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 <DataGeracaoArquivo>Dom, 4 Jun 2006 13:46:55 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Após quatro anos, Suzane e irmãos Cravinhos vão a julgamento]]></Titulo>
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 <NomeCredito>Da Redação do Último Segundo</NomeCredito>
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 <Olho><![CDATA[<P>SÃO PAULO - Após quatro anos, o caso Richthofen se aproxima do final com o julgamento de Suzane Louise von Richthofen e dos irmãos Cristian e Daniel Cravinhos, acusados de terem matado o engenheiro Manfred Albert e a psiquiatra Marísia von Richthofen no dia 31 de outubro de 2002. </P>
<UL>
<LI><A href="http://ultimosegundo.ig.com.br/galerias/001001-001500/1273.html" target=_blank>Clique aqui para rever as imagens do caso</A></LI></UL>
<P>Leia mais: </P>
<UL>
<LI>
<DIV target="_blank"><A href="http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/brasil/2398001-2398500/2398018/2398018_1.xml">Advogados tentam driblar TV no julgamento desta segunda</A> </DIV>
<LI>
<DIV target="_blank"><A href="http://ultimosegundo.ig.com.br/materias/brasil/2397501-2398000/2397933/2397933_1.xml">Júri vai escolher entre duas Suzanes</A> </DIV></LI></UL>
<P target="_blank">&nbsp;</P>]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P>Os três acusados irão a Júri Popular nesta segunda-feira, 5 de junho, e responderão por duplo homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, com a utilização de meio cruel e impossibilidade de defesa das vítimas.</P>
<P>A expectativa para o julgamento é grande. De acordo com o juiz Richard Francisco Chequini, do 1º Tribunal do Júri, o TJ recebia, já em abril, cerca de 30 pedidos diariamente de senha para assistir ao julgamento. Na última semana, o grande número de inscrições tirou o site do Tribunal de Justiça de São Paulo do ar, que recebeu mais de 5 mil acessos em apenas uma hora.</P>
<P><STRONG>O crime</STRONG></P>
<P>Estudante do primeiro ano de direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Suzane Louise von Richthofen era uma adolescente acima de qualquer suspeita. Bonita, rica e culta, a estudante tinha tudo o que desejava materialmente. No começo do ano, havia ganhado um carro Gol do pai como prêmio por ter sido aprovada na faculdade. </P>
<P>Os von Richthofen eram uma família reservada e os pais eram rigorosos quanto à educação dos filhos. Manfred e Marísia estavam preocupados com o envolvimento excessivo da filha com Daniel Cravinhos, o aeromodelista que namorava havia três anos. Dez dias antes do crime, o engenheiro chegou a confidenciar com um amigo que pretendia mandá-la, no final de 2002, para a Alemanha. Mas foi tarde demais.</P>
<P>Por volta da meia-noite do dia 30 de outubro, Daniel, Cristian e Suzane chegaram à mansão dos Von Richthofen. Os detalhes já haviam sido preparados: meias finas compradas antecipadamente, luvas de uso cirúrgico pegas da psiquiatra Marísia e barras de ferro. Eles haviam deixado Andreas, irmão de Suzane, em um cibercafé. </P>
<P>Suzane subiu as escadas, confirmou que os pais estavam dormindo, acendeu as luzes e chamou os irmãos Cravinhos para matar seus pais. Cristian teria pensado em desistir do crime, mas Daniel falou que já não tinha volta. Daniel matou Manfred enquanto Cristian assassinava Marísia. </P>
<P>No andar de baixo, Suzane andava da biblioteca para a sala de estar. Agachava, colocava a mão no rosto, enquanto iniciava a simulação de latrocínio - roubo seguido de morte. No quarto, a preocupação dos irmãos Cravinhos também era enganar a polícia. Depois do assassinato, Daniel retirou a arma de um fundo falso e colocou sobre a cama. Cristian carregou o revólver e colocou-o no chão ao lado de Manfred. </P>
<P>Depois do assassinato, os namorados foram para um motel localizado na Avenida Ricardo Jafet, na zona sul de São Paulo, onde ficaram até as 3 horas. Na volta, pegaram Andreas no cibercafé e seguiram para a casa dela. Por volta das 4 horas acionaram a polícia para informar que tinham encontrado os corpos.</P>
<P>De acordo com o delegado Enjolras Rello de Araújo, responsável pelo 27º Distrito Policial na época das mortes, Suzane estava no hall de entrada da mansão quando ele chegou ao local, por volta das 5h30. Depois de algumas perguntas, Andreas, Suzane e Daniel seguiram para a delegacia.</P>
<P>“Ela estava tranqüila. Tanto que por volta das 6h, foi levada para a delegacia e, como não havia dormido, chegou a cochilar no sofá do plantão (...) Parecia que não estava preocupada com a morte dos pais”, conta Araújo. “Uma hora ela chegou a dizer que queria que os policiais pusessem a mão nos marginais que mataram seus pais”. </P>
<P>Para o promotor Roberto Tardelli, os fatos que mais o impressionaram no crime foram a brutalidade das mortes, a insensibilidade de Suzane e o fato de ele não ter sido cometido por pessoas com antecedentes criminais. “O Daniel não é um alpinista social como as pessoas imaginavam. Ele também era um garoto que tinha tudo o que queria”, declarou.</P>
<P><STRONG>A trama</STRONG> </P>
<P>A trama começou a ser desvendada dez dias após o crime, quando a polícia investigou a procedência de uma moto Suzuki 1.100 cilindradas encontrada na garagem da casa dos irmãos. A moto teria sido comprada por um amigo de Cristian, 10 horas após o assassinato, e paga com 36 notas de R$ 100. Esse dinheiro, segundo a investigação, faria parte dos US$ 5 mil e R$ 8 mil levados da mansão dos von Richthofen.</P>
<P>Durante a investigação inicial do caso, a polícia desconfiou das contradições nos depoimentos de Suzane, Cristian e Daniel. Confrontada, a adolescente confessou a participação no crime e disse que foi motivada por amor ao namorado Daniel Cravinhos de Paula e Silva. Suzane disse que planejou o assassinato por dois meses com a ajuda do namorado e do irmão dele, Cristian Cravinhos de Paula e Silva.</P>
<P>A polícia decretou então a prisão preventiva dos acusados, e, oito dias depois, eles foram denunciados por homicídio duplamente qualificado por motivo torpe e impossibilidade de defesa das vítimas. </P>
<P>Vinte dias após o crime, os irmãos Cravinhos foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Belém e Suzane foi transferida para o Presídio Feminino do Complexo do Carandiru, na zona norte de São Paulo. A transferência de Suzane teve escolta de um comboio de quatro carros da polícia, com o objetivo de proteger a integridade física da jovem, que vinha sendo agredida verbalmente todas as vezes que aparecia em público.</P>
<P>Em agosto de 2004, Suzane foi transferida para a Penitenciária Feminina de Rio Claro, no interior de São Paulo, depois de ser feita refém em uma rebelião de presas na Penitenciária Feminina da capital.</P>
<P><STRONG>Depoimentos</STRONG></P>
<P>No primeiro depoimento dado pelos acusados após a prisão, no dia três de dezembro de 2002, Suzane afirmou que Daniel foi quem teve a idéia e a convenceu a matar os pais. No entanto, os irmãos afirmaram que a idéia inicial partiu dela e que em momento algum pensaram em cometer o crime por dinheiro. Cristian disse, inclusive, que Suzane comentou com ele que os pais bebiam e que teria tentado estuprá-la uma vez.</P>
<P>Suzane disse que namorava Daniel há três anos e que no início do namoro a família dela aceitava o relacionamento. "Ele frequentava a nossa casa, passava Páscoa, Natal, com a gente", contou durante o depoimento. </P>
<P>Segundo ela, a mãe passou a ser contra o relacionamento do casal quando percebeu que a filha estava envolvida demais. "Meu relacionamento com ele virou uma obsessão, queria estar com ele a todo o momento", disse. E a gota d'água para que os pais a proibissem de ver e falar ao telefone com Daniel foi quando Suzane mentiu dizendo que dormiria na casa de uma amiga e foi ao motel com o namorado.</P>
<P>Em meia hora de depoimento, Daniel Cravinhos negou que tenha tido a idéia de assassinar Manfred e Marísia. Na versão dele, quem teria manifestado a vontade de matar os pais teria sido Suzane. Ele ainda teria tentado dissuadi-la, mas foi convencido conforme o namoro era cada vez mais repreendido. Segundo o acusado, a namorada contava para ele que os pais não permitiam o namoro e que falavam mal da família dele, que seria "de classe inferior" e "de ladrões".</P>
<P>Daniel contou que "pegou birra" do casal e aceitou a idéia de cometer o homicídio. O namorado negou que ele ou o irmão tenham sido motivados por dinheiro, apesar de a herança de Suzane ser calculada em milhões. Ele disse que Cristian tinha certeza de que seriam descobertos, mas mesmo assim concordou em participar porque "queria estar ao lado do irmão sempre que ele precisasse".</P>
<P>A versão de Cristian coincidiu com a de Daniel. Ele disse que soube do plano dos namorados em julho, quando visitou a casa da família na ausência dos pais. Na época, ele teria discutido com Daniel e Suzane e tentado fazê-los desistir da idéia. Não conseguiu, então teria saído nervoso da casa.</P>
<P>Os três foram interrogados pelo juiz Alberto Anderson Filho, que decretou a prisão preventiva de Suzane, Daniel e Cristian. O juiz aceitou a denúncia do promotor Roberto Tardelli contra os três por duplo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, uso de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas e meio cruel), que prevê penas de 12 a 30 anos, e fraude processual, por causa da encenação feita no local do crime para induzir a polícia a acreditar na existência de um crime de latrocínio. A pena desse delito varia de 2 meses a 2 anos. Além disso, Cristian foi indiciado pelo furto das jóias e dinheiro do casal.</P>
<P><STRONG>Guerra judicial</STRONG></P>
<P>Dois anos e oito meses após ser presa, a defesa de Suzane conseguiu um habeas-corpus para libertar a estudante. Ela saiu da Penitenciária Feminina de Rio Claro, no interior de São Paulo, no dia 29 de junho de 2005. A decisão do Supremo Tribunal de Justiça não beneficiou os irmãos Cravinhos. Cinco meses depois, os advogados de Cristian e Daniel finalmente conseguiram o habeas-corpus para seus clientes e em novembro de 2005 eles já passeavam livres por São Paulo.</P>
<P>A liberdade dos Cravinhos durou pouco. Em janeiro deste ano, eles voltaram a ter a prisão preventiva decretada pela Justiça paulista logo após uma entrevista exclusiva concedida à rádio Jovem Pan.</P>
<P>Na entrevista, os acusados disseram que Suzane von Richthofen era estuprada pelo pai desde os 13 anos e que, dias antes do crime, os três foram à casa da família, a pedido de Suzane, para testar o volume do disparo de uma arma de fogo. </P>
<P>Em março deste ano, o Tribunal de Justiça negou novo pedido de habeas-corpus aos dois irmãos. Eles pediam o direito de aguardar o julgamento, marcado para o dia 5 de junho, em liberdade.</P>
<P><STRONG>Farsa na TV</STRONG> </P>
<P>Uma reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, acusou os advogados de Suzane de montar uma farsa para a televisão em abril deste ano. A montagem foi descoberta porque, durante entrevista a repórteres da emissora, um microfone na blusa de Suzane captou orientações de seus defensores sobre como a jovem deveria se comportar na frente das câmaras - inclusive simulando chorar e acusando o ex-namorado.</P>
<P>Sem saber que estava sendo gravado, o advogado e amigo da família Denivaldo Barni ordena, pouco antes do início da segunda parte da entrevista, na quinta-feira passada: "Chora!". "Não vou conseguir", responde Suzane. "Você tá feliz? Então, tá", diz ele.</P>
<P>No mesmo dia, depois de Suzane ter gravado a maior parte da entrevista, quando a equipe da Globo estava longe, uma voz, que, segundo o Fantástico foi identificada por um perito criminal como sendo do advogado Mário Sérgio de Oliveira, diz a ela: "Acabou. Mais nada. Começa a chorar e fala: `Não quero falar mais´."</P>
<P>A mesma voz também a orientou a dizer que o ex-namorado lhe dava ordens: "o que ele mandava, ele mandava sempre dizendo que, se o amasse, era para fazer, que eu nunca... E pelo amor de Deus, não quero mais falar desse assunto, que me faz muito mal´". </P>
<P>Um dia após a entrevista, no dia 10 de abril deste ano, a Justiça de São Paulo revogou o habeas-corpus de Suzane e decretou a prisão da jovem. Ao saber do pedido de prisão, Suzane preferiu se entregar à polícia de São Paulo antes de ser presa. </P>
<P>O promotor Roberto Tardelli, em seu pedido, argumentou que o irmão de Suzane, Andreas von Richthofen, correria perigo se a irmã continuasse em liberdade. “Andreas é inventariante (administrador dos bens dos pais), autor da ação de exclusão de herança e testemunha no processo. Ou seja, ele se tornou um obstáculo vivo para que ela alcance seu objetivo, que é dinheiro”, disse Tardelli. Suzane havia procurado a Justiça pedindo para se tornar a gerente do patrimônio dos pais.</P>
<P><STRONG>Livre mais uma vez</STRONG> </P>
<P>Quinze dias após ser presa novamente, o Tribunal de Justiça de São Paulo negou novo habeas-corpus pedido pela defesa de Suzane. No dia 4 de maio, outro habeas-corpus foi negado e no dia 11 do mesmo mês o TJ recusou novamente o pedido dos advogados.</P>
<P>Depois de tanta insistência, o Superior Tribunal de Justiça determinou a prisão domiciliar para Suzane. A decisão foi tomada com base no argumento jurídico de incompetência de autoridade. O STJ já havia concedido prisão domiciliar à estudante acusada de participar do assassinato dos pais e um tribunal de primeira instância reverteu e determinou sua prisão. "Isso põe em xeque (risco, perigo) a autoridade da decisão revogatória da prisão precedente", afirmou o ministro em seu despacho.</P>
<P>O ministro afirmou ainda que a prisão de Suzane não era necessária por não haver "indicação de real elemento" que coloque em "risco a ordem pública, ou a ordem econômica, ou a conveniência da instrução criminal, ou a aplicação da lei penal. Tanto que, repetida a prisão, Suzane se apresentou ao Distrito Policial", relatou o ministro.</P>
<P>Suzane deixou o Centro de Ressocialização de Rio Claro, no interior de São Paulo, no dia 29 de maio e aguarda seu julgamento em liberdade. Suzane está na residência de seu tutor, o advogado Denivaldo Barni, na zona sul da capital. </P>]]></Texto>

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