deram apenas na gest&atilde;o de Alexandre Barros; que sob a ger&ecirc;ncia de M&aacute;rcio j&aacute; n&atilde;o mais existia; que o Sr. Alexandre Barros foi desligado aproximadamente no final de setembro de 2004; que as camisetas eram para todas as equipes, mas na equipe de vendas da Antarctica que estava sob a ger&ecirc;ncia do Sr. Alexandre barros, este como era brincalh&atilde;o resolveu colocar apelidos em todos e imprimi-los nas camisetas; que as camisetas das outras equipes n&atilde;o constavam apelidos; que n&atilde;o sabe informar se foram criados apelidos para algu&eacute;m; que a grande maioria j&aacute; tinha apelidos pr&eacute;-existente; que a empresa d&aacute; assist&ecirc;ncia m&eacute;dica, plano odontol&oacute;gico, 14&ordm; sal&aacute;rio e no caso dele depoente paga 70% da mensalidade da universidade; que o relacionamento entre os vendedores e seus superiores era de camaradagem; que o Sr. Alexandre barros inclusive pelo seu jeito extrovertido e brincalh&atilde;o era muito bem quisto entre os vendedores e ele depoente inclusive o idolatrava assim como os outros e sentiu quando o Sr. M&aacute;rcio o substituiu pois esse era mais fechado, muito certo, n&atilde;o chamava ningu&eacute;m pelo apelido, mas tamb&eacute;m falava s&eacute;rio com os vendedores; que quando disse que sempre procurava bater suas metas para n&atilde;o se expor negativa mente &eacute; porque considera n&atilde;o atingir as metas como que for negativamente, uma vez que sempre quis crescer dentro da empresa e o fato de n&atilde;o bater metas ia contraio a esse objetivo; que as reuni&otilde;es matinais s&atilde;o obrigat&oacute;rias e atualmente duram em torno de 40 minutos; que a empresa paga hora extra; que n&atilde;o recebeu a cartilha Cultura AMBEV que consta nos autos &agrave;s fls. 255 e tampouco o C&oacute;digo de &Eacute;tica AMBEV que consta &agrave;s fls. 254.&nbsp; </span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">&nbsp;</span></p><br><p class="MsoNormal"><span style="COLOR: black">A segunda testemunha da recorrente, Sr. D&eacute;lio Pio Gon&ccedil;alves Paiva, assim explicitou: que trabalha desde 10.02.2003, como vendedor; que quando entrou era vendedor da marca Skol; que em agosto de 2004 foi instalado o projeto marcas onde n&atilde;o havia mais a figura de um vendedor para cada marca, sendo que a partir de ent&atilde;o ele passou a trabalhar com Antarctica e Brahma; que enquanto vendedor da marca skol o gerente era o Sr. Emerson; que na primeira reuni&atilde;o matinal do m&ecirc;s j&aacute; ficava acordado entre os supervisores, vendedores e o gerente que a melhor equipe receberia uma premia&ccedil;&atilde;o, esta de R$ 1.000,00, mas a pior equipe pagaria uma prenda; que se recorda por exemplo que em um m&ecirc;s o supervisor se vestia de galinha e os vendedores de pintinho para fazer uma dan&ccedil;a, em outra oportunidade o supervisor teve que ficar com um bode durante todo o dia andando com este Bode e assim sucessivamente; que havia um estagi&aacute;rio na sala de vendas e era quem sabia onde tinham as fantasias e juntamente com os supervisores as providenciava; que tal atitude vem desde a &eacute;poca que era uma revendedora e o Sr. Emerson era gerente dessa revenda; que quando o Sr. Emerson foi ser gerente da AMBEV aproveitou praticamente toda a equipe e por isso continuaram com o mesmo sistema; que todo vendedor novato tinha que dan&ccedil;ar a m&uacute;sica &lsquo;na boquinha da garrafa&rsquo;; que sempre atingiu o m&iacute;nimo de 70% de maneira que nunca zerou sua comiss&atilde;o, mas j&aacute; teve meses que j&aacute; chegou a n&atilde;o atingir as metas; que pelo que se lembra na sala da skol n&atilde;o existia penas como assistir reuni&otilde;es em p&eacute; ou pagar flex&otilde;es; que aconteceu uma vez que algu]]></Texto>

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