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 <Titulo><![CDATA[Servidor da Saúde monta esquema paralelo à Planam]]></Titulo>
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 <NomeFonte><![CDATA[Agência Estado]]></NomeFonte>
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 <Olho><![CDATA[Nas investigações sobre a máfia dos sanguessugas, a Polícia Federal e a CPI se depararam com um personagem especial no Rio: Nylton José Simões Filho. O funcionário do Ministério da Saúde, que começou como aliado dos Vedoin nos negócios com as emendas da bancada fluminense para a compra de ambulâncias e ônibus de projetos de inclusão digital, fez tanto sucesso que criou duas ONGs de fachada e montou negócio próprio para concorrer com a Planam - sem jamais deixar o emprego no ministério. Darci e Luiz Antonio Vedoin são os donos da Planam, empresa que dominava o esquema fraudulento.]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<p>O sucesso do trabalho de Simões como intermediário dos negócios com emendas, ambulâncias e ônibus pode ser medido pelo fato de o Rio ter o maior número de políticos envolvidos com o esquema dos sanguessugas - 13 deputados federais, que continuam nos cargos e foram citados no relatório parcial da CPI. Outros dois foram inocentados, mas são investigados pelo Ministério Público.<p><p>Os escândalos atingiram ainda outros 10 ex-deputados: seis da atual legislatura e quatro que estiveram na Câmara entre 1998 e 2002. Entre estes, dois foram cassados, André Luiz (PMDB), por tentar extorquir o empresário de jogos Carlinhos Cachoeira, e Roberto Jefferson (PTB), por causa do mensalão. Um terceiro, o bispo Carlos Rodrigues (sem partido), renunciou. Cornélio Ribeiro (PMDB) trocou a Câmara pela Assembléia em 2002. Para o presidente da CPI dos Sanguessugas, Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), boa parte do envolvimento ostensivo da bancada do Rio nesses escândalos "é resultado do trabalho de Simões."<p><p>A maior demonstração do sucesso dele, porém, está no fato de ter crescido a tal ponto que abandonou a parceria com os Vedoin para abrir um esquema próprio de cooptação de parlamentares e captação de emendas. Segundo o empresário Ronildo Pereira Medeiros, um dos operadores da quadrilha, ele se transformou em concorrente, "captando recursos de emendas parlamentares para ele mesmo executar". Para facilitar o "trabalho", segundo afirmaram Ronildo e Luiz Antonio Vedoin, Simões abriu as organizações não-governamentais Instituto Brasileiro de Cultura e Educação (Ibrae) e Instituto Pró-Rio.<p><p>Em 2005, o Ibrae, que oficialmente está sediado em Rio Bonito, mas funciona em uma pequena sala no centro do Rio, teria recebido R$ 5,8 milhões por meio de emendas. Para o exercício de 2006 estavam previstos R$ 15 milhões. Já o Instituto Pró-Rio trabalhava com cifras mais modestas. Obteve neste ano R$ 450 mil, por meio do deputado Paulo Baltazar (PSB-RJ), para desenvolver o projeto Esporte Vocês.<p><p>Como funcionário do Ministério da Saúde, Simões, aparentemente, recebe sem trabalhar. De acordo com o cadastro do ministério, ele estaria cedido à Fundação Municipal de Saúde de Niterói, trabalhando no Hospital Municipal Orêncio Freitas. No hospital, nem a responsável pela enfermagem, Therezinha Ana Meneguini, nem o departamento de pessoal têm informações a seu respeito. Nunca viram Simões trabalhando.<p><p>Na Fundação Municipal de Saúde de Niterói, município governado pelo petista Godofredo Pinto, ele não aparece como servidor emprestado pelo Ministério da Saúde. Mas a representação do ministério no Rio informa que seu salário continua sendo pago regularmente, pois a folha de ponto tem sido atestada todos os meses pela fundação.<p><p>O enfermeiro Nylton Simões, de 45 anos, trabalha para órgãos estatais desde 1982, três anos antes de ingressar no Ministério da Saúde como estatutário. Entre dezembro de 2003 e outubro de 2004, serviu na Secretaria de Estado de Governo, órgão responsável pela articulação política da governadora Rosinha Garotinho (PMDB). Nesse período, era representante da Planam.<p><p>Simões Filho mora no bairro Jardim Imperial, em Itaboraí, onde é tratado pelos moradores como "doutor Nylton". É proprietário de uma casa de padrão superior ao das demais residências da área: em um terreno ajardinado, dois pavimentos, ampla varanda e piscina. O imóvel foge também ao padrão do que se poderia esperar de um casal de servidores públicos. Os vizinhos dizem que há algum tempo ele não é visto na região.<p><p>"Não tenho nada com isto, estou sofrendo muito. Por favor, não me envolva nesta história", pediu, chorando, Rosely, sua mulher, também enfermeira e funcionária do Ministério da Saúde. Colaborou Karine Rodrigues]]></Texto>

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