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 <Codigo>1955353</Codigo>

 <MetaData>16:58:50 02/05/2005</MetaData>
 <DataGeracaoArquivo>Seg, 2 Mai 2005 17:48:14 -0300</DataGeracaoArquivo>

 <Titulo><![CDATA[Governo diz que cartilha “Politicamente Correto” é modesta e não visa controle]]></Titulo>
 <PalavrasChave><![CDATA[]]></PalavrasChave>
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 <DataMateriaAtualizada>17:48 02/05</DataMateriaAtualizada>

 <NomeCredito>Darlan Alvarenga, repórter iG no Rio</NomeCredito>
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 <NomeFonte><![CDATA[]]></NomeFonte>
 <URLFonte></URLFonte>
 <ImagemFonte></ImagemFonte>
 <DescricaoFonte><![CDATA[]]></DescricaoFonte>

 <Olho><![CDATA[RIO – O subsecretário de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, Perly Cipriano, organizador da cartilha “Politicamente correto", que reúne 96 palavras, expressões e piadas consideradas pejorativas e que revelam generalizações e discriminações contra pessoas ou grupos sociais, recebeu com surpresa as reações e críticas contra a publicação que começou a ser distribuída na última semana a parlamentares, professores, policiais, jornalistas, organizações não-governamentais e pessoas envolvidas com políticas de direitos humanos.]]></Olho>
 <Texto><![CDATA[<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-bidi-font-size: 7.5pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman"><A href="http://bligus.blig.ig.com.br/"><STRONG>Opine no Blig</STRONG></A></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-bidi-font-size: 7.5pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman"></FONT></FONT></SPAN>&nbsp;</P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-bidi-font-size: 7.5pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">Segundo ele, a cartilha foi distribuída pela primeira vez na conferência de Direitos Humanos, realizada em junho de 2004, e recebeu boa acolhida e elogias dos representantes das comissões de direitos humanos.<?xml:namespace prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" /><o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-bidi-font-size: 7.5pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>“É uma coisa modesta, qualquer manual de redação tem mais recomendações que essa cartilha de 96 itens. Os manuais dos jornais também recomendam que não se use expressões como pivete, viado, aleijado, e não estão fazendo nenhum autoritarismo”, afirma Cipriano, negando qualquer intenção da cartilha servir de norma ou regra. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">Segundo ele o objetivo é provocar polêmica e levantar o debate. “A secretaria não tem interesse de estabelecer regras ou qualquer forma de controle. O objetivo é chamar a atenção para que a sociedade possa pensar mais na linguagem que usa e mostrar como palavras e expressões usadas corriqueiramente no dia-a-dia <SPAN style="mso-bidi-font-size: 7.5pt">escondem preconceitos e discriminações enraizados”, afirma Cipriano.<o:p></o:p></SPAN></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman"><SPAN style="mso-bidi-font-size: 7.5pt">Na cartilha, foram incluídas expressões como "a coisa ficou preta", "farinha do mesmo saco”, “maria vai com as outras”, e palavras como veado, burro, aidético, sapatão, gilete, baianada, ladrão, judiar e até comunista. Alguns exemplos são inesperados: </SPAN>não se deve chamar de "palhaço" uma pessoa pouco séria ou de "barbeiro" o motorista inábil ou que comete infrações, porque os termos ofenderiam os profissionais dessas áreas. <A href="http://noblat.blig.ig.com.br/#post_17958516">Cliquei aqui para ler outras expressões que, segundo a cartilha, devem ser evitadas.</A></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-bidi-font-size: 7.5pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-bidi-font-size: 7.5pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">Com tiragem inicial de cinco mil exemplares, a cartilha chamou a atenção após ser distribuída durante um seminário na Câmara dos Deputados.<SPAN style="mso-spacerun: yes">&nbsp; </SPAN>O texto foi elaborado pelo jornalista Antônio Carlos Queiroz, vice-presidente do Sindicato dos Jornalista de Brasília e colaborador da Fundação Universitária de Brasília, da UnB, que recebeu a encomenda da secretaria. <o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-bidi-font-size: 7.5pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><B><SPAN style="mso-bidi-font-size: 7.5pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>João Ubaldo critica cartilha</FONT></SPAN></B><SPAN style="mso-bidi-font-size: 7.5pt"><BR><BR><FONT face="Times New Roman" size=3>O </FONT></SPAN><FONT face="Times New Roman" size=3>escritor João Ubaldo Ribeiro afirmou estar “estarrecido” com a cartilha. Ele distribuiu a amigos um e-mail com críticas à cartilha e se demonstrando preocupado com o risco do texto servir de base para alguma norma do governo federal sobre a linguagem que deve ser usada no País.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>“Não podemos aceitar esse delírio totalitário, autoritário, preconceituoso (ele, sim), asnático, deletério e potencialmente destrutivo -- e, o que é pior, custeado com o nosso dinheiro”, escreve. “Quanto tempo falta para que os burocratas desocupados que incham a máquina governamental regulem nossa conduta sexual doméstica ou nosso uso de instalações sanitárias?”</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>Ubaldo estranha a censura as palavras "negro", "preto", "escuro" e semelhantes, nos casos em que não estiverem sendo usadas sem relação alguma com a cor da pele de ninguém. “As nuvens de chuva por acaso são brancas e alguém está insultando os negros, quando diz que há nuvens negras no horizonte (e há)?”, questiona. <A href="http://noblat.blig.ig.com.br/%20#post_17958530">Leia mais no Blig do Noblat</A>.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>“Dizer que há nuvens negras não é nenhum preconceito, porque negra é a cor dela. Da mesma forma que se fala também em cavalo negro, em razão da cor do cavalo. Diferente é dizer que “a coisa está preta” para dizer que a coisa está ruim”, rebate Cipriano. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>Segundo ele, é o contexto e não o uso da palavra negro(a) que denota o preconceito. “Quando alguém fala que fulana é uma ‘negra bonita’ é preconceito, pois quando a pessoa é branca ninguém fala que ‘branca bonita’ e sim que ‘mulher bonita’”, afirma.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>O subsecretário não quis, entretanto, fazer mais comentários sobre as críticas do escritor. Disse apenas que todas as críticas serão bem recebidas e poderão resultar em novas inclusões ou revisões na cartilha.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<H1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>“Entendido”</FONT></H1>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>Outra expressão controvertida recomendada pela cartilha é o uso da palavra “entendido”, além de gay para se referir a homossexuais masculinos. Os grupos de defesa dos homossexuais não gostam da palavra “entendido” e preferem apenas o termo direto: gay.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>“Eu também prefiro o termo direto. O mais correto é mesmo homossexual ou gay. Mas ainda existem alguns grupos e textos onde os próprios homossexuais se referem desta forma”, afirma Cipriano. Ele admite, entretanto, a possibilidade de discutir com os grupos a elaboração de uma cartilha específica sobre sexualidade.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>O subsecretário afirma que, diferentemente do que o título da cartilha sugere, o objetivo não é lançar uma cruzada conservadora e disciplinadora, mas mostrar como que a linguagem ajuda manter certos preconceitos.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><SPAN style="mso-spacerun: yes"><FONT face="Times New Roman" size=3>&nbsp;</FONT></SPAN></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>“O ser humano não nasce preconceituoso, ele aprende as coisas e reproduz. Desde criancinha ele houve que quem chora é mulherzinha. Mas será que só quem chora é mulher?”, afirma. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<H1 style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>Linguagem é instrumento de poder e desmoralização, diz autor</FONT></H1>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>O autor da cartilha acredita que as críticas do Ubaldo foram feitas apenas com base nas reportagens. “Acho que ele não leu a cartilha e que cometeu um pré-conceito, pois não há qualquer intenção de normatizar a língua. Mesmo porque isso seria estupidez”, afirma Queiroz.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>Segundo o jornalista, o objetivo principal é apenas causar polêmica e provocar o debate. “Nosso objetivo é mostrar que por trás da aparente inocente linguagem há preconceitos enraizados de uma cultura escravagista e classista e que a linguagem é também um instrumento de poder e de desmoralização”, afirma. </FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>Como exemplo ele cita o uso da palavra tupiniquim para se referir aos brasileiros de maneira depreciativa. “Os tupiniquins são uma etnia do Espírito Santo e ficam putos quando se generaliza”.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>Para redigir a cartilha, o jornalista afirma que se valeu da sua experiência como ex-repórter da revista de Direitos Humanos Movimento e de entrevistas com integrantes de ONG´s e membros dos conselhos de direitos humanos ligados à Secretaria.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>Queiroz afirma, entretanto, que não pretende esgotar o assunto com a cartilha. Pelo contrário, considera importante redigir versões atualizadas, inclusive com a revisão ou ampliação de algumas expressões, para a elaboração de uma enciclopédia de direitos humanos.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>“O que é preconceito hoje, pode não ser amanhã. A história vai mudando o sentido da palavra ao longo do tempo ou então encontrando um termo mais apropriado. Há 30 anos, por exemplo, ninguém falava deficiente físico. Já hoje, é raro alguém se referir a um deficiente como aleijado ou inválido”, afirma.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT face="Times New Roman" size=3>Queiroz afirma, porém, que a melhor receita para definir o que é politicamente correto é o bom senso. “Alguns termos são evidentemente pejorativos, outros depende do contexto e até mesmo da entonação”, diz.</FONT></P>
<P class=MsoNormal style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt"><FONT size=3><FONT face="Times New Roman">&nbsp;<o:p></o:p></FONT></FONT></P><SPAN style="FONT-SIZE: 12pt; FONT-FAMILY: 'Times New Roman'; mso-fareast-font-family: 'Times New Roman'; mso-ansi-language: PT-BR; mso-fareast-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA">“Para fortalecer a igualdade entre brasileiros é preciso também de respeito na linguagem. Por isso, é importante mostrar que até quando chamamos alguém de palhaço, também podemos estar ofendendo um profissional, que não tem nada a ver com aquilo”, conclui.</SPAN> ]]></Texto>

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