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 <DataGeracaoArquivo>Qua, 16 Ago 2006 17:10:05 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA["O Pagador de Promessas" ganha nova versão em ópera]]></Titulo>
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 <Olho><![CDATA[RIO - Uma história de devoção, ingenuidade, intriga, vaidade. Mais uma vez a trajetória de Zé do Burro e sua cruzada para pagar a promessa a Santa Bárbara emocionará os brasileiros – só que, desta vez, em formato mundialmente inédito. O Forum de Ciência e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro, através da Cia. Experimental de Ópera da UFRJ, apresenta a estréia mundial da ópera "O pagador de promessas".]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P>Uma das obras brasileiras mais populares no exterior, "O pagador de promessas" ocupou palcos, ganhou espaço na TV e se consagrou no cinema – sempre alcançando sucesso graças a sua grande representatividade da cultura nacional. Para a Universidade Federal do Rio de Janeiro, levar ao público essa obra em nova roupagem – mais que uma conquista acadêmica – é uma importante realização cultural e artística.</P>
<P>O projeto de "O Pagador de promessas" une o formato consagrado da ópera com o diferencial da brasilidade: do canto em português, idioma original da obra, à injeção dos ritmos contemporâneos populares como a capoeira. E vai além: será a oportunidade de 130 jovens talentos se apresentarem ao grande público. A orquestra, a cenografia, a regência, a produção – todas as etapas contam com a criatividade e entusiasmo dos alunos e ex-alunos da UFRJ.</P>
<P>Além das apresentações, o projeto terá eco na produção de um making-off do processo criativo e das encenações. Também haverá os registros em cd e dvd, a edição da partitura da obra e a realização de dois seminários no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ. Estes encontros contarão com a presença de Eduardo Escalante, compositor da ópera, e da francesa Marie-Jeanne Calasans, responsável pelo libreto.</P>
<P><STRONG>A história da ópera</STRONG></P>
<P>Baseada na peça homônima de Dias Gomes, a ópera conta de modo comovente a dramática história de Zé do Burro, um sertanejo que promete levar uma cruz tão pesada quanto a de Cristo ao altar de Santa Bárbara, caso seu burro de estimação se recupere dos ferimentos sofridos numa tempestade. Por não haver em sua cidade igreja dedicada à Santa, ele faz sua promessa em um terreiro dedicado a Iansã – orixá dos raios e trovões que, no sincretismo brasileiro, é identificada com Santa Bárbara. </P>
<P>Homem simples e puro, que deseja unicamente pagar sua promessa, Zé do Burro tem de enfrentar a incompreensão, a má-fé, a injustiça e a intriga, quando o padre impede seu acesso à igreja alegando que a promessa havia sido feita num “local de feitiçaria”. </P>
<P>A história se desenvolve com múltiplas e singulares figuras da sociedade local; drama e comédia se fundem numa impressionante engenhosidade dramático-musical. "O pagador de promessas" resume de maneira admirável as contradições e as virtudes do homem brasileiro, ao mesmo tempo em que condena a prepotência das autoridades do clero e da polícia e a manipulação tendenciosa dos fatos pelos políticos e a imprensa. É uma obra prima humana e comovente.</P>
<P><STRONG>O histórico da montagem</STRONG></P>
<P>Apesar do ineditismo da obra ainda hoje, a versão de "O Pagador de promessas" em ópera começou a nascer em fins dos anos 60. O encenador, cenógrafo, autor e ator francês Henri Doublier dirigia, no Rio de Janeiro, a versão de O Avarento com Procópio Ferreira – e foi através do ator que conheceu o dramaturgo Dias Gomes.</P>
<P>Três anos depois, Dias Gomes se encantou com o trabalho de libretista de Doublier na encenação de Saint Louis, Roi de France (de Darius Milhaud) no Theatro Municipal carioca. Aceitou então prontamente a proposta do encenador de traduzir para o francês O Pagador de promessas, e Henri Doublier, com sua colaboradora Elisabeth Jaquier, começaram a trabalhar. O resultado foi apresentado em julho de 1973 na Radio France-Culture (com o nome Jef a L’âne ou La parole donée), e foi a pedra fundamental da ópera. </P>
<P>Pouco tempo depois, porém, Doublier sofreu um derrame cerebral que limitou suas atividades; entrou em cena, assim, a francesa Marie-Jeanne Calasans. Pesquisadora da obra do encenador, ela foi fundamental para a conclusão do libreto da ópera em francês – e se tornou a responsável pela adaptação do projeto em português.</P>
<P>Mesmo com esse passo adiante, apenas em 1992 a versão em ópera foi finalizada – com a chegada de Eduardo Escalante. Coube a ele, pesquisador e profundo conhecedor do folclore brasileiro, a criação da música de O Pagador de Promessas. Professor da UNESP (Universidade do Estado de São Paulo), foi apresentado a Henri Doublier pelo colega Roger Cotte em 1990, pouco tempo depois de ser premiado pela APCA pela composição do poema sinfônico Os Sertões. E foi justamente o conhecimento adquirido nas suas andanças pelo interior do Nordeste brasileiro que o incentivaram a aceitar o desafio de musicar a obra de Dias Gomes, de tamanha grandiosidade e representatividade na cultura brasileira. </P>
<P><STRONG>Récitas</STRONG></P>
<P>As apresentações da ópera "O Pagador de Promessas" acontecerão na última semana de agosto. A estréia mundial acontecerá no dia 25, às 19:30h, no palco do Teatro João Caetano. Outras quatro récitas estão programadas, nas seguintes datas e horários:</P>
<P>26/08 - Sábado, às 19:30h<BR>27/08 - Domingo, às 17h<BR>28/08 - Segunda-feira, às 16h (fechado para escolas da rede pública)<BR>29/08 - Terça-feira, às 19:30h</P>
<P>Uma parceria com a Secretaria de Cultura do Estado possibilitou que os ingressos tenham preço simbólico – R$ 1 – garantindo assim um acesso democrático ao espetáculo. As entradas poderão ser adquiridas a partir do dia 21 de agosto no próprio teatro, que fica na Praça Tiradentes, s/nº.<BR></P>]]></Texto>

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