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 <Titulo><![CDATA[Amor: a maior fonte de felicidade e sofrimento]]></Titulo>
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 <Olho><![CDATA[Amor: a maior fonte de felicidade e sofrimento]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[Por Anne Warth<br>É científico: o ser humano não se sente completo enquanto não encontra alguém para compartilhar as alegrias e as tristezas. Se a felicidade só é plena quando se encontra o amor, como ele pode ser, também, fonte de tanto sofrimento? Qual o segredo de um relacionamento duradouro e saudável? Como o amor começa e por que ele acaba? Pesquisas provam que o amor romântico é uma experiência humana universal, presente em todas as culturas conhecidas na história. Não é à toa que muitas pessoas querem, a todo custo, encontrar um grande amor. Temos, além das cobranças sociais, o fator biopsicológico.<br><br>"Na nossa espécie, a natureza criou um mecanismo próprio para o amor. Temos a necessidade de formar uma unidade com o outro", explica o psicólogo Ailton Amélio da Silva, professor-doutor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), especializado na área de Relacionamento Amoroso e autor dos livros "Mapa do Amor" e "Para Viver um Grande Amor", ambos da editora Gente. Segundo ele, as pessoas que não desenvolvem esse tipo de parceria ficam sujeitas a diversos problemas. "Aumentam os riscos de desenvolvimento de depressão e doenças infecciosas, por exemplo. A pessoa passa a pensar que há algo de profundamente errado com ela. Perde a auto-estima e passa a achar que é anormal."<br><br>Para quem vivencia o amor, tampouco a história fica mais fácil. "Uma das coisas mais difíceis para o ser humano é ter uma relação de intimidade e fazer disso uma coisa boa", diz o psiquiatra Alexandre Saadeh, professor do Departamento de Psicodinâmica da PUC-SP. "Estar com alguém é melhor que estar sozinho desde que se busque alguém que estimule o conhecimento e o amadurecimento. Se o relacionamento mantém a dor, o sofrimento e a infantilidade, a relação não vale a pena." (BOXE)<br><br><br>OS OPOSTOS NÃO SE ATRAEM<br><br>Infelizmente, mesmo os relacionamentos saudáveis, muitas vezes, não dão certo. Afinal, há uma receita para o amor? "Acho muito difícil dar uma receita, mas deve haver uma mistura de coisas comuns - para haver vínculo e identificação - com algumas coisas diferentes - para haver novidade, estímulo e conhecimento. Mas, certamente, o casal deve ter objetivos similares. Conhecer-se bem e ver o outro como ele realmente é também ajuda", afirma Saadeh. Ainda assim, isso não garante um relacionamento harmonioso. "Nada é perfeito e ninguém é coitado. Toda relação, mesmo saudável, envolve conflitos. Você tem de se checar o tempo todo, perceber como você e o outro funcionam, repensar as atitudes. Isso faz as pessoas crescerem", explica.<br><br>O psicólogo Silva põe abaixo um dos ditados populares mais usados no amor. "A história de ‘os opostos se atraem’ raramente é verdade. Os similares dão certo, mas isso não basta. Afinal, semelhança os amigos também têm. Além da semelhança em nível de escolaridade, faixa etária, religião, objetivos etc., deve haver admiração, reciprocidade, atração amorosa e sexual."<br><br>A bancária Michelle Appel, 26 anos, de Porto Alegre (RS) acaba de se separar, após quase sete anos de relacionamento - 11 meses de casamento e seis anos entre namoro e noivado. Ela conta que uma das maiores lições que aprendeu no casamento é que só amor não basta. "Se há uma coisa que aprendi é que, além de amor, é necessário ter admiração."<br><br>Hoje, depois da separação, Michelle percebe que, quando se casou, não tinha mais certeza de seus sentimentos. O casal já havia terminado e reiniciado o namoro diversas vezes nos anos anteriores, até que ela deu um ultimato: "Ou a gente se casa, ou termina de uma vez". Foi aí que as diferenças entre os dois se acentuaram ainda mais. Michelle conta que sempre foi determinada nos estudos e no trabalho, mas teve que insistir muito para que marido concluísse a faculdade. Ele trabalha na empresa do pai há anos.<br><br>"No fundo, eu sempre soube que éramos muito diferentes, mas acreditava que tudo iria melhorar, que os problemas iriam passar e que haveria amadurecimento da parte dele", conta. "Nós gostávamos muito um do outro, ele era bom para mim, achei que era válido tentar. Mas, infelizmente, acho que, além de amar, deve-se admirar, respeitar e aprender com o parceiro. Eu já não tinha mais isso e não conseguia ser feliz. Achei que não valia a pena manter um relacionamento apenas por manter. Não tenho medo de ficar sozinha"<br><br>Apesar da separação, Michelle se mostra uma pessoa confiante. Não se arrepende de ter tentado e diz que, quando encontrar alguém que ame, vai casar-se novamente. "É bom ter alguém para conversar, passear, dividir a vida. Espero não cometer os mesmos erros do meu primeiro casamento. Só me casarei de novo quando tiver certeza do que sinto. Na próxima vez, procurarei um homem que tenha objetivos próximos aos meus, vontade de crescer e evoluir. Quero um homem, não um filho."<br><br><br>O SEGREDO DO SUCESSO<br><br>Embora cada vez mais raros, há relacionamentos que dão certo. Seja entre jovens, seja entre pessoas mais maduras, há exemplos que mostram que o amor pode passar por cima de todas as dificuldades. <br>A estudante Suzana de Paiva Oliveira, 19 anos, conheceu o marido, Isaque Miguel Gomes da Silva, 18 anos, também estudante, num shopping de São Paulo, em 2004. Eles estudavam na mesma escola, porém em períodos diferentes. Aos poucos, ficaram amigos, mas Isaque queria mais de Suzana. "Ele me pediu em namoro, mas eu já estava namorando outra pessoa. Ele disse, então, que me esperaria o tempo que fosse", conta ela. Tempos depois, Suzana terminou o namoro e começou a namorar Isaque.<br><br>Quatro meses depois, descobriu que estava grávida. "Fiquei desesperada. Achei que minha vida tinha acabado, mas o Isaque me disse que a nossa vida, juntos, estava recém começando", conta. Durante toda a gravidez, Isaque ficou ao lado de Suzana. Há três meses, Sara nasceu, e há dois, os três<br>moram juntos. "Eu descobri minha felicidade ao lado do Isaque e da Sara." Segundo Suzana,<br>muitas amigas disseram que ela havia cometido um grande erro ao engravidar e, depois, casar. Mas ela discorda. "Eu era muito sozinha e achava que nunca teria ninguém ao meu lado. O Isaque está sempre ao meu lado, sempre nos ajudamos. Um completa o outro. Já éramos feliz antes e, agora, com a Sara, somos mais felizes ainda. Eu tenho certeza de que minha vida melhorou com os<br>dois."<br><br>A empresária Renata de Souza Lima, 50 anos, de São João da Boa Vista (SP), conta um caso parecido. Conheceu o marido, Luiz Antônio, 51 anos, em Belém (PA), em 1982, durante o passeio dos Igarapés no Rio Guarajá . Ambos eram comissários de bordo, mas de empresas diferentes. No dia seguinte, quando voltaram para São Paulo, Luiz Antônio foi à casa de Renata. Estão juntos desde então. Não sem passar por dificuldades. Logo que começaram a namorar, Renata ficou grávida de sua primeira filha, Carolina. Luiz Antônio abandonou o ramo da aviação e montou uma indústria de<br>móveis. Pouco depois, Renata juntou-se ao marido na indústria, engravidou novamente, desta vez de Rafael. A indústria faliu. Mudaram-se de cidade diversas vezes, iniciaram negócios que não deram certo, atrasaram, muitas vezes, o pagamento de aluguel, carro, luz e água. Enfim, foram para São João<br>da Boa Vista, onde moram há 15 anos, e abriram uma fábrica de automação industrial, em funcionamento há seis anos.<br><br>"Tivemos dificuldades financeiras, mas nunca deixei que isso me abalasse. Trabalhei até de faxineira. Passamos por crises no relacionamento, mas nunca dormimos brigados." Segundo ela, em 24 anos de casamento, companheirismo e fidelidade foram fundamentais. "Luis Antônio é meu marido, meu amante, meu amigo. É claro que, de vez em quando, cansa, mas, apesar de nossas diferenças, ambos sempre colocamos a família em primeiro lugar. Além disso, ele é bom companheiro, bom pai<br>e muito carinhoso." Hoje, Renata se diz realizada. "Vivi muito bem meus 50 anos e me considero feliz. Tenho minha casa própria, meus filhos, meu trabalho, meu parceiro." <br><br><br>O AMOR E A SAÚDE<br><br>Quem tem um parceiro é mais feliz que quem está sozinho? Na maior parte dos casos, sim. O psicólogo Thiago de Almeida, pesquisador da USP, especializado em relacionamentos amorosos, conta que uma pesquisa da Universidade Estadual de Ohio (EUA), feita com 5.991 pessoas com idade entre 19 e 75 anos durante cinco anos, mostrou que casar ou manter-se casado diminui os riscos de depressão. "A pesquisa revelou que mesmo os casados que se dizem insatisfeitos no casamento sentem-se melhor que os solteiros e divorciados", afirma. O segundo casamento, entretanto, não melhora tanto a saúde das pessoas quanto o primeiro casamento.<br><br>Segundo Silva, as pessoas casadas têm, sim, mais saúde que as solitárias. E não é apenas porque o companheiro estimula uma alimentação mais saudável, exercícios físicos e noites bem dormidas. "Estudos mostram que estar sozinho é estressante para o organismo e, inclusive, diminui a<br>imunidade contra doenças. Certamente, quem ama adoece menos." Saadeh acrescenta que os solitários têm mais risco de desenvolver doenças mentais e cardiológicas.<br><br>O ditado popular "antes só do que mal acompanhado", então, não funciona mais? "Atualmente, a diretriz das pessoas parece indicar o contrário. Muitas pessoas parecem tolerar uma má companhia a permanecerem sozinhas. Mas, a que custo para suas vidas e mentes?", questiona Almeida.<br><br><br>AMOR E PAIXÃO: PARECE, MAS NÃO É<br><br>Segundo Silva, o amor se caracteriza por ser um sentimento tranqüilo, enraizado e ligado à intimidade. Bem diferente dele é a paixão, embora as palavras e sentimentos sejam usados no mesmo contexto. "Costumo dizer que a paixão é como o afogador de um dos carros antigos a álcool. Serve para dar partida, mas depois é o álcool, ou, no caso, o amor, que mantém as coisas funcionando." Ailton diz que a paixão não foi feita para durar, mas pode se transformar em amor. "É contraproducente ficar apaixonado muito tempo." Para ele, "a paixão é míope, e o namoro, um bom par de óculos". <br><br>O pesquisador Almeida explica que até mesmo os neurotransmissores que atuam nos mecanismos de amor e paixão são diferentes. A produção de feniletilamina, substância muito semelhante à anfetamina, é desencadeada por eventos tão simples como uma troca de olhares ou um aperto de mão. As pessoas apaixonadas contêm grande quantidade dessa substância em seus cérebros, além de outras como dopamina, noroepinefrina. Elas geram euforia, energia excessiva, insônia e perda de apetite. O amor, por sua vez, está associado a outro neurotransmissor, chamado oxitocina, substância ligada ao vínculo e ao comprometimento. Ela dá a sensação de que temos alguém para nos reportar, um suporte para nossas carências. Porém, tanto o amor quanto a paixão fazem com que as pessoas se sintam mais predispostas a melhorarem física e psicologicamente.<br><br>De acordo com Saadeh, a paixão é considerada uma doença mental pela medicina árabe. Para ele, o sentimento não fundamenta nenhum relacionamento. "A paixão sempre envolve a fantasia que a pessoa tem do outro. A pessoa só vê, no outro, aquilo que realmente quer ver. Já o amor é muito mais tranqüilo e real. A pessoa vê o outro e decide, afetiva e racionalmente, viver com ele." Ele cita como exemplo o poeta e compositor Vinícius de Moraes, que se casou oito vezes ao longo de sua vida. "Ele se alimentava de paixões, não de amor."<br><br>Ainda segundo ele, muitos problemas poderiam ser evitados se os casais adaptassem a relação àquilo que acreditam. "Simone de Beauvoir e Jean-Paul Sartre, por exemplo, foram amantes durante toda a vida. Isso não impediu ambos de procurarem relacionamentos extraconjugais. Eles construíram um modelo de relacionamento bom para eles. E é isso que importa: aquilo que faz o casal feliz."<br><br><br>O AMOR NÃO-CORRESPONDIDO<br><br>Se o amor pode trazer muita felicidade, um amor não-correspondido é capaz de estimular o que há de pior em uma pessoa. "Estar com alguém e sentir que o amor deixou de ser correspondido é muito desgastante. Se há traição no meio, então, é ainda pior. A separação é sempre traumática", diz Silva.<br>Segundo Saadeh, após o rompimento de uma relação estável, é comum que as pessoas levem tempo até se recuperarem. É normal que se sofra muito no começo, mas o sofrimento deve diminuir com o passar dos meses. Quem já tem tendência a desenvolver doenças psicossomáticas, e mesmo que não tem, pode apresentar alergias, dores de cabeça e gastrites, por exemplo.<br><br>Há pessoas que chegam a "morrer de amor". É a chamada "síndrome do coração partido". A pessoa sofre tanto com a perda, seja por separação ou por morte, que sofre uma contínua descarga de adrenalina e outros hormônios do estresse. O resultado é que pode ter algo semelhante a, e muitas vezes confundido com, um ataque cardíaco. De acordo com Silva, o caso é mais comum entre mulheres. "Muitas têm grande dificuldade em recompor a vida após a perda."<br><br>De qualquer forma, o luto após uma separação dura, normalmente, de um a dois anos. É normal alternar sentimentos como raiva, rancor, saudade, negação e amor, inclusive num mesmo dia. "O importante é manifestar esses sentimentos, desde que não prejudiquem a si mesmo ou ao ex-parceiro. Situações obsessivas, como perseguições ou ameaças, são preocupantes", explica Almeida. Os especialistas recomendam terapia, mas nem sempre medicação. "Só para quem está muito deprimido e descontrolado. Ainda assim, por um tempo curto. Apenas para ajudar a superar essa fase", diz Alexandre.<br><br>"O problema é que, num casamento, o ‘eu’ e o ‘você’ se tornam um pouco ‘nós’. As pessoas não rompem apenas o relacionamento. Perdem amizades em comum, projetos, toda uma vida e uma identidade com o outro. É difícil recompor tudo isso", acrescenta Silva. "A dor do fim de um relacionamento é tão grande e só comparável à dor da perda de um filho."<br><br><br>A VIDA CONTINUA<br><br>Por que o amor acaba? Segundo Saadeh, porque as pessoas mudam. "As pessoas ficam muito confiantes, acham que não precisam fazer mais nada porque a pessoa está conquistada. Aí, normalmente o amor acaba. Quando a pessoa desperta, tudo mudou e não restou mais nada."<br><br>Apesar da dor e do sentimento de que "nunca mais amarei novamente", a vida continua e as pessoas voltam a amar. Não convém iniciar um novo relacionamento logo após uma perda, pois ele normalmente servirá apenas como "muleta", diz Saadeh. Para Silva, porém, "amor com amor se cura". "O ideal é se reequilibrar antes de investir num novo amor. Mas tenho visto que a recuperação é muito mais rápida para aqueles que se envolvem com outras pessoas. Acho perigoso, mas reconheço que abrevia a dor e aumenta a auto-estima. A vida readquire sentido mais rápido."<br><br>Afinal, as pessoas podem ser felizes sozinhas? Para Silva, não. "Amar é parte de nossas necessidades biológicas. As pessoas ficam desequilibradas e se sentem incompletas sem o amor. Veja os filmes, as novelas, as músicas, os romances, as conversas. O tema amoroso está presente em todos eles. Para quem está dentro, fora, satisfeito ou insatisfeito, não há outro tema tão presente em nossa vida quanto o relacionamento amoroso", explica.<br><br>Saadeh pensa diferente. "Depende muito do que a pessoa está buscando. Hoje em dia, acho que viver junto é tão difícil quando viver separado. Antes, havia cobranças sociais. Hoje, há a necessidade de realização pessoal", diz. Mesmo assim, ele reconhece: "Não há como fugir ou ignorar o amor".<br><br> <br>BOXE<br><br>MULHERES QUE AMAM DEMAIS <br><br>Há quem procure sempre relacionamentos doentios. A confeccionista Célia, 47 anos, de Juiz de Fora (MG), não entendia por que seus relacionamentos não davam certo. Ela foi casada por oito anos e, após separar-se, teve, segundo ela, dois relacionamentos destrutivos. "Estava cansada de começar um namoro e não conseguir levá-lo adiante, até que uma amiga me falou sobre o livro ‘Mulheres que Amam Demais’, de Robin Nowood. Nele, achei as respostas para os meus questionamentos. Descobri que o problema estava comigo."<br><br>"Eu amava demais todas as pessoas, não apenas meus parceiros. Eu me envolvia com o problema de familiares, filhos, amigos. Sempre queria ajudar a todos. Ser a boa samaritana." Aos poucos, Célia se deu conta de que, por amar demais as pessoas, acabava por superprotegê-las e atrapalhá-las. "Tentava modificar o outro, controlar suas vidas. Sentia ciúme até mesmo dos amigos. Era um comportamento doentio." Hoje, após anos participando do grupo Mulheres que Amam Demais (Mada), Célia coordena uma das reuniões. "É uma pena, mas a maioria das mulheres nos procura quando está praticamente no fundo do poço. Praticam por anos o comportamento doentio e fica complicado desfazer esses resquícios."<br><br>Segundo ela, uma mulher que ama demais se dedica mais aos outros do que a ela mesma, sofre calada e acha que tem de suportar todas as atitudes do parceiro. "Ela pensa que se está ruim com ele, ficará ainda pior sem ele. Tem muito medo de ficar sozinha e muita vergonha de admitir que seu relacionamento não deu certo."<br><br>Casos como a personagem Heloísa, de Giulia Gam, na novela "Mulheres Apaixonadas", da Globo, existem, mas não são a maioria. "Há mulheres que ameaçam, perseguem e apedrejam seus maridos quando desconfiam ou descobrem que estão sendo traídas. Mas o mais comum é a mulher reprimir os sentimentos."<br><br>Como reconhecer uma mulher que ama demais? "A mulher que ama demais é a que se ama de menos. Tem auto-estima muito baixa. No grupo, tentamos mostrar que ela é capaz de ter um relacionamento saudável, que há recuperação, embora lenta, e que não se deve aceitar tudo." Célia diz que a recuperação do equilíbrio é a chave do sucesso. "As pessoas só mudam quando querem. Mulheres que amam demais, quando procuram ajuda, podem modificar seu comportamento. E aprendem que, apenas pela vontade delas, não modificarão um homem."<br><br>Segundo Silva, muitas vezes o problema está relacionado ao modelo de relacionamento a que a pessoa foi exposta na infância. Nesse caso, um relacionamento saudável não faz sentido para ela e, por isso, apaixona-se apenas por pessoas que se encaixam naquele modelo de amor destrutivo que conhece. "A pessoa tem consciência de que a relação faz mal para ela. Sabe que é ruim, mas aquilo preenche a vida. Não é fácil se desvencilhar desses conceitos. É possível mudar e reconhecer um modelo de relacionamento melhor, mas é necessário buscar ajuda."<br><br>Para Saadeh, os relacionamentos doentios só funcionam porque há um acordo implícito entre os parceiros: um bate, o outro apanha e fica quieto. "Esse tipo de relacionamento não faz ninguém crescer. A pessoa sofre, humilha-se e se acaba por conta dele. Nesse caso, o melhor é, sim, busca ajuda."<br><br><br>  ]]></Texto>

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