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 <Titulo><![CDATA[Snacks de pulmão de boi. Quem se habilita?]]></Titulo>
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 <Olho><![CDATA[Snacks de pulmão de boi. Quem se habilita?]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[Por Mariana Segala<br>Como a experiência da nutricionista Graziella Colato Antônio, da Universidade de Campinas (Unicamp), existem inúmeras outras tentativas de introduzir matérias-primas saudáveis em produtos de apelo popular. Já houve quem pensasse em fazer macarrão de mandioca, chocolate de cupuaçu, farinha de banana e salgadinhos de... pulmão de boi. Essa opção exótica de base para um snack foi desenvolvida há cerca de seis anos no Laboratório de Propriedades Funcionais da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), e continua a ser pesquisada.<br><br>Muito semelhantes - principalmente quanto à forma - aos salgadinhos de pacote convencionais, os snacks feitos pela equipe do professor José Alfredo Gomes Arêas são ricos em ferro, proteínas e vitaminas. Além do pulmão de boi, levam outras matérias-primas, como grão-de-bico, linhaça, milho e amaranto, em combinações diferentes direcionadas a objetivos específicos, todas sem gordura. Também nunca foram feitos em escala industrial, mas são produzidos aos poucos, meio artesanalmente, para abastecer os pós-graduandos do laboratório com material para suas pesquisas.<br><br>Os salgadinhos usados nos estudos em andamento combinam, em diferentes proporções, milho, grão-de-bico e pulmão de boi. Sua maior vantagem é o alto teor de ferro: capaz de suprir até 30% das necessidades diárias de crianças de até dez anos. O pulmão de boi tem três vezes mais o mineral que o fígado, a fonte mais difundida. Cada pacote de 30 gramas do snack tem 1,5 miligramas de ferro, contra praticamente nada nos convencionais. As tabelas nutricionais dos salgadinhos industrializados mostram que não há quantidades significativas da substância na composição.<br><br>SABOR - E se a matéria-prima assusta num primeiro momento, o sabor faz esquecer do que os salgadinhos nutritivos são feitos. São aromatizados com essência de morango, bacon e cebola e salsa. "Conseguimos 74% de aprovação entre as crianças que estão consumindo o produto para nossas pesquisas", diz Suzana Camacho, mestranda do laboratório.<br><br>"O de bacon é o mais gostoso porque tem mais sal", opina Stefany dos Santos, de seis anos, uma das participantes dos estudos. Sempre que ganha um pacotinho, leva para casa e come devagar, deixando um pouquinho para mais tarde. Quando começou a participar dos experimentos, sua grande dúvida - e dos irmãos e amigos que provaram o salgadinho - era saber se eles seriam vendidos no mercado. "Só não gosto muito do de morango", conta. Beatriz Dias, de oito anos, concorda. "Ele é meio enjoado." O snack de morango tem o sabor menos acentuado, o que desperta a preferência pelos outros. "Eu gosto mais do de bacon, mas minha mãe provou e gostou mais do de cebola", explica Beatriz.<br><br>Os snacks são feitos a partir de um processo chamado extrusão. Juntam-se os três ingredientes, em pó, numa mistura que é comprimida e dá origem a uma massa que se expande quando sai - muito quente - das máquinas. A água evapora, o produto seca e depois é aromatizado. A produção de cada pacotinho de 30 gramas custa de R$ 0,80 a R$ 2, dependendo da combinação de ingredientes.<br><br>"Os salgadinhos são feitos para se assemelharem ao máximo aos do mercado, mas sempre com produtos equilibrados do ponto de vista nutricional", explica o professor Arêas. Produzi-los é uma tentativa de introduzir na dieta alimentos ricos em nutrientes, usando um formato bem aceito entre o público jovem. E as pesquisas mostram que eles fazem diferença. Há cinco anos, num estudo desenvolvido em uma creche de Teresina, no Piauí, três lanches semanais das crianças, feitos com bolachas, foram substituídos pela ingestão dos salgadinhos. "No início, cerca de 60% das 260 crianças tinham anemia. A taxa foi reduzida para 11% depois de pouco mais de dois meses de intervenção", diz Arêas. E mais: o índice de anêmicos passou para 70% depois do fim da pesquisa.<br><br>O salgadinho de pulmão já foi conhecido e analisado por empresários em eventos de divulgação tecnológica, ocasiões em que o mercado e a indústria podem ter acesso às novidades produzidas nas universidades. E, pelo jeito, gostaram do que viram. "Vários atores do setor produtivo compareceram e se interessaram", conta o professor Áreas, que já pediu o registro da patente do produto há mais de dois anos no Instituto Nacional da Propriedade Industrial. Atualmente, a Agência USP de Inovação - órgão que procura intermediar o diálogo entre a academia e a comunidade externa - está negociando contratos com possíveis futuros produtores.<br><br><br><br>  ]]></Texto>

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