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Por trás das discussões econômicas

04/11 - 07:00 - Luís Nassif, colunista do Último Segundo

Nos últimos quinze anos, ocorreu uma guerra surda na política econômica, que está por trás de todas as grandes discussões de ordem econômica: quem lidera a economia.

Em uma ponta, existem os empresários industriais, do setor de serviços, da agricultura. São pessoas que montaram ou herdaram empresas, em geral conhecem seu ofício, enfrentam  o custo Brasil, têm dificuldades de acesso a crédito, penam com tributação excessiva – ou transitam na zona cinzenta do caixa dois.

Na outra ponta, os financistas, o detentor do grande capital que, em geral, foi exportado para algum paraíso fiscal e retorna para o país na forma de fundos off-shore ou mesmo em nome dos titulares. São pessoas que acumularam capital financeiro na grande esbórnia dos anos 80, com o modelo implantado pelo Real, com a venda de empresas. etc

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O primeiro grupo, em geral, é apegado ao seu negócio, reinveste o lucro no crescimento da empresa – quando sente que têm condições de crescimento. Mas têm dificuldades para contornar o chamado custo Brasil; as empresas têm pouca transparência, problemas de gestão etc.

O segundo grupo trata as empresas como ativos. Compra empresas em dificuldades, capitaliza-as, melhora a gestão para vender com lucro no momento seguinte. Têm a vantagem da visão para os novos negócios, capital para melhorar a performance e gestores profissionais especializados na recuperação de empresas. Mas, em geral, sua visão é de curtíssimo prazo e extremamente focada na melhoria da rentabilidade, que tem prioridade sobre a visão estratégica da companhia.

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Quando ambos os lados se juntam, há desenvolvimento saudável. Quando um dos lados prevalece, o resultado não costuma ser bom.
Até os anos 90, prevalecia a visão industrialista, o que levou ao excesso de proteção às empresas nacionais, mercados fechados, burocracia excessiva, pouco respeito ao consumidor, estagnação da inovação, das parcerias.

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Dos anos 90 em diante prevaleceu a visão financista, na qual os pontos centrais eram taxas de juros bem acima das taxas internacionais (permitindo grandes ganhos de arbitragem), e livre fluxo de capitais.

Essa mistura provocava processos de valorização artificial do real que proporcionaram grandes ganhos aos investidores internacionais.

O País foi dividido em dois. Os empresários da economia real – que estão na ponta tomadora de dinheiro – sufocados pelos altos juros, pela tributação excessiva (ampliada para pagar a conta de juros) e pelo real caro. Os investidores, beneficiados pela isenção fiscal (já que registram seu capital no exterior), pelos juros (já que são aplicadores) e pela apreciação cambial.

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O grande problema é que esse modelo adotado é fundamentalmente concentrador de riquezas, impele à compra de empresas por outras, impede o crescimento de pequenas e médias empresas.

Com isso, o país se transforma em uma mera plataforma em que grandes grupos se consolidam, acumulam capital por aqui mas, quando pretendem se internacionalizar, preferem transferir suas empresas e empregos para outros países.

Déficit elevado no G20

O G20 (grupo das 20 principais economias do mundo) deve registrar um déficit fiscal médio de 7,9% do PIB em 2009, segundo estimativas do FMI (Fundo Monetário Internacional). Para 2010, o déficit tende a cair para 6,9% do PIB. Embora o déficit seja considerado alto, ainda é cedo para suspender as medidas anti-cíclicas. Segundo o diretor de assuntos fiscais do FMI, Carlo Cottarelli, "este não é o momento para apertar a política fiscal, mas é o momento para pensar em como ajustar a política fiscal no futuro".

Itaú vê inadimplência menor

Para o Itaú Unibanco, o cenário de crescimento é promissor no final do ano. "A perspectiva é de que o índice (de inadimplência) se estabilize ou caia a partir do quarto trimestre", disse o diretor-executivo de controladoria do banco, Silvio de Carvalho. A inadimplência de operações vencidas há mais de 90 dias era de 5,9% no final de setembro. Além disso, o banco percebe "uma melhoria significativa da economia neste segundo semestre", o que tende a aumentar a procura por financiamentos.

China será a maior economia em 2027

A China pode se transformar na maior economia do mundo a partir de 2027, estimou o economista Jim O’Neill, criador da sigla BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China). Depois de consolidar sua posição como grande exportador mundial, a China deve se voltar ao seu mercado interno como forma de manter o fôlego do crescimento, segundo O’Neill. Atualmente a China é a terceira maior economia do mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Japão.

Brasil descumpre acordos, diz Argentina

O Brasil está descumprindo acordos comerciais bilaterais com a Argentina, acusa o secretário da Indústria Eduardo Bianchi. Empresas exportadoras argentinas reclamam do aumento das restrições alfandegárias brasileiras aos seus produtos – muitos deles perecíveis – que aumentaram nas últimas semanas. O Brasil tem sido acusado de segurar licenças não automáticas de importação, restringindo as exportações argentinas. As medidas seriam uma retaliação a iniciativas similares aplicadas pela Argentina.

A disputa pelos royalties do pré-sal

A disputa pelos royalties oriundos da exploração do petróleo no pré-sal promete acirrar os ânimos no Congresso. O deputado Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), relator do projeto, propôs a mudança do regime de exploração do petróleo, diminuindo a participação da União, estados e municípios produtores e aumentando os benefícios aos Estados não produtores. Os governadores dos Estados produtores - Rio de Janeiro e Espírito Santo - se reúnem para tentar mudar o projeto.

Mercado mantém projeção de PIB

O mercado manteve suas projeções para o PIB deste ano, mas rebaixou as estimativas de inflação. De acordo com o boletim semanal Focus, do Banco Central, as instituições financeiras consideram que a expectativa de PIB foi mantida em 0,18% este ano e crescimento de 4,80% no ano que vem. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve ficar em 4,27% este ano e 4,45% em 2010. Até a semana anterior, o IPCA foi estimado em 4,29% neste ano e 4,5% em 2010.





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