"Camisas vermelhas" e os militares da Tailândia trocam tiros no centro de Bangcoc, onde está localizado o acampamento dos rebeldes

Os manifestantes antigovernamentais conhecidos como "camisas vermelhas" e os soldados das forças de segurança da Tailândia iniciaram confrontos que estão se estendendo além da zona central de Bangcoc, onde os rebeldes montaram seus acampamentos.

Os militares, assim como os "camisas vermelhas", alguns deles armados com pistolas, se espalham também por ruas do distrito financeiro que fica junto a um dos extremos da área que está ocupada. Vários pelotões de soldados avançam pela rua onde se encontram, entre outras, a muito fortificada embaixada dos Estados Unidos e a residência oficial de seu embaixador.

Antes de as tropas avançarem pela via, várias centenas de manifestantes se apoderaram de ônibus e depois os incendiaram. Dezenas de grupos de manifestantes pressionam os pelotões de soldados, que estão postados nos acessos ao acampamento dos rebeldes.

As instalações se espalham por uma área de aproximadamente três quilômetros quadrados, e estão protegidas por barricadas feitas com pneus, bambu e arame farpado. Os "camisas vermelhas" incendiaram nesta sexta dois veículos militares e trocaram tiros com os soldados tailandeses, que tentam retirar os manifestantes do centro de seus protestos em Bangcoc, informaram testemunhas e fontes oficiais.

Dezenas de residentes abandonaram uma zona próxima ao Parque Lumphini e à nova Embaixada do Reino Unido, fechada desde a manhã desta sexta, e onde se concentram centenas de manifestantes antigovernamentais, contra os quais as tropas lançaram gás lacrimogêneo.

Estados Unidos e outros países também fecharam suas embaixadas. Dois caminhões-pipa e seus motoristas foram capturados esta madrugada por membros da Frente Unida para a Democracia e contra a Ditadura.

Antes, o Exército anunciou que tinha cortado a provisão elétrica e bloqueado o acesso ao local dos protestos, depois que na noite de quinta teve início a operação de retirada dos "camisas vermelhas", causando uma morte e deixando 11 feridos, entre eles um dos líderes dos ativistas, o general rebelado Khattiya Sawasdipol.

Sawasdipol apoia os ativistas, e sobre ele pesava uma ordem de busca e captura emitida há um mês por ter participado da morte de vários soldados durante a batalha campal do último dia 10 de abril.

Quando anoiteceu na quinta-feira, o Exército tailandês entrou na zona que ocupada pelos manifestantes para retirá-los do local, mas eles continuaram desafiando as tropas por trás de suas barreiras de bambu até que começaram os confrontos.

Horas antes, o Governo tinha retirado sua oferta de realizar eleições em novembro deste ano, como parte do "mapa de caminho" proposto para resolver a crise. Desde que os protestos em Bangcoc começaram, há dois meses, 30 pessoas morreram e cerca de mil ficaram feridas pelos enfrentamentos entre as tropas e os manifestantes que exigem a queda do Executivo. 

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