Eles foram premiados, mas perderam tudo

Ex-milionário, Antonio Domingos é garçom e vive com salário de R$ 500,00

Carolina Cardoso, especial para o iG |

Muitas pessoas ficaram chocadas recentemente com a história do lixeiro inglês que, após ganhar o equivalente a R$ 26 milhões na loteria, virou notícia no mundo todo ao pedir seu antigo emprego de volta. Michael Carroll gastou tudo o que recebeu em 2002 em bebida, drogas e mulheres.

Mas não é necessário ir tão longe para conhecer dramas como o de Carroll. O baiano Antônio Domingos, de 46 anos, vivenciou uma história muito parecida. Quando em 1983 ganhou na loto o equivalente hoje a R$ 30 milhões, pensou que o dinheiro não acabaria nunca. A primeira providência que tomou foi pedir demissão do emprego de zelador que tinha em um condomínio da capital baiana.

“Chegou uma época em que eu agia como se carros, motos e roupas fossem descartáveis”, conta Antônio, que hoje trabalha como garçom em um restaurante de comida natural e ganha cerca de R$ 500,00 por mês.

A vida de conforto e fartura, como define o soteropolitano, durou apenas cinco anos. Em vez de comprar uma casa, Antônio preferiu morar por um tempo na suíte presidencial do hotel mais luxuoso de Salvador na época. Restaurantes caros também faziam parte de sua rotina.

Hoje, o que restou daquele tempo são apenas fotos, lembranças e o arrependimento não ter proporcionado uma vida melhor para a mãe que, segundo ele, passa necessidades até para colocar comida na geladeira.

Antônio continua fazendo suas apostas com frequência, mas diz que se ganhasse hoje faria tudo de maneira diferente. “Além de ajudar minha mãe, tenho vontade de criar uma instituição de caridade para cuidar de crianças e idosos carentes”.

Diferentemente de Antônio, o baiano Nivaldo Eduardo, de 62 anos, diz que não se arrepende de ter gastado todo o dinheiro que recebeu em 1972, quando foi um dos primeiros brasileiros a ganhar na Loteria Esportiva. Hoje aposentado, ele sobrevive com a ajuda de amigos e o pouco dinheiro que ganha tomando conta de carros nas ruas de Salvador.

Entre as histórias de excessos cometidos que conta da época em que era rico, Nivaldo lembra-se com saudade de quando chegou a fretar aviões para acompanhar como amigos alguns jogos do Bahia, seu time do coração, em cidades de todo o país. O dinheiro, que veio fácil, foi embora em apenas cinco anos.

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