publicidade


Home > Notícia
  • Tamanho do texto
  • A
  • A

Os pólos políticos pós-Lula

05/11 - 07:29 - Luís Nassif, coluinista do Último Segundo

Uma grande discussão, no cenário político atual, é saber de que maneira irá se articular uma oposição ao que se poderia chamar de lulismo. Grosso modo, são três grupos de temas em torno dos quais podem ser articulados os discursos políticos:

O primeiro engloba as políticas irreversíveis que considera, entre outros, as políticas sociais includentes, o pacto do desenvolvimento, a manutenção da estabilidade inflacionária e fiscal, o biocombustível, a nova política industrial, ancorada no pré-sal, e o fortalecimento da agricultura.

O segundo são as sementes que vêm sendo lançadas, mas sem muita ênfase, como a prioridade na saúde (focalizado no recurso), o avanço na tecnologia e inovação, o aprimoramento da gestão pública, a desoneração dos investimentos e a racionalização tributária e o apoio às pequenas e microempresas.

O terceiro, onde se dará o embate ideológico, refere-se ao controle do fluxo de capitais.

***

Um dos pilares do modelo econômico que se quiser desenhar pela frente definirá vitoriosos e perdedores.

Na verdade, há apenas dois modelos em discussão, já que os dois grupos anteriores cabem em qualquer esquema ideológico.

No modelo do livre fluxo de capitais, a liderança da economia cabe aos gestores de recursos, ao grande capital financeiro exportado e/ou aliado a capitais internacionais.

Nesse modelo, se mantido o livre fluxo de capitais, ocorre uma apreciação cambial e taxas de juros internas superiores às internacionais.

***

O vencedor é o grande capital financeiro, que ganha com arbitragem de preços, com a redução dos preços dos ativos nacionais (em reais, pela taxa de juros mais elevada) e comanda o processo, em geral adquirindo empresas e colocando à frente CEOs.

Sua lógica não é da perpetuação à frente do negócio. É da capitalização da empresa, de melhorias pontuais na gestão para valorizar os ativos e passar para frente.

***

A grande questão é que esse modelo – câmbio apreciado, juros altos – não apenas enfraquece os industrialistas frente os financistas, mas enfraquece a competitividade da economia brasileira como um todo e – por si só – promove um intenso processo de concentração, impede o crescimento de pequenas e médias empresas, esgarça o tecido econômico, a malha de empresas que deve circundar as empresas-polo.

Mas, com o câmbio apreciado, só prosperarão empresas umbilicalmente ligadas ao mercado interno. Se quiserem vôos maiores, se capitalizarão internamente, mas com suas bases fora do país – porque sem condições fiscais, de financiamento, sem câmbio, não terão como ousar voos maiores.

Cada grupo e cada empresa poderão se beneficiar individualmente. Há avanços corporativos – na governança, na prestação de contas aos acionistas, na flexibilidade para substituir gestores incompetentes. Mas o País não se beneficia no todo, porque a contrapartida desse financismo desvairado será a de converter o país apenas como plataforma de lançamento de grupos e empresas que fincarão suas unidades produtivas em outras economias. Ou então, promover uma concentrarão que tira completamente o poder de barganha da cadeia produtiva do setor.

O grande desafio será conjugar os dois modelos. Isso foi possível nos anos 30, quando a crise cambial praticamente obrigou o governo a interromper o livre fluxo de capitais. Aí esses capitais caíram na economia real, deixaram de lado a jogatina e ajudaram fortemente o processo de industrialização brasileira.

**

Quanto aos partidos políticos, nos próximos anos, o financismo se aglutinará em torno de Aécio Neves – ganhando ou perdendo as eleições, saindo ou não candidato a presidente. O desenvolvimentismo se aglutinará em torno do herdeiro de Lula – seja quem for.

Mas, antes, Lula terá que tomar decisões que reduzam um pouco a grande frente que ele montou: controle de capitais, política cambial pró-desenvolvimento, fortalecimento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e, ao mesmo tempo, estímulo ao mercado de capitais.

***

O decepcionante lucro do Bradesco

A piora de conjuntura neste ano pressionou os resultados do Bradesco, que entregou ao mercado um lucro trimestral menor que o de 2008. Entre julho e setembro, o segundo maior banco brasileiro lucrou R$ 1,81 bilhão, montante abaixo das estimativas (R$ 1,869 bilhão) e 5,2% inferior ao do mesmo período de 2008. As causas para um desempenho inferior foram o baixo crescimento das concessões de crédito, aumento da inadimplência e dos sinistros no ramo de seguros.

A polêmica decisão da GM

A desistência da montadora norte-americana General Motors em vender sua unidade alemã Opel provocou perplexidade nos governos da Alemanha, que mediou a venda, e Rússia, que participou do leilão. Em visita oficial aos Estados Unidos, a chanceler alemã Ângela Merkel se encontrará com o presidente Barack Obama e deve incluir o assunto na pauta. Enquanto o governo russo mostrou surpresa com a decisão, o banco estatal russo Sberbank e a canadense Magna farão uma análise legal da situação.

O preço recorde do ouro

Após a venda de 200 toneladas de ouro do FMI (Fundo Monetário Internacional) para o governo da Índia, o preço do metal atingiu o recorde de US$ 1.095,40 a onça no London Bullion Market. "Apesar dos atuais preços elevados, os bancos centrais dos países emergentes estão dispostos a acumular ouro para diversificar as suas reservas de moeda", disseram analistas do Commerzbank. Comenta-se que a China estaria planejando comprar mais 200 toneladas do FMI.

A coordenação das políticas fiscais

Segundo representantes dos Estados Unidos e da Europa, as políticas de retirada dos estímulos fiscais serão executadas de forma coordenada. "Nos comprometemos a permanecer vigilantes para tomar ações que garantam uma forte recuperação e planejar estratégias de saída de cooperação e coordenação para serem implementadas uma vez que a recuperação esteja garantida", divulgou a Casa Branca e líderes da União Europeia.

EUA perdem mais de 200 mil empregos

A economia norte-americana perdeu 203 mil vagas em outubro, de acordo com o levantamento feito pelas consultorias ADP Employer Services e Macroeconomic Advisers. O montante ficou abaixo dos 227 mil empregos extintos em setembro divulgados pelo governo, e dos 254 mil estipulados pela consultoria. Na próxima sexta-feira, o Departamento do Trabalho divulgará os números do mercado de trabalho dos Estados Unidos, como o número de vagas extintas e a taxa de desemprego.

A normalização do crédito corporativo

As operações de crédito devem retomar os níveis de normalidade nos próximos meses. O Indicador Serasa Experian de Perspectiva do Crédito às Empresas cresceu 0,8% em setembro, para 99,6 pontos. Quanto mais perto de 100, mais próxima será a retomada das concessões em um horizonte de seis meses. O volume atual de concessões de crédito corporativo está 7% abaixo do normal, em torno de R$ 93 bilhões ao mês, e os indicadores apontam para uma expansão de até R$ 100 bilhões ao mês.





US Multimídia


Publicidade


Enquete


 

Contador de notícias